A cidade conservadora do Peru que cogitou mudar sua bandeira por semelhança com símbolo LGBTT

Por Vinícius Lemos

As bandeiras do arco-íris espalhadas por diversas partes da cidade de Cusco, no Peru, costumam atrair a atenção dos turistas que visitam a antiga capital do Império Inca. Para muitos, elas passam a imagem de uma região liberal, pois remetem ao movimento gay. No entanto, o símbolo nada tem a ver com um possível apoio à comunidade LGBTT.

A bandeira atual de Cusco é baseada na tradição dos Incas – mas não há nenhuma evidência de que eles realmente utilizassem o símbolo
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A história da bandeira de Cusco teve início na década de 1940, relata o historiador peruano Luis Lumbreras. Na época, Hugo Flores, responsável por organizar diversos eventos tradicionais na cidade, apresentou o símbolo com sete faixas, cada uma representando uma cor do arco-íris. “Ele afirmou que existia uma bandeira do mesmo jeito durante o período Tahuantinsuyo [modo como era denominado o império Inca]“, diz à BBC News Brasil.

Conforme estudos arqueológicos e históricos, o arco-íris era considerado uma das principais divindades dos Incas, civilização andina que tinha Cusco como sua capital e teve seu império extinto em 1532.

Segundo conta Lumbreras, Flores argumentou que utilizar as cores do arco-íris seria uma forma de homenagear os Incas, que teriam uma bandeira semelhante. Porém, nunca foi comprovado que a civilização andina realmente utilizava o estandarte. “O senhor Hugo Flores morreu e nunca houve nenhuma prova sobre isso. Ele, tampouco, se preocupou em fazer tal comprovação”, comenta Lumbreras.

Pelo fato de Flores ser considerado uma figura relevante para Cusco, a bandeira apresentada por ele passou a ser utilizada por moradores da cidade em comemorações e outros eventos da região. Mesmo depois que ele morreu, o símbolo foi mantido.

Visitantes se surpreendem ao encontrar a bandeira da cidade sobre igrejas locais
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A bandeira possui as mesmas sete cores do arco-íris: vermelho, laranja, amarelo, verde, azul, anil e violeta. Em 1978, o governo de Cusco adotou oficialmente o símbolo.

Desde a sua oficialização, a bandeira tornou-se alvo de polêmicas na cidade. Pouco depois, muitos moradores passaram a defender uma mudança, em razão das constantes comparações com a comunidade LGBTT. Há também aqueles que criticam o fato de que nunca foi comprovado que o estandarte era utilizado pelos Incas.

Comparação com bandeira gay

No mesmo ano em que o arco-íris foi oficializado na bandeira de Cusco, ele também se tornou símbolo do movimento LGBTT. Os historiadores da região ressaltam que o fato é apenas uma coincidência. “Não existe nenhuma relação entre essas bandeiras, até porque a de Cusco era utilizada muito antes”, afirma Lumbreras.

O responsável por idealizar o estandarte gay foi o artista norte-americano Gilbert Baker, que morreu no ano passado. Ele criou a bandeira para o Dia de Liberdade Gay de San Francisco, na Califórnia. Baker costumava explicar que utilizou o arco-íris pois acreditava que o símbolo transmite a ideia de diversidade e inclusão.

“Ela (a bandeira) é uma forma de mostrar, por meio das diversas cores, que podemos ser diferentes e conviver no mesmo espaço”, diz o presidente da Aliança Nacional LGBTI, Toni Reis. Segundo Reis, a bandeira do arco-íris é hoje o maior símbolo do movimento. “Ela dá visibilidade para a nossa comunidade, porque é utilizada em todo o mundo”, diz.

A bandeira LGBTT atual tem seis cores – e não oito como a de Cusco. Na foto, manifestantes com a flâmula na Parada LGBTT de Brasília de 2018
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Apesar de ter o arco-íris como base, a bandeira LGBTT foi criada com oito cores, cada uma delas com um significado diferente: rosa (sexualidade), vermelho (vida), laranja (cura), amarelo (luz do sol), verde (natureza), turquesa (mágica e arte), anil (harmonia e serenidade) e violeta (espírito humano).

Anos depois da criação, a bandeira LGBTT foi reduzida a seis cores, desta vez sem o rosa e o anil. Posteriormente, o azul também foi retirado e substituído pelo turquesa. “Essa mudança foi uma forma de otimização para a confecção das bandeiras, porque na época era mais fácil encontrar tecidos nas seis cores atuais”, afirma Reis.

Confusão entre turistas

A diferença na quantidade de cores das bandeiras – sete na bandeira de Cusco e seis na LGBTT – pouco adianta para evitar comparações. O venezuelano Víctor Alfonso Hernández, que trabalha há sete meses como guia turístico em Cusco, relata que é comum haver perguntas sobre o símbolo da cidade. “Os turistas dizem que a bandeira é muito bonita e perguntam se tem alguma relação com o movimento LGBTT. Quando eu digo que não tem nada a ver, eles acham engraçado, porque é muito semelhante”, relata.

O próprio guia conta que também pensou tratar-se da bandeira LGBTT quando chegou à cidade peruana. “No meu primeiro dia em Cusco, fui à praça da cidade para ver o desfile das Forças Armadas, que acontece todos os domingos. Quando vi os militares com uma bandeira gigante de Cusco, pensei: eles são muito liberais por aqui. Mas depois entendi que se tratava do símbolo da região.”

Em recente visita a Cusco, a cineasta Chia Beloto também se confundiu ao ver o símbolo da cidade. “Logo que cheguei, reparei a bandeira, porque ela estava em todos os lados. Eu pensei: ‘esta cidade é muito gay friendly (amistosa com o público gay)’. Um dia, sentei no terraço, vi a bandeira em cima de uma igreja e concluí que realmente não poderia ser algo relacionado ao movimento LGBTT. Pesquisei no Google e descobri que não tem nada a ver”, conta.

Apesar da bandeira, a população de Cusco é bastante conservadora e algumas pessoas reclamam da confusão
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A designer Ellen Eres relata que sabia que não se tratava de uma bandeira LGBTT, porém chegou a comentar com um guarda da cidade sobre a semelhança entre os símbolos. “Ele enfatizou que não tinha nenhuma relação entre as bandeiras e disse que achava feio relacionarem a simbologia Inca ao movimento LGBTT, porque considera a homossexualidade como algo errado”, diz.

Mudança de bandeira

As comparações com a bandeira LGBTT fizeram com que o governo de Cusco cogitasse mudar o símbolo do arco-íris, após constantes reclamações de moradores da cidade. “Existe uma forte tradição indígena em Cusco, em razão dos Incas, por isso a região é muito conservadora. Eles tentam preservar a cultura dos antepassados”, justifica Lumbreras.

Uma consulta foi realizada pelo governo de Cusco, por meio da internet, há 10 anos. Os representantes da região perguntaram aos moradores se eles queriam que a bandeira do local fosse alterada. Caso a maioria fosse favorável, seria realizado um concurso para definir o novo símbolo.

Lumbreras conta que a maioria dos moradores, no entanto, optou por manter o símbolo. “Essa ideia de mudança não prosperou.”

(via BBC)

Bauhaus 100 anos – Uma viagem pela escola de arquitetura que influenciou o mundo

Por Juliana Contaifer

Há 99 anos, em Weimar, na Alemanha, abriam-se as portas de uma das escolas de design e arquitetura mais importantes da história. A Bauhaus, em seus curtos 14 anos de existência, mudou paradigmas e espalhou seus ideais modernistas de funcionalidade e beleza descomplicada por todo o mundo. Influência que reverbera até hoje.

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Em 2019, a Alemanha se organiza para comemorar os 100 anos da escola. O país europeu contará com uma série de festivais, exposições e até a inauguração de um novo museu como parte das celebrações. As três principais cidades da Bauhaus – Weimar, Dessau e Berlim – concentrarão a maior parte das festividades, porém o centenário é uma boa oportunidade de se conhecer as construções da nação germânica tombadas como patrimônio da humanidade pela Unesco.

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Criada por Walter Gropius em abril de 1919, a Bauhaus propunha uma postura iconoclasta disposta a subverter os preceitos dos movimentos artísticos mais influentes do pós-guerra. Arrasada pelas sangrentas batalhas que deixaram 10 milhões de soldados mortos, a Europa vivia um período de escassez e austeridade – um contraste gritante com a art déco, estilo cheio de ornamentos excessivos, em alta na época. Os enfeites eram considerados um desperdício pela nova escola, defensora da economia de meios e materiais.

“Queria-se que o design fosse mais acessível à população: era uma estética ligada à funcionalidade, mas a estrutura também deveria ser bela. Muitas vezes, o ornamento mascara defeitos de projeto e composição”, explica a arquiteta e professora Carolina Borges, da Universidade Católica de Brasília (UCB). Entre os produtos, o objetivo era elevar o trivial (chaleiras, cinzeiros, luminárias) ao nível de arte, trazendo beleza ao dia a dia. Um ponto importante: os projetos deviam ser sempre reproduzíveis.

As mudanças também ocorreram no nível pedagógico. A Bauhaus oferecia uma estrutura de ensino diferente de qualquer escola de arte, design e arquitetura no mundo. O estudante precisava passar por um curso preparatório inicial, não importando qual fosse a especialidade escolhida.

Nessa espécie de batismo, o aluno aprendia sobre proporção, escala, ritmo, luz, sombra e cor, além de experimentar diversos materiais e instrumentos. A metodologia pretendia, segundo Gropius explica no livro Bauhaus: Novarquitetura, “desdobrar e amadurecer a inteligência, o sentimento e a fantasia, desenvolver o ‘homem inteiro’, que, a partir de seu centro biológico, pudesse encarar todas as coisas da vida com segurança instintiva e estar à altura do ímpeto e do caos da nossa ‘Era Técnica’”.

Depois dos primeiros seis meses, o aprendiz seguia para uma oficina de sua própria escolha. Lá, absorvia o conhecimento de profissionais de artesanato e design ao mesmo tempo, sempre em busca de um olhar fantasioso e solucionador de problemas. Os objetos feitos nessa etapa deviam ser factíveis em escala industrial, seguindo o princípio Bauhaus de levar arte a todas as pessoas.

“Oponho-me à ideia errônea de que a capacidade artística dos estudantes possa, de algum modo, sofrer se lhes aguçarmos o senso de economia, tempo, dinheiro e gasto de materiais”, escreve Gropius.

Depois de três anos na escola, o estudante prestava um exame perante os mestres da Bauhaus para conseguir seu diploma. Concluída essa etapa, a próxima fase consistia em aprender sobre construção: os alunos deviam fazer estágios em canteiros de obras, conhecer novos materiais, fazer cursos de desenho técnico e engenharia. Ao fim, alcançavam o título de mestre da Bauhaus.

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“O fim último de toda a atividade plástica é a construção. Adorná-la era, outrora, a tarefa mais nobre das artes plásticas, componentes inseparáveis da magna arquitetura. Hoje, elas se encontram numa situação de autossuficiência singular, da qual só se libertarão através da consciente atuação conjunta e coordenada de todos os profissionais. Arquitetos, pintores e escultores devem novamente chegar a conhecer e compreender a estrutura multiforme da construção em seu todo e em suas partes; só então suas obras estarão outra vez plenas do espírito arquitetônico que se perdeu na arte de salão.

As antigas escolas de arte foram incapazes de criar essa unidade, e como poderiam, visto ser a arte coisa que não se ensina? Elas devem voltar a ser oficinas. Esse mundo de desenhistas e artistas deve, por fim, tornar a orientar-se para a construção. Quando o jovem que sente amor pela atividade plástica começar como antigamente, pela aprendizagem de um ofício, o ‘artista’ improdutivo não ficará condenado futuramente ao incompleto exercício da arte, uma vez que sua habilidade fica conservada para a atividade artesanal, onde pode prestar excelentes serviços.

Arquitetos, escultores, pintores, todos devemos retornar ao artesanato, pois não existe ‘arte por profissão’. Não há nenhuma diferença essencial entre artista e artesão, o artista é uma elevação do artesão, a graça divina, em raros momentos de luz que estão além de sua vontade, faz florescer inconscientemente obras de arte, entretanto, a base do ‘saber fazer’ é indispensável para todo artista. Aí se encontra a fonte de criação artística.

Formemos, portanto, uma nova corporação de artesãos, sem a arrogância exclusivista que criava um muro de orgulho entre artesãos e artistas. Desejemos, inventemos, criemos juntos a nova construção do futuro, que enfeixará tudo numa única forma: arquitetura, escultura e pintura que, feita por milhões de mãos de artesãos, se alçará um dia aos céus, como símbolo cristalino de uma nova fé vindoura.”

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Weimar, abril de 1919

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Em 1925, por causa de diferenças políticas com o governo de Weimar, a escola se mudou para Dessau, onde viveu seu auge. A Bauhaus passou a ser perseguida pelos nazistas sete anos depois, acusada de espalhar ideais esquerdistas. Para fugir, o então diretor, Mies van der Rohe, a instalou em Berlim. A experiência durou cerca de um ano. O regime nazista fechou de vez as portas da Bauhaus, em 1933, forçando muitos professores e alunos a fugir da Alemanha.

Essa diáspora artística fez o movimento ganhar o planeta. Hoje, há exemplos de construções no estilo Bauhaus espalhadas pelo mundo inteiro, e o método de ensino desenvolvido pelos mestres da escola tornou-se famoso – apesar de nunca ter sido fielmente reproduzido.

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“Durante os poucos anos de sua existência, a Bauhaus abraçou toda a gama de artes visuais: arquitetura, planejamento, pintura, escultura, design industrial e trabalho de palco. O objetivo era encontrar uma inédita e poderosa correlação de trabalho entre todos os processos de criação artística para culminar, finalmente, em um novo equilíbrio cultural de nosso ambiente visual. […] Uma das máximas fundamentais da escola pregava a exigência de que a abordagem do professor nunca fosse imposta ao aluno; ao contrário, qualquer tentativa de imitação por parte do estudante seria reprimida impiedosamente. A estimulação recebida do mestre servia apenas como uma ajuda na busca de seus próprios rolamentos”, escreve Walter Gropius, na introdução do livro The Theater of the Bauhaus, de 1924.

Frederico Flósculo, professor de arquitetura e urbanismo da Universidade de Brasília (UnB), explica que a Bauhaus foi a primeira escola de arquitetura realmente moderna de toda a história, pois incorporou radicalmente as premissas da tecnologia de uma indústria (ainda na etapa mecânica) e promoveu uma impressionante associação entre todas as artes.

“Eles ensinavam a construir, mas também a dançar, costurar, pintar, soldar, esculpir. Todas as artes eram questionadas com relação ao novo século industrial que começava. Desenvolveram um modelo de ensino altamente experimental, voltado ao uso humanista das tecnologias. Inspirador”, enfatiza.

Para Flósculo, basicamente todas as escolas de arquitetura do mundo tentaram imitar o currículo da Bauhaus, inclusive a Escola de Belas Artes do Rio de Janeiro (sob a tutela de um jovem Lucio Costa) e a própria UnB – projeto abortado pelo golpe militar de 1964. “Mas a intervenção do Exército e uma série de acontecimentos nos anos 1970 e 1980 contribuíram para o desmantelamento da universidade, e esse modelo se perdeu completamente”, lamenta.

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Bauhaus_Titulos_2Por toda a Alemanha, berço da emblemática escola, há construções erguidas durante a época de atuação da Bauhaus e outros edifícios inspirados nos preceitos trazidos pelo movimento. As três cidades que abrigaram a instituição – Weimar, Dessau e Berlim – têm o acervo arquitetônico mais relevante para quem pretende conhecer in loco a história da Bauhaus. De carro, é possível fazer a viagem e passar pelos locais em cerca de três horas.

weimarA cidade, tombada pela Unesco como patrimônio da humanidade, tem cerca de 65 mil habitantes e abrigou nomes como os poetas Goethe e Schiller. Além disso, serviu de palco para a proclamação da República de Weimar (ao final da Primeira Guerra, a Alemanha deixou de ser império, com a abdicação do kaiser Guilherme II) e, claro, destaca-se também por ter acolhido a primeira fase da escola Bauhaus.

Weimar teve papel importante como centro cultural em dois períodos muito distintos da história alemã: no final do século 18, com os romancistas clássicos, e no começo do século 20, com a implementação da Bauhaus. Na cidade, o turista pode conhecer um pouco dos dois mundos e ir da Biblioteca Herzogin Anna Amalia ao Museu Bauhaus, que conta com cerca de 300 objetos expostos.

Outros pontos turísticos essenciais para quem deseja conhecer os primórdios do movimento artístico são o prédio da Universidade Bauhaus – renomeada em 1996 e reaberta após várias reformulações –, as casas Haus Am Horn, Haus Hohe Pappeln (ambas individualmente tombadas pela Unesco) e a Haus Neufert.

Dessau-Roßlau (1)Ao fechar as portas em Weimar, a Bauhaus seguiu rumo à industrial Dessau. Em 1925, a pequena cidade viveu seu apogeu: vários artistas e professores famosos se mudaram para dar aulas na recém-chegada escola. Durante a Segunda Guerra, a localidade foi quase toda destruída por ataques aéreos. As construções ganharam restaurações nos anos seguintes.

As casas criadas por Gropius para abrigar os professores são um ponto turístico importante da cidade, além do clássico prédio Bauhaus – onde, atualmente, funciona um museu com 26 mil peças no acervo. A Fundação Bauhaus Dessau recebe artistas internacionais em intercâmbios culturais e de trabalho na casa de Oskar Schlemmer, um dos pintores mais importantes do movimento. As residências de Gropius e Moholy-Nagy, destruídas durante a guerra, foram reconstruídas em 2014.

Outra experiência interessante é se hospedar no Prellerhaus, o prédio que abrigava os dormitórios dos alunos (apenas um quarto é mobiliado com objetos originais da época).

BerlimA cidade conta ainda com diversos edifícios idealizados pelos professores da Bauhaus. Além das casas dos professores, Walter Gropius é responsável pelo interessante Dassau-Törten Housing Estate (uma experiência de 314 casas populares) e pelo prédio Konsum. Há também construções feitas por Hannes Meyer, Carl Fieger, Friedrich Karl Engemann e Mies van der Rohe.

A capital alemã respira arquitetura e, entre as principais edificações, há algumas inspiradas pela Bauhaus. Apesar de a escola ter se instalado em Berlim por pouco tempo – antes do fechamento definitivo –, a cidade continua sendo um marco importante do movimento. O museu mais importante da Bauhaus, que abriga a maior coleção do mundo ligada a ela e conta com alguns objetos originais da época, encontra-se em Berlim – mas está fechado. O Bauhaus-Archiv deve receber, em 2021, um adendo à sua estrutura como parte das comemorações do centenário.

Pela cidade é fácil encontrar outros exemplos da arquitetura Bauhaus e modernista: em Kantstraße, o edifício Garagenpalast; a Haus Lemke, última casa projetada por Mies van der Rohe antes de se mudar para os Estados Unidos; e os assentamentos Siemensstadt e Hufeisensiedlung, criados por vários arquitetos para abrigar a crescente população de Berlim.

Bauhaus_Titulos_3brasilia“Brasília é neta da Bauhaus”, atesta o professor Flósculo. O próprio modelo de urbanismo idealizado por Lucio Costa é, em grande parte, inspirado pela escola. O movimento alemão pregava algo parecido com as quadras residenciais da capital brasileira, espaços de mais ou menos 1 quilômetro que oferecessem local de trabalho, recreação e residência, além de comércio (até as unidades de vizinhança são citadas por Gropius em Bauhaus: Novarquitetura).

“Brasília é a cidade dos pré-fabricados, das construções altamente racionalizadas, do compasso e da régua, da geometria. É patrimônio da humanidade porque, na época, conseguiu sintetizar o que havia de melhor no planeta em termos de tecnologia e arte”, explica o professor.

E, apesar de não ser um fã declarado da Bauhaus, muitas das construções de Oscar Niemeyer são inspiradas nos preceitos da escola alemã. Os prédios idênticos da Esplanada dos Ministérios, com suas janelas em fita, ângulos simples e sem ornamentos, são um exemplo clássico da arquitetura reprodutível pregada pelo movimento. Os edifícios residenciais também – tanto que é fácil encontrar edificações semelhantes reproduzidas em diferentes quadras da cidade.

Rafaela Felicciano/Metrópoles Brasília _ seca Brasília (DF), /00/2017 - - Foto: Giovanna Bembom/Metrópoles Brasília (DF), /00/2017 - - Foto: Giovanna Bembom/Metrópoles

tel-avivDesde 2003, a chamada Cidade Branca de Tel Aviv, em Israel, é tombada pela Unesco como patrimônio mundial da humanidade. A região tem o maior conjunto de edifícios que seguem o estilo Bauhaus – são mais de 4 mil construções, das quais 1,5 mil com proteção pelo tombamento. Durante o regime nazista, muitos arquitetos judeus deixaram a Alemanha e se instalaram na cidade. Dentro da bagagem, levaram as características principais da escola.

As edificações arejadas, sem ornamentos, erguidas sobre pilotis e, muitas vezes, brancas, funcionaram muito bem no clima mediterrâneo da cidade israelense. Tentando se adaptar ao calor, foi criada uma espécie de Bauhaus de Tel Aviv: os telhados se tornaram terraços coletivos e alguns imigrantes conseguiram trazer azulejos para enfeitar suas novas residências. Os conjuntos de prédios também oferecem uma variedade de serviços aos moradores (assim como Brasília e as comerciais entre superquadras).

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Apesar de fazerem parte do tombamento da Unesco, os prédios Bauhaus de Tel Aviv sofrem com a falta de manutenção e o descaso em relação à preservação do conjunto arquitetônico. Para reverter a degradação, em 2015, o governo alemão decidiu fazer uma doação de 2,8 milhões de euros com intuito de cuidar da região.

chicagoDois dos principais nomes da Bauhaus na Alemanha acabaram se instalando em Chicago ao fugir do nazismo. Mies van der Rohe se mudou para lá no final dos anos 1930 e assumiu a diretoria da escola de arquitetura do Instituto de Tecnologia de Illinois (ITT). Nesse período, desenhou o campus do ITT e alguns dos prédios mais icônicos da cidade, como o Chicago Federal Plaza, a Casa Farnsworth e os edifícios de apartamentos Promontory, Lake Shore e Esplanade.

Indicado por Walter Gropius, László Moholy-Nagy chegou a Chicago em 1937 para chefiar uma nova escola de design e arquitetura idealizada pela Associação de Artes e Indústrias da cidade. O colégio foi chamado de Nova Bauhaus e pretendia reviver a mítica escola alemã com um toque de modernidade. No ano seguinte, o empreendimento mudou de nome e funciona até hoje como o Institute of Design do ITT.

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Bauhaus_Titulos_4“A Bauhaus foi expulsa pelos nazistas, que conquistaram suas vitórias eleitorais com sua oposição. Ela era, para eles, um expoente da ‘arte degenerada’, a ‘chocadeira do bolchevismo cultural’. Entrementes, transcorreu um meio século, e a arte, condenada naquela época, comprovou uma força assimilatória tão forte como a tiveram outrora os estilos históricos. Ela conquistou o mundo, e mesmo ditaduras orientais não conseguiram escapar por muito tempo à sua influência. A humanidade cresceu no modernismo. Hoje, não se compreende como se podia ver uma demonstração política revolucionária nesta objetividade”, escreve o historiador de arte alemão Ludwig Grote no livro Bauhaus, Obra Condensada do Catálogo Publicado na Exposição 50 Jahre Bauhaus (1968).

Tão limitada foi também sua existência, hoje ela vale como acontecimento singular, épico, histórico-cultural, envolvido por uma aura lendária”
Ludwig Grote

A professora Carolina Borges conta que a arquitetura feita atualmente tende ao minimalismo, sem muitos ornamentos no sentido de elemento decorativo. “Daqui a 300 anos, vamos precisar dar um nome para este movimento que vivemos, no qual tudo se torna referência”, propõe.

Para Flósculo, a Bauhaus é sempre relevante. “Essa união entre tecnologia e arte é uma temática que vai ser trabalhada durante séculos. Vivemos uma espécie de Idade Média da arquitetura, mas o ideal da Bauhaus continua vivo e acredito que, cedo ou tarde, teremos um novo impulso de beleza e inspiração”.

(via Metrópolis)

Diretora-executiva
Lilian Tahan

Editora-executiva
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Editora-chefe
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Coordenação
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Edição
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Reportagem
Juliana Contaifer

Revisão
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Edição de arte
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Tecnologia
Allan Rabelo e Saulo Marques

Keith Haring e as areias da Bahia

Por Carlos Albuquerque 

Documentário sobre a restauração de um mural feito numa praia da Bahia, nos anos 1980, revela um lado pouco conhecido do artista americano

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Keith Haring já foi à Bahia. E curtiu. Numa série de viagens, realizadas entre 1984 e 1986, o artista americano fez da pequena cidade de Serra Grande, próxima a Ilhéus, uma espécie de refúgio para sua agitada vida em Nova York, onde criou história a partir de uma série de desenhos no metrô, no começo daquela década. Mesmo isolado do seu universo urbano, sem telefone e praticamente sem luz, o inquieto Haring — morto por complicações decorrentes da Aids, em 1990, aos 31 anos — encontrou ali inspiração para seguir pintando e grafitando, de maneira informal e descontraída, o que via pela frente, de paredes em bares a colunas em casas de pescadores.

Quase trinta anos depois de sua primeira visita ao local, a maior parte dos seus desenhos se foi, apagada pelo tempo ou por moradores desavisados. Alguns poucos, porém, resistiram; o principal deles um mural, pintado no chão de uma cabana, em frente ao mar, no terreno pertencente a um amigo de Haring, o artista plástico Kenny Scharf. A restauração desse trabalho — uma das 50 obras públicas de Haring espalhadas pelo mundo —, realizada no ano passado, a partir de três pequenos traços que suportaram a ação da maresia e do vento, além do acúmulo de areia, virou o elemento central do filme “Restless: Keith Haring in Brazil”.

Dirigido por Guto Barra e Gisela Matta, o documentário — feito em parceria com a Keith Haring Foundation e previsto para ter sua estreia no próximo Festival do Rio, em setembro — mostra esse processo e aproveita para contar mais dessa pouco conhecida relação entre a incensada estrela da pop art — que trabalhou com Madonna, Grace Jones, Yoko Ono, Bill T. Jones, William Burroughs e Andy Warhol, entre outros — e o Brasil, lugar que visitou pela primeira vez em 1983, para a Bienal Internacional de Arte de São Paulo.

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— Serra Grande era um universo completamente diferente daquele que vivíamos em Nova York nos anos 1980, e o local, sem dúvida, teve um forte impacto em Keith — conta Scharf, que comprou um terreno na cidade em 1983, logo após ter se casado com Tereza, moradora de Ilhéus. — Quando tive minha primeira filha, Zena, em 1984, Keith veio nos visitar, junto com alguns amigos de Nova York. E voltou diversas outras vezes, encantado com a beleza da região. Ele vivia de sunga e sandálias o dia inteiro. E tinha contato com as crianças, os pescadores e os capoeiristas, que depois acabou, inclusive, reproduzindo em seus desenhos. Acho que sua obra ficou ainda mais colorida depois da relação com todo aquele ambiente.

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Foi o projeto do filme, nascido a partir de uma conversa entre Barra (que dirigiu “Beyond Ipanema”, documentário sobre o impacto da música brasileira no exterior) e Julia Gruen, diretora da Keith Haring Foundation, que deu impulso para que a restauração do mural acontecesse.

— Era o final de 2011. Ficamos conversando sobre o Brasil, com ela me contando da paixão de Haring pelo país — conta o diretor, que é radicado em Nova York, assim como Gisela. — Ela me falou, então, desses trabalhos dele, esquecidos em Serra Grande, em particular esse mural na casa do Kenny Scharf. Sugeri, então, fazermos um filme documentando a restauração desse trabalho.

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Quando chegou ao local, alguns meses depois, acompanhada por Scharf e pelo restaurador Alex Neroulas, a equipe verificou que o trabalho seria mais complexo do que o imaginado. Os desenhos de Haring estavam praticamente invisíveis e o chão da cabana quase todo cinza, cor do cimento usado no piso original. Foi preciso que Scharf usasse uma foto em polaroide, feita pelo próprio artista e cedida pela Keith Haring Foundation, para que o trabalho fosse feito.

— Foi como montar um quebra-cabeças — lembra Scharf. — Precisei olhar várias vezes para a foto para saber o ângulo certo das imagens e seu encaixe. Mas depois que começamos a refazer os primeiros traços, tudo correu bem. Em dez dias, completamos tudo.

O filme mostra um pouco desse trabalho e, principalmente, o deslumbrante resultado final, com os famosos bonecos de Haring formando um “abraçaço” em torno de figuras de golfinhos, nas cores azul e branca.

— Os trabalhos públicos de Keith normalmente são restaurados por museus, em parceria com a fundação mas esse mural de Serra Grande foi feito numa propriedade particular. É algo de imenso valor pessoal para Kenny, Tereza e sua família — explica Julia. — Sua restauração foi, acima de tudo, um ato de amor, feito por pessoas que conheciam Keith na intimidade.

“Restless” revela também a restauração de outra imagem, de uma espécie de “homens-golfinho”, feita em uma parede da casa do casal.

— Essa foi bem mais difícil, já que o meu cunhado tinha simplesmente pintado toda a parede por cima enquanto eu estava fora — diz Scharf, que hoje mora entre Los Angeles e Nova York e visita a propriedade apenas uma ou duas vezes por ano. — Queria matá-lo quando descobri. Felizmente, conseguimos encontrar as imagens intactas por baixo da tinta.

Esses momentos de redenção artística são entremeados no filme por depoimentos de outros amigos de Haring e Sharf, como o brasileiro Bruno Schmidt. A voz do artista — que teve sua obra revista no Brasil em 2010, com a exposição “Selected works”, que passou por Rio e São Paulo — surge em off, em breves reflexões sobre o seu trabalho (outra cortesia da KHF), enquanto a câmera passeia pela cidade e, ao fundo, rolam músicas do grupo (brasileiro) Stop Play Moon.

— Umas das coisas mais emocionantes que sentimos fazendo o filme foi encontrar várias pessoas na praia e nas ruas da cidade ainda usando camisas dadas pelo Keith Haring, com aqueles desenhos típicos dele — conta Barra. — A maior parte delas, claro, estava rasgada, com furos, bem desgastadas pelo tempo, mas servem, até hoje, como lembranças da passagem dele por Serra Grande.

(via O Globo)

Já conhece os “algoritmos” da Natureza

Por Shifter

São padrões geométricos desenhados pela Natureza numa vedação humana. Uma pequena distração sobre inteligência artificial.

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Ao longo da última década ouvimos falar cada vez mais de conceitos estranhos como algoritmos e, ultimamente, inteligência artificial. Sem um conhecimento profundo da sua composição ou sobre a forma como funcionam, somos incapazes de os imaginar fisicamente e como seriam se tivessem uma representação gráfica. Essa representação enquadra-se geralmente no campo da matemática avançada e muitas vezes em forma daquilo a que chamamos fractais.

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No limbo entre a arte e a razão, os fractais são representações gráficas de fórmulas matemáticas capazes de gerar padrões infinitamente geométricos desde um ponto de partida, seguindo lógicas exclusivamente numéricas. Se isso parece algo impressionante, mais impressionante ainda é perceber como essa tendência de construção generativa se verifica na natureza, sem controlo nem razão.

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É como a Natureza: também funciona independentemente da nossa compreensão. E é capaz de nos surpreender. Um fotógrafo amador de Minnesota, nos EUA, assina como Pudgy Viking no Twitter e o seu feed é maioritariamente composto por imagens que vai capturando regulamente do mundo natural que o rodeia. Um conjunto dessas fotos, partilhadas este mês, mostra padrões geométricos numa vedação verde – uma intervenção da Natureza em objectos feitos pelo Homem.

A formação destas formas circulares na superfície da vedação parece ter sido criada pela vegetação próxima. As fotografias de Pudgy Viking transmitem uma comparação interessante entre o ambiente natural e a interferência humana. Uma espécie de algoritmos da Natureza.

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(via Shifter)

Desde 1915, pessoas vivem dentro desse buraco, mas precisa ver como é esse lugar por dentro!

Por Gooru

Coober Pedy é uma pequena cidade no norte da Austrália do Sul. O lugar parece bem deserto. Uma planície sem árvores, com algumas casas afastadas umas das outras, uma delegacia policial e um pequeno hospital.

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Mas isso é apenas metade da cidade. A outra metade está localizada no subsolo em cavernas e túneis chamados de “abrigos”, onde os moradores da cidade construíram casas, hotéis, restaurantes, bares, igrejas e muito mais.

A cidade foi fundada em 1915 após um menino de 14 anos ter encontrado uma pedra opala no local que estava acampando com a equipe de mineração de ouro de seu pai. Em poucos anos, centenas de garimpeiros estavam escavando o território em busca de mais pedras.

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Mas as pessoas que se reuniram na cidade para minerar as pedras logo descobriram que a vida acima do solo era bem difícil. No verão, a temperatura geralmente excede 40 graus Celsius. Nestes dias quentes, a umidade relativa raramente chega a mais de 20%, e os céus permanecem sem nenhuma nuvem. Tornando o ambiente extremamente quente.

Para fugir das temperaturas escaldantes do dia, os moradores começaram a viver no subsolo. As primeiras casas de Coober Pedy foram construídas nos buracos que já haviam sido escavados em busca de opalas.

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Apesar de serem construídas no subsolo, as casas são bastante modernas, incluindo salas de estar, cozinhas, armários, bares e adegas.

Originalmente estabelecida como uma cidade de mineração de opalas, Coober Pedy agora abriga cerca de 2.000 pessoas.

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Hoje, a Coober Pedy é o principal fornecedor de opala de qualidade gem , produzindo a maior parte da opala branca do mundo. A cidade tem mais de 70 campos de opalas e é a maior área de mineração de opala do mundo.

Mas como já vimos anteriormente, a cidade vai muito além disso. Confira só:

Entrada para uma igreja subterrânea.

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Além de claro, vários outros ambientes.
Livraria subterrânea

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Quartos de hotéis

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Joalheria

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Bar para relaxar com os amigos

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Entre outras coisas…

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(via Gooru)

Cinco coisas que a gente entende melhor do que os outros porque viveu em Brasília

Por Fabiana Santos

Convidada: Fabiana Santos tem dois filhos que nasceram em Brasília, é jornalista freelancer em Washington-DC e uma das responsáveis pelo blog Tudo Sobre Minha Mãe.

Este ano eu completo 7 anos fora. Deixei a cidade para viver em outra capital, a dos Estados Unidos. Minhas referências, minha família, meus amigos, gente que eu amo e sinto muita saudade: estão em Brasília. O tamanho da minha saudade é proporcional ao meu orgulho de brasiliense. E assim, divido com vocês o meu olhar ao perceber algumas coisas de longe:

1 – A gente sabe melhor do que ninguém fazer um balão
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Se você aprendeu a dirigir nas ruas de Brasilia como eu, rapidinho entendeu a lógica de um balão. Ou mesmo se você foi parar na cidade já com carteira de motorista, percebeu de tanto precisar dele, o momento exato em que você pode ir ou deve esperar enquanto um outro carro está fazendo o mesmo balão. Afinal eles são muitos: o do Torto, o da Dona Sarah… e os de todas as comerciais, fazendo a ligação entre as quadras.

Eu me dou conta dessa nossa “expertise” toda vez que faço um balão por estas bandas (tem um grande na Connecticut Avenue, na parte nordeste de D.C. e um outro que é meu caminho na Massachussets Avenue). Eu percebo que tem sempre algum motorista vacilante que não consegue captar exatamente a hora segura de entrar no balão. Aí eu fico pensando: se este motorista tivesse vivido em Brasília, saberia o que fazer.

2 – A gente sempre vai dar preferência para o pedestre em qualquer faixa do mundo
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Eu sei que este orgulho até já está meio batido. Mas nunca é demais lembrar. Brasília está a frente de muitas cidades “desenvolvidas” no mundo ao fazer o motorista parar numa faixa de pedestre assim que alguém estende a mão. As leis americanas de trânsito são bem rígidas (basta ver que você leva multa se não parar em todo e qualquer sinal de “stop”). Mesmo assim, acreditem: muitos motoristas em Washington- DC simplesmente não páram o carro para o pedestre passar. Já assisti inúmeras cenas assim. Meu costume imediato é frear o carro para o pedestre atravessar na faixa. E percebo a surpresa da pessoa que sempre atravessa me agradecendo, porque isto justamente não é comum aqui. Tenho uma vontade danada de abrir a janela do carro e avisar: “In my city, the capital of Brazil, everybody respects this law”.

3 – A gente convive com obras arquitetônicas e se sente uma referência
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Conviver diariamente com uma arquitetura tão diferenciada no mundo, faz a gente se sentir num patamar especial. Na escola, você aprende sobre Oscar Niemayer e, na prática, você o enxerga todos os dias: basta passar pela Esplanada. Claro que existem outras cidades onde podemos ver obras dele. Mas é Brasília, sem dúvida, a maior referência do legado arquitetônico de Niemayer. E aí, mesmo não sendo um estudante de arquitetura, a gente acaba entendendo os conceitos, o uso do concreto, as linhas retas e as curvas, a inspiração dele a partir das teorias de Le Corbusier (e até sobre Le

Corbusier você passa a saber!). Assim, sem se dar conta, você fala sobre Niemayer para os outros porque entrou e saiu de sua obra em Brasília várias vezes na vida. Numa viagem a Barcelona, por exemplo, me senti especial. Ao responder que eu era brasileira para um estudante de arte, que conheci na Fundação Joan Miró, a primeira palavra que ele me disse foi: “Oscar Niemayer!”.

4 – A gente conhece bem cigarra e nem se assusta mais com ela
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A primeira vez que vi uma cigarra, ainda criança, é claro que me assustei. Afinal, não é dos insetos mais bonitinhos do planeta. Mas com o tempo a gente vai pegando familiaridade. E apesar dela ter entrado várias vezes no meu apartamento na 308 sul durante a minha infância, me dando susto porque ficava se batendo no vidro da janela para tentar sair, eu me acostumei com ela. Porque quem viveu ou vive em Brasilia sabe que este é um encontro anual entre elas e os moradores. Basta chegar a primavera, em setembro, e elas aparecem com aquele barulhinho (que eu nunca achei bom, mas que hoje me dá uma baita saudade). O barulho das cigarras é produzido na época de acasalamento, exclusivamente pelos machos. Esta é a forma natural que a espécie encontra para atrair as fêmeas. Verdade que eu li outro dia um zum-zum-zum de que a Asa Sul e a Asa Norte já não têm mais o barulho ensurdecedor das cigarras como antigamente. Eu espero que elas não desapareçam. Afinal, as futuras gerações brasilienses também merecem ser “especialistas” em cigarra como a minha geração é.

5 – A gente guarda pra sempre na memória uma paleta das cores do céu
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Vermelho, laranja, amarelo, rosa, turquesa, roxo, azul esverdeado,… todo morador já viu estas e até outras cores no céu de Brasília. E tudo fica ainda mais lindo, parecendo mesmo uma grande aquarela, pelo fato da cidade estar posicionada num planalto. Temos a impressão que o horizonte brasiliense é maior do que qualquer outro. Ok… é claro que eu não conheci o céu de todas as cidades do mundo para comparar, o que posso dizer com certeza é que nenhum outro céu que já vi (e já viajei bastante) me impressionou mais do que o céu da minha cidade.

(via Olhar Brasília)

Site de perguntas e respostas Quora chega ao país com versão em português

Por Lucas Agrela

Criado por ex-chefe de tecnologia do Facebook, Quora chega ao Brasil já com acervo de respostas

site de perguntas e respostas Quora chega ao Brasil nesta terça-feira (5) com suporte para o idioma português brasileiro. Popular nos Estados Unidos, o site, que também tem apps para Android e iPhone, atrai funcionários do Google, médicos e especialistas de diversas áreas do conhecimento. Personalidades como Barack Obama, Jimmy Wales (fundador da Wikipedia) e Sheryl Sandberg (chefe de operações do Facebook) já responderam a perguntas na plataforma online.

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O Quora chega ao país sem ambição de monetização no curto prazo, de acordo com Adam D’Angelo, fundador e CEO da empresa, em entrevista a EXAME. Nos EUA, o negócio é sustentado com exibição de publicidade. O site foi liberado em português em abril deste ano para um pequeno grupo de usuários e, com isso, ele chega agora a todos os brasileiros já com alguns conteúdos disponíveis.

O foco inicial da operação no Brasil é construir uma comunidade de participantes ativos que sejam especialistas. As melhores respostas a perguntas de todo tipo são “recompensadas” com exposição para os demais usuários via resultados de buscas ou newsletters. A própria comunidade vota nas respostas para eleger as melhores.

Logo no primeiro acesso, você é estimulado a escolher uma série de temas de interesse para montar o seu perfil. Ao terminar, você já verá diversas perguntas já respondidas em português. Vale notar que ainda é possível usar o site em inglês, basta alterar o idioma nas configurações da sua conta.

Para que o Quora não se transforme em um ambiente de brincadeiras e perguntas com respostas ofensivas, a empresa americana usa um sistema de machine learning (aprendizagem de máquina) para identificar e remover conteúdos impróprios. No curto prazo, a moderação feita por humanos será realizada na sede, nos EUA, mas há planos de trazer a operação ao Brasil no longo prazo. De olho na expansão internacional, a companhia lançou, no fim de março deste ano, sua versão para a Índia.

D’Angelo fundou o Quora em 2009 para criar um ambiente online para compartilhar conhecimento com as pessoas que precisam dele. Antes, o executivo era chefe de tecnologia do Facebook. Ainda que seja um site de perguntas e respostas, o público que responde a perguntas feitas pelos usuários é diferente, por exemplo, do que interage no Reddit. Baseado em Mountain View, na Califórnia, o Quora tem 200 milhões de visitantes únicos mensalmente e está disponível em inglês, francês, alemão, hindi, japonês, italiano e, agora, português.

(via Exame)

13 ideias minimalistas que provam que não é preciso muito para impressionar

Por Maria Luciana Rincón

1 – Estas latinhas que, além de mostrar a cor da cerveja que está dentro delas, revela quais são elas no sistema Pantone
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2 – Este conjunto “auto-organizável” de facas
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3 – Esta embalagem sensacional de leite
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4 – Este cartão, que traz todas as informações necessárias
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5 – Este relógio maneiro, que fica visível de dia e de noite, mas sem poluir o ambiente
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6 – Esta capa do livro “1984”, de George Orwell
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7 – Este interruptor discreto e funcional
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8 – Este jogo de xadrez diferentão, mas muito legal
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9 – Este relógio de pulso incrível, que só mostra o que precisamos saber
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10 – Esta churrasqueira que, quando não está em uso, ocupa um mínimo de espaço
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11 – Este baralho lindo
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12 – Esta lápide, que diz tudo sem dizer nada
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13 – Esta pia, que não poderia ser mais minimalista
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Você sabia que o Cobogó é Brasileiro

Por Arquiteta

Os “elementos vazados”, mais conhecidos como “cobogós”,  funcionam como componentes arquitetônicos que tem por finalidade proporcionar ventilação e iluminação natural permanente, bem como proteção solar.

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Esses elementos arquitetônicos foram criados na década de 1920, na cidade de Recife/PE, por Amadeu Oliveira Coimbra (português), Ernesto August Boeckmann (alemão) e Antônio de Góis (brasileiro), sócios de uma fábrica de tijolos.

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A inspiração surgiu da arquitetura árabe e indiana, influenciados pelos “muxarabis”, que são elementos construídos em painéis vazados de madeira, utilizados para fechar parcialmente os ambientes internos, permitindo privacidade aos usuários e passagem de luz e ventilação natural. Já os cobogós são blocos vazados de concreto ou cerâmica, aplicados principalmente em fachadas e muros.

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Para quem não sabe, a origem do nome “cobogós” deriva da junção das sílabas iniciais do sobrenome de seus criadores, COimbra, BOeckmann e GÓis (“CO-BO-GÓ”).

Na arquitetura brasileira do período colonial, já existia um elemento arquitetônico semelhante, de origem portuguesa. Este elemento era formado por ripas horizontais e verticais em madeira, aplicados no vão das janelas, conhecido como “Gelosias” ou “Rótula”, também inspirados pelos muxarabis árabes.

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O Edifício Caixa D`Água, em Olinda, construído em 1934, é considerada a primeira edificação com aplicação destes componentes no Brasil.

No período modernista, os arquitetos Lúcio Costa, Affonso Eduardo Reidy e Oscar Niemeyer difundiram o uso dos cobogós na arquitetura brasileira, principalmente em edifícios residenciais.

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O Código de Obras de 1960 da cidade de Brasília contribuiu para essa difusão, pois exigia a utilização de elementos vazados para ocultar os compartimentos menos nobres das edificações. Por isso, metade dos edifícios construídos na referida cidade na década de 60 a 70, possuem cobogós como elementos de vedação.

(via Arquitetapage)

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