7 mecanismos cerebrais que criam memórias falsas em sua vida

Por MegaCurioso

O cérebro humano é uma máquina complexa e encantadora, e todos nós sabemos disso. Quando o que está em questão é o nosso órgão pensante, um dos assuntos que mais chamam a nossa atenção é a memória. É comum pensarmos nela como uma espécie de arquivo repleto de todos os momentos que já vivemos, e a coisa até pode ser colocada dessa maneira, sim, o que não significa dizer que memória é apenas isso.

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Ao contrário do que já chegamos a pensar diversas vezes, nossa memória não é uma espécie de filme que guardamos e, de vez em quando, assistimos novamente – pelo contrário: ela é uma série constantemente editada que pode estar enganando você. A seguir, confira sete formas encontradas pelo seu cérebro para que você tenha memórias falsas:

1 – Vieses de memória

Os inúmeros fatores que podem fazer com que uma pessoa se lembre ou se esqueça de determinados eventos são geralmente chamados de vieses de memória. Alguns vieses podem colaborar para que suas lembranças sejam fiéis ou não – confira os mais comuns a seguir:

Humor: Nosso cérebro adora memórias divertidas, e se algum acontecimento é engraçado, o mais provável é que você se lembre bem dele – acredita-se que isso aconteça pelo fato de que o humor é uma resposta emocional e, como tal, é mais facilmente recordado.

Nivelamento: É comum que os detalhes de algumas memórias sejam esquecidos. Às vezes, quando isso acontece, nossos cérebros trabalham de forma a enfatizar os detalhes dos quais nos lembramos, o que faz com que esses detalhes sejam a parte mais significativa de uma memória específica, ainda que originalmente não tenha acontecido assim.

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Positividade: Ainda não se sabe ao certo por que acontece, mas a verdade é que pessoas mais velhas tendem a ter mais memórias positivas do que negativas.

Efeito espacial: Algumas pessoas conseguem se lembrar melhor de alguns eventos quando estão expostas a períodos de tempo específicos, sabia?

Colisão remanescente: É o viés que faz com que algumas pessoas se lembrem mais dos eventos na adolescência ou na juventude do que daqueles de outros períodos.

2 – A memória-relâmpago

Acontece quando conseguimos nos lembrar do lugar onde estávamos ao ouvir determinados acontecimentos. Se você se lembra, por exemplo, do que estava fazendo e de onde estava quando soube dos ataques terroristas de 11 de setembro, essa sua memória já se encaixa aqui.

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Isso se dá porque, quando um evento é trágico e nos afeta, ainda que apenas emocionalmente, nosso cérebro cria memórias de forma diferente. Basicamente, é como se, no lugar de um filme, ele fizesse uma foto. Com o passar do tempo, como acontece com as outras memórias que cultivamos, essas lembranças vão se deteriorando, mas é possível que nos lembremos delas de forma vívida devido à ligação emocional.

3 – Memórias implantadas

Parece bizarro demais imaginarmos que seja possível IMPLANTAR uma memória na cabeça de alguém, mas não só isso acontece como é mais comum do que você imagina.

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A psicóloga Dr. Elizabeth Loftus já realizou inúmeros experimentos de memórias implantadas ao longo de sua carreira – só para você ter ideia, um estudo realizado com voluntários e psicólogos revelou que os profissionais conseguiram implantar uma memória falsa na mente dos participantes – alguns deles realmente acreditaram que, quando crianças, se perderam dentro de um shopping.

Em alguns casos, pacientes que se submetem a terapias psicológicas podem acreditar nos efeitos de alguma experiência traumática pela qual nem mesmo chegaram a passar.

4 – Sugestionabilidade

A sugestionabilidade é bastante parecida com a implantação de memórias, mas acontece de maneira diferente. Aqui as lembranças do que nunca aconteceu geralmente surgem em decorrência de um processo mais ativo, como quando alguém começa a fazer perguntas capciosas.

How Stuff Works contou as conclusões de um estudo realizado para comprovar o poder da sugestionabilidade. Em 2010, um grupo de indivíduos deveria contar suas lembranças relacionadas a quatro imagens específicas – detalhe: uma das imagens não tinha relação com qualquer possível evento real.

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Ao final do teste, os voluntários deveriam dizer do que lembravam com relação aos tais eventos. O resultado? As pessoas demoraram menos para lembrar os acontecimentos verdadeiros, mas, depois de um tempo, estavam certas de que se recordavam do falso evento também. O estudo sugeriu, ainda, que as pessoas tendem a criar memórias falsas com mais frequência quando o assunto é política – cof, cof.

5 – Exposição repetida

Mais um item que tem forte relação com o anterior – e com o anterior ao anterior também! Aqui a questão tem a ver com a sugestionabilidade novamente, de modo que, quando estamos expostos a algum tipo de informação em repetição, tendemos a criar falsas lembranças.

A noção de “exposição repetida” tem muito a ver com a máxima de que “uma mentira repetida mil vezes torna-se verdade”. Se alguém começa a fazer perguntas para você, é bem capaz que você “se lembre” de uma história que nem mesmo aconteceu.

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Um estudo realizado pela Kent State University expôs os voluntários a um vídeo de um assalto. Depois, eles responderam a algumas perguntas manipuladas, com sugestões equivocadas sobre o tema. Algumas dessas perguntas eram frequentemente repetidas.

Na sequência, os voluntários tiveram que dizer como tinham acesso a determinadas informações sobre o roubo. A maioria dos participantes afirmou que teve acesso a essas informações por meio do vídeo, mesmo quando não era isso que acontecia.

6 – Dèjà Vu

A sensação de dèjá vu é estranha e complexa: de repente, a pessoa sente como se estivesse vivendo uma experiência pela segunda vez, mesmo quando é óbvio que isso não é possível – como quando a pessoa visita uma cidade pela primeira vez e tem a sensação de que já esteve em um mesmo ponto turístico anteriormente.

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Esse fenômeno é produzido por nossa mente, que adora se lembrar de objetos, mas não das configurações ou da localização deles. Quer um exemplo da diferença entre memória e dèjà vu? Você percebe que seu amigo está usando uma jaqueta azul parecida com uma jaqueta do seu irmão, certo? O fato de que a roupa do seu amigo fez você pensar na roupa do seu irmão tem a ver com memória.

Agora, se você precisar descrever a ordem de organização dos remédios na prateleira de uma determinada farmácia, a tarefa vai ficar mais difícil. No entanto, se depois de pensar nas prateleiras você precisa ir até uma farmácia e acaba prestando atenção na disposição de remédios, é bem possível que você tenha essa sensação de familiaridade, de dèjà vu, de que já vivenciou aquilo antes.

7 – Filtros

Imagine que duas pessoas presenciam o mesmo acidente de trânsito, provocado por dois carros. Nos relatos à polícia, é bem possível que ambas as testemunhas prestem depoimentos diferentes, sabia? Enquanto uma das pessoas pode afirmar com certeza que o carro vermelho capotou cinco vezes depois de bater contra o carro azul, a outra testemunha pode enfocar no fato de que o motorista do carro vermelho estava usando o celular segundos antes do acidente.

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Essas diferenças de testemunhos acontecem porque cada uma dessas pessoas tem uma carga de experiências emocionais distintas. De repente, a testemunha que falou do celular pode ter vivido uma experiência negativa por causa desse tipo de imprudência; já a outra testemunha, como não vê problemas na mistura entre direção e WhatsApp (pois é, tem gente que não se tocou do óbvio ainda), ficou focada no choque entre os veículos e no acidente em si.

O fato é que cada indivíduo tem suas próprias narrativas pessoais que, por sua vez, se formam a partir de suas experiências, suas crenças e seus valores – a soma desses fatores acaba moldando a maneira como formamos nossas memórias.

Esse tipo de filtragem acaba às vezes sendo responsável por inconsistências em depoimentos de testemunhas sobre crimes e acidentes e, claro, por fazer com que as pessoas tenham noções equivocadas a respeito do que se lembram. De qualquer forma, é curioso reparar como nossas experiências pessoais interferem na construção das memórias que temos.

(via Mega Curioso)

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