Como a Índia deu ao mundo o número zero

Por Mariellen Ward

Em Gwalior, uma cidade congestionada no centro da Índia, um forte do século 8 se levanta com um esplendor medieval em uma planície no coração da cidade. O Forte de Gwalior é um dos maiores da Índia, mas se você olhar entre as torres com cúpulas, pedras esculpidas e afrescos coloridos, vai encontrar um pequeno templo do século 9 encravado em uma rocha.

Tanto a religião budista quanto a hindu usam o conceito do nada como parte de seus ensinamentos
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O Templo Chaturbhuj é como muitos outros templos antigos na Índia – exceto pelo fato de que aqui é o marco zero do zero. Ele é famoso por conter o mais antigo zero como um dígito escrito: está gravado na parede de um templo uma inscrição do século 9 com o número “270″ claramente visível.

A invenção do zero foi um enorme e significativo desenvolvimento matemático e é fundamental para o cálculo, tornando possíveis a física, a engenharia e a tecnologia moderna.

Mas o que há de especial na cultura indiana para dar origem a essa criação tão importante para a Índia – e para o mundo moderno?

O mais antigo exemplo do zero escrito como um dígito pode ser encontrado em um templo dentro do Forte Gwalior, na Índia
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Nada de nada

Eu me lembro de um TEDTalk do renomado mitólogo indiano Devdutt Pattanaik, no qual ele conta a história sobre a visita de Alexandre, o Grande, à Índia. O conquistador aparentemente conheceu alguém a quem chamou de “gimnosofista” – um homem sábio, que estava nu, possivelmente um iogue – sentado em uma pedra olhando para o céu.

Perguntou a ele: “O que você está fazendo?”

“Eu estou vivenciando o nada. O que você está fazendo?”, respondeu o gimnosofista.

“Eu estou conquistando o mundo”, disse Alexandre.

Ambos riram. Cada um achou que o outro era um bobo e que estava desperdiçando sua vida.

Essa história aconteceu muito antes de o zero ser gravado no templo de Gwalior, mas o gimnosofista meditando sobre o nada de fato tem uma conexão com a invenção do dígito. Indianos, diferentemente de pessoas de muitas outras culturas, já eram abertos filosoficamente ao conceito de nada.

Sistemas como a ioga eram desenvolvidos para encorajar a meditação e o esvaziamento da mente, e as religiões budista e hindu abraçam o conceito do nada como parte de seus ensinamentos.

Peter Gobets, secretário da fundação holandesa ZerOrgIndia, também chamada de Projeto Zero, que pesquisa as origens do dígito zero, aponta em um artigo sobre a invenção do zero que “o zero matemático (“shunya” em sânscrito) pode ter surgido da filosofia contemporânea de vazio ou Shunyata (uma doutrina budista sobre esvaziar a mente de impressões e pensamentos)”.

Além disso, a nação tem uma antiga fascinação com a mais sofisticada matemática. Matemáticos indianos antigos eram obcecados com números gigantes, contando aos trilhões, enquanto os gregos antigos pararam em cerca de 10 mil. Eles até tinham tipos diferentes de infinidade.

Há uma crença popular de que o astrônomo e o matemático hindu Aryabhata, nascido em 476, e Brahmagupta, nascido em 598, foram os primeiros a descrever formalmente as casas decimais modernas e apresentar regras governando o uso do símbolo zero.

Apesar de Gwalior ser considerado há tempos o local da primeira ocorrência do zero escrito como um círculo, um antigo pergaminho indiano chamado de manuscrito Bhakshali, que mostra um marcador de espaço como o símbolo de um ponto, foi recentemente datado dos séculos terceiro ou quarto.

Ele é agora considerado a primeira ocorrência documentada do zero.

O zero matemático – ‘shunya’ em sânscrito – pode ter surgido a partir de Shunyata, a doutrina budista de esvaziar a mente
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Marcus du Sautoy, professor de matemática da Universidade de Oxford, é citado no site da universidade dizendo que: “A criação do zero é um número por si só, que evoluiu do marcador de espaço como um símbolo de ponto encontrado no manuscrito Bakhsali, e foi um dos grandes avanços na história da matemática. Nós agora sabemos que no século 3 já existiam matemáticos na Índia plantando a semente da ideia que mais tarde se tornaria tão fundamental para o mundo moderno. As descobertas mostram quão vibrantes foram as matemáticas no subcontinente indiano por séculos”.

Mas igualmente interessantes são as razões pelas quais o zero não foi desenvolvido em outros lugares. Apesar de os maias e os babilônicos (e muitas outras civilizações) também terem um conceito do zero como marcador de espaço, não se sabe se a ideia foi desenvolvida como um número para ser usado na matemática em outros lugares além da Índia.

Uma teoria é a de que algumas culturas tinham uma visão negativa do conceito do nada. Por exemplo, houve um tempo nos primórdios do cristianismo na Europa em que líderes religiosos baniram o uso do zero porque eles achavam que, já que Deus está em tudo, um símbolo que representa o nada deveria ser satânico.

Então talvez exista algo conectado na sabedoria espiritual da Índia que tenha dado origem à meditação e à invenção do zero.

Há outra ideia conectada também, que tem um efeito profundo no mundo moderno.

O conceito zero é essencial para o sitema de números binário, que é base da computação moderna
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O Vale do Silício à indiana

Quem se dirige para fora do Aeroporto Internacional de Kempegowda, em Bengaluru, em direção ao centro da cidade, a cerca de 37km de distância, vê várias placas grandes presas de maneira desordenada ao solo da Índia rural.

Essas placas proclamam os nomes dos novos deuses da Índia moderna, as companhias à frente da revolução digital: Intel, Google, Apple, Oracle, Microsoft, Adobe, Samsung e Amazon. Todas têm escritórios em Bengaluru, assim como as empresas de tecnologia locais Infosys e Wipro.

O aeroporto moderno e os sinais brilhantes são os primeiros indicadores de transformações. Antes da indústria da tecnologia da informação chegar ali, ela era chamada de Bangalore e era conhecida como a Cidade Jardim. Agora é Bengaluru, e é conhecida como o Vale do Silício da Índia.

O que começou nos anos 1970 como um parque industrial, Electronic City, até expandir a indústria eletrônica no estado de Karnataka, pavimentou o caminho para a explosão da cidade, que hoje tem vários parques de TI e é o lar de cerca de 40% dessa indústria no país.

Bengaluru pode até superar o Vale do Silício, considerando as previsões de que pode se tornar o maior hub de TI na Terra até 2020, com 2 milhões de profissionais, 6 milhões de empregos indiretamente ligados à TI e US$ 80 bilhões (cerca de R$ 323 bilhões) em exportações.

E tudo isso se torna possível graças ao sistema de numeração binário.

A Cidade Eletrônica, em Bengaluru, pode se tornar o maior hub de TI do planeta até 2020
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Os computadores digitais de hoje operam no princípio de dois possíveis estados, on e off. O estado on tem o valor 1 enquanto o off foi ligado ao valor 0. O zero.

“Talvez não surpreenda que o sistema de números binários também tenha sido inventado na Índia, nos séculos 2 ou 3 antes de Cristo, por um musicologista chamado Pingala, apesar de seu uso ser para a métrica”, diz Subhash Kak, historiador de ciência e astronomia e professor na Universidade do Estado de Oklahoma, nos EUA.

Os Jardins Botânicos de Lalbagh ficam no centro cultural e geográfico de Bengaluru, um símbolo da antiga Bangalore e o lugar mais recomendado aos turistas para se visitar. Construído originalmente em 1760 com muitas adições posteriores, tinha um ar vitoriano distinto, com 150 tipos de rosas e um pavilhão de vidro feito no fim dos anos 1800 e decorado segundo o famoso Palácio de Cristal de Londres.

Lalbagh é um tesouro em uma cidade que é uma das que mais crescem na Ásia e um lembrete charmoso dos dias em que Bengaluru era um dos locais preferidos de britânicos aposentados durante o período do Raj (colônia).

Eles construíram casas em estilo “cottage” com jardins grandes e passaram a aposentadoria aproveitando o clima temperado e as condições ideais de crescimento da então sonolenta cidade.

Os Jardins Botânicos de Lalbagh são um tesouro em uma das cidades que crescem mais rapidamente na Ásia
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Mas a antiga Bangalore está desaparecendo sob as obras infraestrutura e a ambiciosa expansão da cidade. Entre 1991 e 2001, Bengaluru cresceu em 38% e é hoje a 18ª cidade mais populosa do mundo, com 12 milhões de pessoas. O trânsito sem dúvida é o pior da Índia, considerando que o planejamento não acompanhou o desenvolvimento de muitos parques de TI e o grande fluxo de trabalhadores.

O caos e o congestionamento que são a marca das metrópoles da Índia chegam ao máximo em Bengaluru, onde se pode demorar uma hora para se dirigir meros 3 km. Ainda assim, os habitantes continuam sua vida bravamente, morando o mais próximo possível dos campi high-tech – e até dentro deles, em alguns casos – criando start-ups, desenvolvendo softwares e alimentando o mundo com produtos de TI e know-how.

É difícil imaginar o número de chips de computadores e bits e programas que vêm de Bengaluru, o número de computadores e dispositivos construídos e desenvolvidos ali. Mais difícil ainda imaginar o número de zeros do sistemas binários de zero que eles demandaram.

E, ainda assim, tudo isso começou na própria Índia. Do nada.

(via BBC News)

Conheça site que preserva sons de objetos em extinção

Por Marília Marasciulo

Lembra o barulho do flash de uma máquina fotográfica? E o do teclado de uma máquina de escrever? Um site alemão é uma espécie de museu para reunir todos eles

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Está com saudade do barulho de uma fita cassete rebobinando, do click-clack dos botões de um walkman, dos rumores peculiares da discagem das antigas conexões de internet? Esses e dezenas de outros sons icônicos e que acompanharam muita gente estão desaparecendo junto com os objetos, que se tornaram obsoletos.

Um projeto alemão financiado pela organização Film & Medienstiftung NRW tem como objetivo justamente guardar todos eles para a posteridade. O site Conserve the Sound (Preserve o Som, em tradução livre) funciona como uma espécie de museu online, no qual usuários podem navegar para conhecer ou matar a nostalgia de barulhos que estão em extinção. É possível navegar em inglês e alemão pela página.

O projeto foi criado em 2013 e sua coleção não para de crescer. Há sons das décadas de 1910 até os anos 2000, todos devidamente catalogados com as imagens dos objetos que os produzem – além dos equipamentos de entretenimento, também é longa a lista de eletrodomésticos. Os curadores também incentivam os visitantes a enviarem sugestões, seja de novos sons em si ou simplesmente de histórias relacionadas a eles.

(via Galileu)

“Turma da Mônica” lança app com acervo de gibis lançados desde 1950

Por Soraia Alves

Principal projeto da Maurício de Sousa Produções este ano, Banca da Mônica disponibilizará todas as publicações lançadas pela empresa desde sua criação até os dias de hoje

Todo o universo de histórias em quadrinhos da “Turma da Mônica” agora pode ser encontrado no aplicativo Banca da Mônica. O serviço por streaming disponibilizará revistas mensais, além de todo o acervo editorial da Mauricio de Sousa Produções (MSP), somando produções lançadas de 1950 a 2016, incluindo edições como “Clássicos do Cinema” e as graphic novels do selo Graphic MSP.

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Os leitores poderão escolher entre diferentes pacotes dentro do app para ter acesso a qualquer HQ da MSP. Há assinaturas mensais para os gibis clássicos, outra para a “Turma da Mônica Jovem” e uma opção que dá acesso ainda às publicações em inglês e espanhol. Também estarão disponíveis compras avulsas para as Graphic MSP, como o sucesso “Laços” de Vitor e Lu Caffagi.

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Segundo Mônica Sousa, diretora executiva da MSP, o app é um dos principais projetos da marca para este ano: “Certamente estamos realizando o sonho de muitos fãs, com o acesso à grande parte do acervo editorial da MSP agora no universo digital. Além disso, é mais uma forma de aproximar os quadrinhos da nova geração, que tem acesso aos gadgets desde cedo, e de incentivar a leitura”.

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O aplicativo foi criado em parceria com a Panini, editora responsável pelas publicações das revistas mensais da turma clássica, “Turma da Mônica Jovem”, “Chico Bento Moço”, Graphic MSP e muitos outros títulos e chega para Android e iOS com diferentes pacotes mensais.

(via B9)

A bebida é o segredo para o sucesso da humanidade?

Por Robin Dunbar

O álcool tem sido mais valioso para a sobrevivência da nossa espécie do que poderíamos imaginar

Porque é que os seres humanos bebem? Para a pessoa sentada num bar numa noite quente de verão, a resposta parece simples: beber é um prazer e um alívio. Para o funcionário de saúde pública que lê os relatórios mais recentes sobre a ruína que o álcool representa para a sociedade, a resposta poderá parecer frustrante. Porque é que as pessoas bebem, se isso lhes faz tanto mal?

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Para mim, e para os outros psicólogos evolucionistas, a resposta emergiu a uma luz diferente e fascinante graças a uma série de novas pesquisas intrigantes. É ao mesmo tempo simples e complexa. Vejamos porquê.

À semelhança de todos os macacos e símios, os seres humanos são intensamente sociais. Temos um desejo premente de tagarelar e uma percepção de que o álcool ajuda a nossa causa. As amizades protegem-nos das ameaças externas e das tensões internas e isto tem sido crucial para o nosso sucesso evolutivo. Os grupos sociais dos primatas, ao contrário da maioria dos outros animais, baseiam-se na ligação entre si para manter a coerência social. E, no caso dos humanos, é aqui que uma garrafa de vinho tinto partilhada desempenha um papel poderoso.

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Tal não se deve apenas ao facto de o álcool levar as pessoas a perderem as suas inibições sociais e a tornarem-se superamistosas com os seus parceiros de bebida. Mais do que isso, o próprio álcool desencadeia o mecanismo cerebral que está intimamente envolvido na formação e manutenção de amizades nos macacos, símios e humanos. Este mecanismo é o sistema das endorfinas. As endorfinas (a palavra é uma contração de “morfina endógena”) são neurotransmissores que participam intimamente, através dos seus efeitos de tipo opiáceo, na gestão da dor. Este efeito de tipo opiáceo do está-tudo-bem-com-o-mundo parece ser fundamental para o estabelecimento de relações de ligação que permitem aos indivíduos confiar uns nos outros. Visto a esta luz, beber é uma atividade profunda. Permite aos humanos abrir o seu eu mais profundo, oferecendo uma outra perspetiva do velho ditado in vino veritas.

Entre as muitas atividades sociais que desencadeiam nos humanos o sistema das endorfinas (e que vão do riso ao canto e à dança), o consumo de álcool parece ser uma das mais eficazes. Nas clínicas de desintoxicação, um método de tratamento cada vez mais frequente consiste em ministrar ao viciado um bloqueador de endorfinas como a naltrexona, que bloqueia no cérebro os receptores das endorfinas mas é farmacologicamente neutra, pelo que não se apanha uma bebedeira quando se consome álcool. Em vez disso, fica-se como uma forma moderada de sintoma de abstinência.

Os humanos têm uma longa relação com o álcool que remonta às brumas da pré-história. Arqueólogos como Patrick McGovern, do Museu da Universidade da Pensilvânia, encontraram resíduos de fermentação em recipientes de barro na China com mais de oito mil anos. Entre alguns arqueólogos começa a ganhar força a opinião de que a razão por que os humanos começaram a cultivar cereais como o trigo e a cevada, durante o Neolítico, não foi para fazer pão (como toda a gente presumia anteriormente), mas sim para fazer uma papa que podia ser fermentada. Uma razão para este ponto de vista é que cereais primitivos como a espelta, cultivada no Médio Oriente durante o Neolítico, têm uma estrutura diferente do glúten, tornando mais difícil fazer um bom pão. Fazem, no entanto, uma papa muito boa que fermenta muito bem. Se tivéssemos de escolher entre um pão achatado insípido e pastoso e um copo de cerveja, bom, não hesitaríamos muito, pois não?

Se bem que a inovação realmente grande do Neolítico possa ter sido o fabrico da cerveja e não a agricultura, a exploração dos frutos de fermentação natural pode ter uma história muito mais antiga. Os elefantes, tanto na África Austral como na Índia, têm uma propensão para comer frutos fermentados e ficar bastante atordoados com eles. A primatologista Kim Hockings, da Universidade de Exeter, estudou os chimpanzés africanos que habitualmente roubam o vinho de palma que os camponeses locais deixam a fermentar nas árvores. E Robert Dudley, da Universidade da Califórnia Berkeley, defende na sua hipótese do “macaco bêbedo” que nós partilhamos com os símios uma mutação genética única que data de alguns 12 milhões de anos atrás e que nos permite decompor os álcoois dos frutos excessivamente maduros.

Para os humanos, quando não também para os elefantes, as bebidas fermentadas desempenham um papel central nas festas em todo o mundo – e as festas têm tudo que ver com a amizade. E é provavelmente neste aspeto que o álcool desempenha um papel seminal. Precisamos de amigos porque eles nos ajudam quando precisamos de uma mãozinha, ou quando precisamos de alguém que nos escute com um mínimo de empatia quando temos uma história triste para contar. Mas a amizade, afinal, tem outros benefícios ocultos.

Mais amigos, mais saúde

Uma das maiores surpresas da última década, mais ou menos, tem sido a avalanche de publicações que demonstram que a nossa felicidade, saúde e suscetibilidade à doença – até mesmo a velocidade da nossa recuperação de uma cirurgia e o tempo de vida que temos – são todos influenciados pelo número de amigos que temos.

Se quisermos um exemplo especialmente convincente, um estudo da autoria de Julianne Holt-Lunstad comparou os resultados de 148 estudos feitos a pacientes de ataques cardíacos. O objetivo era determinar qual deles era o que melhor previa a probabilidade de sobreviver nos 12 meses que se seguiam ao primeiro ataque cardíaco. Além de a amostragem incluir um número muito elevado de pessoas, assentava num resultado muito pragmático: sobrevivência ou morte? E qual o melhor indicador? O número e a qualidade dos amigos que tínhamos. Um pouco mais atrás vinha o deixar de fumar (aqui, nada de surpreendente). Depois, bastante mais abaixo em termos de impacto, vinham o exercício físico, a obesidade, o consumo de álcool, a qualidade da alimentação e até a qualidade do ar. Parece que podemos comer, beber e desleixarmo-nos tudo o que quisermos, que isso afetará menos as nossas hipóteses do que o facto de termos bons amigos com quem sair.

A solidão é uma ameaça à saúde no mundo ocidental e o Reino Unido tem até um ministro para se ocupar desse problema. Como resolvê-lo é, evidentemente, um enorme desafio, mas encorajar as pessoas a sair de casa e a socializar à volta de umas cervejas ou de uma garrafa de vinho no pub da aldeia pode ser uma boa maneira de começar.

Se bem que o papel do álcool na preservação das redes de amizades que nos proporcionam apoio psicológico e emocional seja evidentemente crucial, as endorfinas estimuladas por aquilo que nós fazemos com os nossos amigos pode ter os seus próprios benefícios escondidos: aparentemente regulam o sistema imunitário ativando as células T do organismo, as quais fazem parte do mecanismo de defesa que nos dá resistência a muitas doenças comuns.

Já perdi a conta a quantas vezes ex-militares do Reino Unido e dos EUA me disseram que nunca se sentiram tão doentes como depois de regressarem à vida civil. Não porque não estivessem em tão boa forma como quando se encontravam nas forças militares – simplesmente, parecia que estavam sempre a adoecer com tosses e constipações e os detritos da vida quotidiana. Quando lhes mencionava a camaradagem da vida no exército, a ocasional caneca de cerveja e todo o exercício físico na parada, percebiam imediatamente onde é que eu queria chegar. Exercício, álcool e amigos – três boas maneiras de estimular as endorfinas.

Obviamente, como tudo o que é biológico, se nos excedermos no álcool entramos na curva descendente antes sequer de darmos por isso. Mas isto é verdadeiro para tudo o que comemos. Sal, proteínas, gorduras e açúcares são bons para nós, mas se os consumirmos em excesso, seremos atirados sem qualquer cerimônia para as doenças da civilização – diabetes, obesidade, cancros, hipertensão, o que se quiser. O mesmo é verdade em relação ao álcool: poucos copos relaxam-nos e tornam-nos mais sociáveis e até parece que nos fazem bem. Mas quando tomamos o proverbial copo a mais acabamos por pagar um preço.

A demência e o álcool

Isto foi corroborado recentemente de uma maneira bastante simpática por um artigo publicado no British Medical Journal, acerca de um estudo feito entre cerca de nove mil funcionários civis de Whitehall cujos hábitos de bebida e saúde tinham sido observados ao longo de várias décadas até à sua aposentação. Aqueles que não consumiram nenhum álcool quando tinham 40 e 50 anos, juntamente com aqueles que tipicamente consumiram mais do que a orientação governamental oficial de 14 unidades por semana, apresentavam um risco de demência significativamente maior na fase mais tardia da sua vida. Os que não tinham bebido absolutamente nada apresentavam um risco 50% mais elevado de sofrerem de demência do que aqueles que beberam moderadamente e o mesmo risco se aplicava aos grandes bebedores (mais de cerca de 40 unidades por semana). Beber mais de 60 unidades por semana (aproximadamente o equivalente a uma garrafa de vinho por dia) duplicava aquele risco. Com moderação é afinal o mantra, como acontece com todas as coisas biológicas.

Estas conclusões do Whitehall podem ser ainda mais interessantes. O estudo não encarou a amizade como um fator, mas impressiona-me o padrão. As pessoas que bebem moderadamente são em geral bebedores sociais, enquanto os grandes bebedores aumentam o seu consumo porque muitas vezes bebem sozinhos em casa – ou bebem para além daquele ponto em que ainda são capazes de manter os tipos de conversa em que as amizades se baseiam. Pode acontecer que estes resultados reflitam realmente o facto de que o beber socialmente cria redes de amizades e esteja a ser enquadrado numa rede socialmente propícia que protege contra a demência tanto como qualquer outra coisa. Os amigos levam-nos a participar em conversas que mantêm o cérebro a funcionar, além de nos proporcionarem benefícios para a saúde relacionados com as endorfinas. Quando nos encontramos para tomar uma cerveja, conversamos, rimo-nos, contamos histórias e, ocasionalmente, até cantamos e dançamos. Está demonstrado que tudo isto estimula o sistema das endorfinas e, como tal, ajuda o processo da criação de laços sociais assim como o processo de cura.

Na Universidade de Oxford, iniciamos recentemente um conjunto de estudos em colaboração com a Camra (Campaign for Real Ale, organização que promove a verdadeira cerveja e cidra britânicas) destinados a analisar os benefícios dos pubs locais de estilo tradicional em comparação com os bares das zonas da moda que têm vindo a dominar os nossos horizontes sociais nos últimos anos. Uma componente deste estudo foi um inquérito ao nível nacional acerca da utilização dos pubs. De uma forma bem marcante, ficou demonstrado que as pessoas que frequentavam o mesmo pub com maior assiduidade estavam mais envolvidas com a comunidade local e confiavam mais nela e, como consequência, tinham mais amigos do que outros bebedores habituais que não se dirigiam com regularidade ao mesmo lugar. Já aqueles que nunca bebiam apresentavam resultados invariavelmente piores em todos estes critérios.

As refeições, a noite e o fogo

Num outro estudo acerca das refeições feitas socialmente, levado a cabo em conjunto com a organização The Big Lunch, chegamos à conclusão de que comer na companhia de outras pessoas também influenciava positivamente estes mesmos resultados, especialmente se isso fosse feito ao final da tarde. Quando perguntamos que outras coisas aconteceram durante a refeição que pudessem ter produzido estes efeitos, as três coisas mais enumeradas foram o riso, as recordações e – sim, acertaram – o consumo de álcool, três coisas que são bons estimulantes do sistema das endorfinas.

O facto de as refeições da noite, neste estudo, parecerem mais importantes do que o almoço é em si mesmo interessante, porque sugere a existência de algo especialmente mágico nos atos de cariz social feitos à noite e que potencia todos estes efeitos. Pensemos apenas na excitação tão diferente de quando vamos a uma sessão da noite no teatro comparada com a matiné. Pode muito bem ser um resquício que remonta a cerca de 400 mil anos, à época em que o homem dominou pela primeira vez o uso do fogo. Este facto permitiu aos nossos primeiros antepassados mudar para a noite todas as atividades que os uniam socialmente, libertando assim grande parte do dia para a procura de alimentos e outras atividades economicamente essenciais. Acrescente-se a esta mistura alguns frutos em fermentação e…

À luz trémula de uma fogueira, não se pode fazer muita coisa que exija uma visão apurada, como seja coser ou fabricar ferramentas, mas pode-se conversar de um lado das chamas para o outro. Isto é bem ilustrado pelos temas de que os bosquímanos San da África do Sul falam quando estão à volta de uma fogueira. A antropóloga Polly Wiesner escutou as suas conversas e chegou à conclusão de que as diurnas giravam geralmente em torno de aborrecidos temas factuais e discussões de acordos comerciais com os vizinhos, mas que as conversas da noite eram invariavelmente acerca de temas sociais ou incluíam histórias contadas e anedotas.

As amizades funcionam porque nos oferecem “um ombro para chorar” nessa mão-cheia de ocasiões em que o nosso mundo se desmorona. O problema é que, se essas amizades não existirem já previamente, mais ninguém está na disposição de as substituir. Tentem perguntar ao primeiro desconhecido que encontrarem na rua se ele se importa de vos dar um abraço. A resposta mais provável hoje em dia seria um telefonema para a polícia. As amizades têm de ser estabelecidas antes de serem necessárias, para poderem ter alguma utilidade para nós. E isso significa investir muito tempo nelas.

Os nossos estudos sugerem que dedicamos cerca de 40% do nosso tempo social disponível (e a mesma proporção do nosso capital emocional) a um núcleo duro de cerca de cinco ombros-para-chorar. E dedicamos outros 20% às dez pessoas seguintes que são socialmente mais importantes para nós. Por outras palavras, cerca de dois terços do nosso esforço social total é dedicado apenas a 15 pessoas. Trata-se de um compromisso muito substancial e equivale em média a cerca de duas horas por dia. Por isso é tanto mais necessário que o que fazemos com essas pessoas seja divertido, pois caso contrário elas não voltarão mais.

Por isso, se quisermos conhecer o segredo de uma vida longa e feliz, o dinheiro não é a resposta correta. Libertemo-nos da comida do takeaway engolida em frente ao televisor e deitemos no lixo a sanduíche comida à pressa sentados à secretária – o importante é reservarmos tempo para sair com as pessoas que conhecemos e conversar com elas enquanto tomamos uma ou duas cervejas, ou até mesmo aquela garrafa de Prosecco se tiver mesmo de ser. Não há nada como uma noite de convívio à volta de uma caneca de cerveja para nos dar saúde, felicidade e uma sensação de bem-estar.

*Robin Dunbar é professor de Psicologia Evolucionista na Universidade de Oxford e membro da Academia Britânica

Exclusivo Financial Times

(via Diário de Notícias)

Artista pinta como as pessoas com miopia veem o mundo em 29 pinturas a óleo

Por Bored Panda

Se você tem a visão perfeita (sorte sua!), muito provavelmente nunca parou para pensar como deve ser um tormento a vida de quem não consegue enxergar bem sem óculos. Especialmente as pessoas que sofrem com miopia, têm dificuldade de levar uma vida normal longe de lentes que corrijam esse distúrbio de visão, que deixam a visão de longe completamente embaçada.

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E, embora existam vários outros problemas que podem afetar e atrapalhar a visão humana, é na miopia que vamos focar hoje. Isso porque um ensaio fotográfico, para lá de bem pensando, está circulando na internet e fazendo as pessoas entenderem como é a visão de quem tem a tal da miopia. Philip Barlow, um artista da Cidade do Cabo, criou uma série de pinturas que mostra vividamente a luta daqueles que têm miopia, o erro de refração mais comum do olho.

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As pinturas de Barlow à primeira vista parecem fotografias desfocadas, mas são pinturas a óleo hiper-realistas que retratam perfeitamente o efeito borrado que as pessoas de longe enxergam quando tiram os óculos. Confira abaixo alguns de seus trabalhos.

Imagem: philipbarlow

Mais Informações: Instagram

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(via Bored Panda)

Projeto Letras Garrafais espalha gentileza através de frases inspiradoras pelas ruas São Paulo

Por Carol T. Moré

Alessandro Novello é publicitário, nascido em São Paulo e atualmente trabalha como diretor de criação em uma empresa de design promocional. Casado, Alê é pai de dois filhos e super urbano, já que adora a rua. Curte mais televisão e rádio do que internet, prefere CDs a MP3, livros a eBooks, além de ser apreciador de tudo o que acontece ao seu redor e admirador de gente. “Gosto de tudo que é feito com as mãos e com amor, tipo cozinhar, cuidar de plantas, cuidar da casa, etc“.

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Recentemente, Alessandro teve a vontade de fazer algo que tivesse um significado maior para ele e ao mesmo tempo, um impacto positivo nas pessoas. Foi aí que surgiu a ideia (ou a necessidade, como ele mesmo diz) de criar um projeto. Seus maiores desafios eram “o que fazer” e por onde “começar”. Uma coisa ele já tinha em mente: seria alguma manifestação artística e ao mesmo tempo urbana. Ele não queria restringir a ideia ao virtual.

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Desse processo de brainstorming, nasceu o Letras Garrafais – movimento que espalha gentileza através de frases inspiradoras que saíram do papel e garrafas que não foram para o lixo nas ruas de São Paulo. Hoje Alessandro “deixa” garrafas pela cidade, com o intuito de levar um pouco mais de positividade e alegria para as pessoas.

Ele conta: “Como quase todo mundo, eu gosto de arte, poesia e caligrafia. Também gosto de escrever, sem pretensões, nem tenho competência literária ou poética pra isso, apenas expresso meus pensamentos. Claro que minha experiência profissional contribui para que as coisas tenham uma estética interessante. Então, eu precisava juntar tudo e descobrir um meio pra isso acontecer. Daí vieram as garrafas. Comecei fazendo uma para minha esposa, depois para presentear a galera da agência e logo depois comecei a distribuir nas ruas.”

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Ele completa: “Eu deixo e me mando, não espero pra ver quem pegou. Prefiro ir embora com a curiosidade”. Atualmente, as garrafas não são vendidas, apesar dos inúmeros pedidos, pelo menos por enquanto. O propósito é único: fazer gentileza sem mesmo saber pra quem está fazendo. Conversamos com ele para saber um pouco mais de suas inspirações. Confira entrevista:

“Vivemos em uma época em que as pessoas estão muito duras, especialmente em cidades como São Paulo. Poucos notam o que acontece ao redor, as pequenas e belas coisas que a cidade oferece. Notei isso claramente com o Letras, muitas pessoas passam por mim ou pelas garrafas e sequer enxergam. Ou pior, algumas enxergam e têm medo que seja uma coisa ruim”.

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“É legal saber que Letras Garrafais nasceu antes do Instagram. Na essência, é um projeto de gentileza urbana, ou seja, acontece fisicamente e nas ruas. Eu criei o Insta somente para que outras pessoas pudessem ser impactadas e também para estabelecer algum tipo de contato com quem achasse a garrafa.”

“Eu deixo e me mando, não espero pra ver quem pegou. Prefiro ir embora com a curiosidade. Ao mesmo tempo, fica mais forte o lance da doação. O Letras me ensinou muita coisa e uma delas é praticar o desapego. Em resumo, é um ato de gentileza com as pessoas que acham e também comigo, me ajuda a ser um cara melhor.”

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“Outra coisa boa que aconteceu é que o projeto também incorporou um lance de sustentabilidade, pois eu só reutilizo garrafas que iriam para o lixo. No começo eu usava as garrafas de consumo próprio mas depois comecei a recolher garrafas pelos caminhos onde deixava uma do Letras Garrafais. Então, veio mais um tipo de gentileza, com a própria cidade. Difícil é lugar para armazenar tanta garrafa!”

FTC: O que é arte para você e como você define a sua arte?

Pra mim arte é indefinível. De qualquer forma, penso que qualquer tipo de manifestação, com algum senso estético, capaz de estabelecer alguma comunicação sensorial com a audiência é arte. Pode ser um prato de comida, uma tela pintada, um som, dança, uma projeção, enfim, qualquer coisa.

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Sobre mim, é sempre muito difícil definir-se, eu demorei um pouco para considerar o que faço arte. Diante do que conheço de arte e pelas minhas influências / inspirações, eu definiria minha arte como poesia. Utilizo outros recursos associados a escrita, como a garrafa, as flores, a cidade que serve de cenário, a foto. Também gosto de brincar com o formato das letras e o duplo sentido das palavras, que é mais um recurso estético, A minha é arte para ler e para ver. Podemos dizer que minha arte é poesia. Mas eu gosto mesmo é da intervenção urbana. É na rua meu momento mais feliz. Então eu classifico como poesia urbana.

FTC: Qual material utiliza?

Garrafas usadas, Canetas spray a base de óleo (pra resistir à água), flores, papel kraft para a etiqueta e barbante.

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FTC: Com o que você se inspira?

Para escrever, tudo. O que eu tô sentindo, uma notícia, uma cena, as pessoas, ás vezes uma palavra que me provoca a fazer uma frase. Como eu disse, procuro estar sempre atento a tudo que acontece ao meu redor.

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FTC: Qual foi sua primeira garrafa?

A que eu fiz para minha esposa. Dizia “Boas doses do meu amor que é todo seu”. Para rua, a primeira foi “Do nada o amor te pede tudo.”

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FTC: Está tocando algum projeto especial atualmente?

Com o Letras eu estou amadurecendo a ideia de uma exposição. Muita gente tem curiosidade, quer ver como são, então tô pensando em como viabilizar. Mas não tem nada de concreto, são só ideias. Também estou fazendo uma série com frases sobre as relações das pessoas com a internet. É a primeira vez que faço um tema para as ruas. Antes disso, fiz uma série de 33 peças para uma exposição sobre inclusão social. Essa sobre internet está divertida e ao mesmo tempo contundente. Logo logo estarão nas ruas.

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Em paralelo tenho uma série no meu perfil pessoal que é a #retrato3x3 . Já tem umas 240 fotos, sempre de elementos repetitivos nos 9 quadrantes do Instagram. Quero chegar a 339 (3×3=9 = 339), apesar de que o Insta acabou com a historia da fotos quadradas. Também penso em fazer alguma mostra. O resultado gráfico desta série é bem legal, especialmente pra mim que sou um tanto simétrico.

FTC:Uma frase especial para ser colocada em uma garrafa;

Curto muito o título do livro do Renato Russo: “Só por hoje e para sempre”. Agora, se for uma frase minha, vai essa inédita: “Mesmo entre as letras mais apertadas existe espaço para o amor.”

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FTC: 5 coisas que não consegue viver sem.

Essa é uma pergunta muito difícil! Tem tanta coisa boa! Vou responder sem filosofar, de uma forma bem prosaica! minha família (sempre! não sei ser sozinho); óculos escuros (olhos claros tem suas desvantagens); lápis (penso rabiscando); café espresso (sou apreciador e não viciado) e meu iphone (pra registrar minhas entregas).

No Facebook: Projeto Letras Garrafais.

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(via Follow The Colours)

Francês inventa pílula que promete deixar flatulências com cheiro de rosas

Por Hypeness

Pum, um dos resultados do processo natural de digestão que já colocou você em maus lençóis dentro do elevador ou do coletivo, está prestes a se tornar menos incômodo. Isso porque o artista francês Christopher Poincheval, de 65 anos, criou uma pílula capaz de transformar o fétido odor das flatulências em cheiro de rosas. christian-pointcheval

Feitas com ingredientes completamente naturais, como erva doce e mirtilo, as pílulas facilitam o processo digestório, inibem a formação excessiva de gases e proporcionam um odor mais agradável. Cada vidro com 60 pílulas custa 9,99 euros (cerca de R$ 31) no site oficial do artista. Entre os tipos disponíveis está odor de rosaschocolatevioleta e uma especial para neutralizar os odores gástricos do seu cãozinho.

christian-poincheval2Eu tenho todos os tipos de cliente. Alguns compram as pílulas porque têm problemas com flatulência e outros compram como brincadeira, para seus amigos. O Natal sempre é uma boa época para vendas“, afirma Poincheval, que teve a ideia para a pílula durante um jantar com amigos em que quase foi sufocado pela flatulência de um deles. Grandes invenções para grandes problemas da humanidade.

(via Hypeness)

Professores da Unicamp criam vila para envelhecerem juntos

Por Só Notícia Boa

Envelhecer junto com seus amigos. Professores da Unicamp criaram um projeto de moradia chamado Vila ConViver, uma espécie de comunidade.

A ideia surgiu em 2014, de um grupo de trabalho sobre a chamada cohousings  – moradias criadas e administrada pelos próprios idosos, que decidem entre amigos como e onde querem viver sua aposentadoria.

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A Associação formada por professores sindicalizados aposentados já conta com quase 200 pessoas.

Vizinhos de profissão

Sérgio Mühlen, de 61 anos, lembra quando uma ex-colega teve de se mudar para uma casa de repouso após fica doente. Aí percebeu a necessidade de planejar a vida como aposentado.

“Era a última coisa que ela queria”, recorda Sérgio.

Há cerca de um ano e meio ele diz ter encontrado solução no modelo de cohousing.

Ele juntou-se ao grupo de trabalho do Vila ConViver, que estuda implementar um cohousing em área de ao menos 20 mil m² no subúrbio de Campinas.

O local vai abrigar, principalmente, professores aposentados da Unicamp.

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“Será uma comunidade sênior solidária, de apoio mútuo”, disse Mühlen.

Cerca de 70 pessoas participam do projeto e o custo será de cerca de R$ 400 mil por unidade, com pagamento mensal de R$ 3,5 mil.

Todas as decisões serão tomadas em conjunto.

O ponto-chave é o convívio social. Por isso, há reuniões em que os participantes se dividem em grupos.

“Diferentemente de um condomínio, onde se escolhe a casa, o preço e as facilidades, e depois se conhece o vizinho, é o oposto. Escolhemos os vizinhos, alinhados com nossos valores”, disse Mühlen.

“Os modelos de condomínios podem atingir parcela maior dessa população (mais velha), pois é mais tradicional, em que a administração está sob responsabilidade de empresas”, disse Edgar Werblowsky, criador da Aging Free Fair, referência no debate sobre o tema.

Hoje, a Associação dos Docentes da Unicamp tem sido procurada por instituições e estudiosos ligados à questão de moradia e de moradia para idosos.

“Nossos estudos e a metodologia de preparação e formação do grupo que deu origem à Vila ConViver estão disponíveis para novos grupos da própria Unicamp, ou de fora, que queiram criar novas comunidades cohousing, tanto para terceira idade como multigeracionais, aí incluídas as com públicos específicos ou com necessidades especiais”, relata o professor Bento.

A Vila

A Vila ConViver prevista para ser inaugurada em 2020, foi projetada para docentes da Unicamp acima dos 50, aposentados ou em vias de se aposentar.

Esse é o modelo de cohousing, que surgiu na Dinamarca na década de 1960 e se disseminou nos Estados Unidos e Canadá.:

A disposição das moradias é feita para facilitar a proximidade de seus moradores, com áreas de lazer comunitárias, mas garantia de privacidade.

As pessoas se socializam quando quiserem, mas há um sentimento de coletividade pelo mesmo tipo de atividade profissional do grupo.

A dos professores da Unicamp está voltada para moradores da terceira idade.

“Muitas destas comunidades tem sido acompanhadas e estudas por especialista em gerontologia, antropologia, sociologia, psicologia e arquitetura. Vários estudos mostram que esse modelo de moradia contribui, de forma decisiva, para uma vida mais longeva, com uma melhor saúde física e mental e, portanto, uma melhor qualidade de vida dos idosos, reduzindo ou eliminando doenças comuns na velhice, como a depressão, a demência senil e o Alzheimer”.

Palavras do professor Bento da Costa Carvalho Junior (FEA), da diretoria da ADunicamp, associação dos docentes da Unicamp.

Idosos modernos

Pesquisas recentes apontam que os idosos modernos, de diferentes países, têm pelo menos quatro pontos comuns no que se refere à questão da moradia:
– Querem continuar morando em suas casas até o final da vida.
– Não querem se mudar para a casa dos filhos.
– Não querem ser colocados em instituições para idosos.
– Querem manter sua autonomia e independência.

(via Só Notícia Boa)

Estádio desmontável de contêineres é o mais novo projeto para a Copa do Mundo de 2022 no Qatar

Por Patrick Lynch 

O projeto do sétimo estádio sede que está sendo construído para a Copa do Mundo da FIFA 2022 no Qataracaba de ser apresentado. Projetado por Fenwick Iribarren Architects, o Estádio Ras Abu Aboud será construído utilizando a estrutura de uma série de contêineres reciclados, possibilitando uma montagem rápida e eficiente da estrutura além de que, após a realização do evento, poderá ser desmontado e transportado para outro local.

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“Este tipo de instalação proporciona um legado perfeito, capaz de ser desmontado e reconstruído em outros locais onde podem vir a ser realizados outros grandes eventos esportivos e culturais”, disse H.E. Hassan Al Thawadi, Secretário Geral do Comitê de Execução e Legado do evento. “Além disso, o estádio proporcionará a atmosfera que os fãs esperam em uma Copa do Mundo mas que será construído de forma sustentável e sem precedentes. Ficamos impressionados com este projeto e com a certeza de que o Ras Abu Aboud se tornará um modelo para projetos futuros de mega-eventos como a Copa do Mundo da Fifa”.

Localizado em um terreno à beira-mar de 450 mil metros quadrados, no porção sudeste de Doha, o estádio com capacidade para 40.000 expectadores foi concebido a partir de uma série de blocos modulares, estruturas que refletem a linguagem arquitetônica do entorno portuário do estádio. Os contêineres serão adaptados para abrigar os distintos elementos do programa do estádio, assim como escadas, lojas e sanitários.

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A modularidade do projeto também resulta em uma economia de materiais, proporcionando menos desperdício e a redução da pegada de carbono em comparação com as tradicionais técnicas construtivas, ao mesmo tempo em que reduz o tempo de construção em até três anos. O estádio visa alcançar uma certificação de quatro estrelas do Global Sustainability Assessment System (GSAS).

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“Ficamos contentes por participar de outro projeto para a Copa do Mundo da FIFA de 2022 e estamos muito orgulhosos de que o projeto para o Estádio Ras Abu Aboud fique marcado na história como o primeiro estádio móvel e reutilizável da Copa do Mundo da FIFA”, comentou o sócio e arquiteto da FI-A, Mark Fenwick. “Temos a certeza de que este conceito inovador e sustentável será uma fonte de inspiração para os arquitetos do mundo todo, que poderão pensar em edifícios interessantes arquitetonicamente, que oferecem novas possibilidades e deixam importantes legados para o futuro da arquitetura”.

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Localizado a apenas 1,5 km do Aeroporto Internacional Hamad em Doha, o estádio será facilmente acessível aos visitantes através de uma estação própria da Linha Ouro do transporte público do Qataralém de uma estação marítima de barco-táxi de Doha.

Vários estádios da Copa do Mundo estão atualmente em construção em todo o país, incluindo o Estádio Al Thumama projetado por Ibrahim M Jaidah e Heerim, o Estádio Lusail projeto de Foster + Partners (onde serão realizadas cerimônias de abertura e encerramento) e o Estádio Al Wakrah por Zaha Hadid Architetcts.

(via Archdaily)

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A cidade conservadora do Peru que cogitou mudar sua bandeira por semelhança com símbolo LGBTT

Por Vinícius Lemos

As bandeiras do arco-íris espalhadas por diversas partes da cidade de Cusco, no Peru, costumam atrair a atenção dos turistas que visitam a antiga capital do Império Inca. Para muitos, elas passam a imagem de uma região liberal, pois remetem ao movimento gay. No entanto, o símbolo nada tem a ver com um possível apoio à comunidade LGBTT.

A bandeira atual de Cusco é baseada na tradição dos Incas – mas não há nenhuma evidência de que eles realmente utilizassem o símbolo
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A história da bandeira de Cusco teve início na década de 1940, relata o historiador peruano Luis Lumbreras. Na época, Hugo Flores, responsável por organizar diversos eventos tradicionais na cidade, apresentou o símbolo com sete faixas, cada uma representando uma cor do arco-íris. “Ele afirmou que existia uma bandeira do mesmo jeito durante o período Tahuantinsuyo [modo como era denominado o império Inca]“, diz à BBC News Brasil.

Conforme estudos arqueológicos e históricos, o arco-íris era considerado uma das principais divindades dos Incas, civilização andina que tinha Cusco como sua capital e teve seu império extinto em 1532.

Segundo conta Lumbreras, Flores argumentou que utilizar as cores do arco-íris seria uma forma de homenagear os Incas, que teriam uma bandeira semelhante. Porém, nunca foi comprovado que a civilização andina realmente utilizava o estandarte. “O senhor Hugo Flores morreu e nunca houve nenhuma prova sobre isso. Ele, tampouco, se preocupou em fazer tal comprovação”, comenta Lumbreras.

Pelo fato de Flores ser considerado uma figura relevante para Cusco, a bandeira apresentada por ele passou a ser utilizada por moradores da cidade em comemorações e outros eventos da região. Mesmo depois que ele morreu, o símbolo foi mantido.

Visitantes se surpreendem ao encontrar a bandeira da cidade sobre igrejas locais
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A bandeira possui as mesmas sete cores do arco-íris: vermelho, laranja, amarelo, verde, azul, anil e violeta. Em 1978, o governo de Cusco adotou oficialmente o símbolo.

Desde a sua oficialização, a bandeira tornou-se alvo de polêmicas na cidade. Pouco depois, muitos moradores passaram a defender uma mudança, em razão das constantes comparações com a comunidade LGBTT. Há também aqueles que criticam o fato de que nunca foi comprovado que o estandarte era utilizado pelos Incas.

Comparação com bandeira gay

No mesmo ano em que o arco-íris foi oficializado na bandeira de Cusco, ele também se tornou símbolo do movimento LGBTT. Os historiadores da região ressaltam que o fato é apenas uma coincidência. “Não existe nenhuma relação entre essas bandeiras, até porque a de Cusco era utilizada muito antes”, afirma Lumbreras.

O responsável por idealizar o estandarte gay foi o artista norte-americano Gilbert Baker, que morreu no ano passado. Ele criou a bandeira para o Dia de Liberdade Gay de San Francisco, na Califórnia. Baker costumava explicar que utilizou o arco-íris pois acreditava que o símbolo transmite a ideia de diversidade e inclusão.

“Ela (a bandeira) é uma forma de mostrar, por meio das diversas cores, que podemos ser diferentes e conviver no mesmo espaço”, diz o presidente da Aliança Nacional LGBTI, Toni Reis. Segundo Reis, a bandeira do arco-íris é hoje o maior símbolo do movimento. “Ela dá visibilidade para a nossa comunidade, porque é utilizada em todo o mundo”, diz.

A bandeira LGBTT atual tem seis cores – e não oito como a de Cusco. Na foto, manifestantes com a flâmula na Parada LGBTT de Brasília de 2018
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Apesar de ter o arco-íris como base, a bandeira LGBTT foi criada com oito cores, cada uma delas com um significado diferente: rosa (sexualidade), vermelho (vida), laranja (cura), amarelo (luz do sol), verde (natureza), turquesa (mágica e arte), anil (harmonia e serenidade) e violeta (espírito humano).

Anos depois da criação, a bandeira LGBTT foi reduzida a seis cores, desta vez sem o rosa e o anil. Posteriormente, o azul também foi retirado e substituído pelo turquesa. “Essa mudança foi uma forma de otimização para a confecção das bandeiras, porque na época era mais fácil encontrar tecidos nas seis cores atuais”, afirma Reis.

Confusão entre turistas

A diferença na quantidade de cores das bandeiras – sete na bandeira de Cusco e seis na LGBTT – pouco adianta para evitar comparações. O venezuelano Víctor Alfonso Hernández, que trabalha há sete meses como guia turístico em Cusco, relata que é comum haver perguntas sobre o símbolo da cidade. “Os turistas dizem que a bandeira é muito bonita e perguntam se tem alguma relação com o movimento LGBTT. Quando eu digo que não tem nada a ver, eles acham engraçado, porque é muito semelhante”, relata.

O próprio guia conta que também pensou tratar-se da bandeira LGBTT quando chegou à cidade peruana. “No meu primeiro dia em Cusco, fui à praça da cidade para ver o desfile das Forças Armadas, que acontece todos os domingos. Quando vi os militares com uma bandeira gigante de Cusco, pensei: eles são muito liberais por aqui. Mas depois entendi que se tratava do símbolo da região.”

Em recente visita a Cusco, a cineasta Chia Beloto também se confundiu ao ver o símbolo da cidade. “Logo que cheguei, reparei a bandeira, porque ela estava em todos os lados. Eu pensei: ‘esta cidade é muito gay friendly (amistosa com o público gay)’. Um dia, sentei no terraço, vi a bandeira em cima de uma igreja e concluí que realmente não poderia ser algo relacionado ao movimento LGBTT. Pesquisei no Google e descobri que não tem nada a ver”, conta.

Apesar da bandeira, a população de Cusco é bastante conservadora e algumas pessoas reclamam da confusão
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A designer Ellen Eres relata que sabia que não se tratava de uma bandeira LGBTT, porém chegou a comentar com um guarda da cidade sobre a semelhança entre os símbolos. “Ele enfatizou que não tinha nenhuma relação entre as bandeiras e disse que achava feio relacionarem a simbologia Inca ao movimento LGBTT, porque considera a homossexualidade como algo errado”, diz.

Mudança de bandeira

As comparações com a bandeira LGBTT fizeram com que o governo de Cusco cogitasse mudar o símbolo do arco-íris, após constantes reclamações de moradores da cidade. “Existe uma forte tradição indígena em Cusco, em razão dos Incas, por isso a região é muito conservadora. Eles tentam preservar a cultura dos antepassados”, justifica Lumbreras.

Uma consulta foi realizada pelo governo de Cusco, por meio da internet, há 10 anos. Os representantes da região perguntaram aos moradores se eles queriam que a bandeira do local fosse alterada. Caso a maioria fosse favorável, seria realizado um concurso para definir o novo símbolo.

Lumbreras conta que a maioria dos moradores, no entanto, optou por manter o símbolo. “Essa ideia de mudança não prosperou.”

(via BBC)