Cinco cenas do cinema com movimento de câmera genial

Por Casey Chan

É óbvio, né? Nos filmes, a câmera aponta para onde devemos olhar. Seguimos a ação seguindo a câmera, que, por sua vez, segue a ação da cena. Mas os movimentos da câmera nos filmes também podem nos fazer sentir algo. Se ela se aproxima, devemos olhar mais perto. Se distancia-se, podemos estar nos removendo da cena. O movimento da câmera pode ir além de apenas nos fazer ver algo.

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Às vezes, se uma câmera sai de cena, nossa imaginação pode preencher o que ficou por ser mostrado. Como naquela cena aterrorizante de Cães de Aluguel, em que o policial tem sua orelha cortada. O Tarantino, na verdade, se afasta da ação, o que, de alguma forma, torna tudo ainda mais horripilante.

Há tantos outros movimentos de câmera que podem influenciar como assistimos a um filme, então veja o vídeo da CineFix com os cinco movimentos mais brilhantes para saber mais.

    • O Assassinato de Jesse James pelo Covarde Robert Ford (aproximação lenta)
    • 20th Century Women (afastamento lento)
    • Marnie – Confissões de uma Ladra (desviar da cena)
    • O Passageiro – Profissão Repórter (distração)
    • The Candidate (movimento repentino)

(Via Gismodo)

Todos os filmes que ganharam o Oscar de melhor fotografia em um vídeo de 7 minutos

Por Juliana Domingos de Lima 

Além de uma aula de história do cinema, resumo é um passeio por algumas das fotografias mais bem feitas já vistas nas telas

‘O REGRESSO’, FILME QUE RENDEU O TÃO ESPERADO OSCAR DE DICAPRIO
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Desde a primeira edição do Oscar, em 1927, muita coisa mudou na forma de se fazer filmes: o cinema falado se consolidou e as tecnologias de filmagem evoluíram e se digitalizaram, só para citar duas mudanças de grandes proporções ao longo do último século. A imagem passou do preto e branco de um negativo a todas as cores alcançáveis pelo suporte digital.

Um vídeo feito pelo canal “Burguer Fiction” é uma síntese dessa evolução. Ele reúne todos os filmes que levaram o Oscar na categoria de “melhor fotografia” até hoje. Veja o vídeo:

As cores, os filtros e as tonalidades da imagem são criadas pelo trabalho do fotógrafo no cinema. Ele seleciona a luz ou equipagem de iluminação mais apropriada para cada cena, assim como a melhor câmera, lente, filtro, ou negativo, caso seja um filme feito em película. Assim, suas diretrizes técnicas traçam o paradigma tecnológico e estético da imagem de um filme.

Uma imagem mais saturada ou com cores mais frias, com menos ou mais luz, exerce funções precisas na narrativa cinematográfica. O fotógrafo “esculpe” cada um dos frames, que, em movimento, tornam-se um filme.

Do primeiro ao último

O site de cinema “Indiewire” definiu a compilação com uma aula de história do cinema acelerada. Quem levou o primeiro Oscar de fotografia da história foi o filme “Aurora” (1927), dirigido por F.W. Murnau, um dos diretores mais importantes do cinema mudo e do Expressionismo Alemão.

O movimento cinematográfico era conhecido, entre suas características estéticas, pelo contraste intenso entre luz e sombra. A direção de fotografia do filme era assinada por Charles Rosher e Karl Struss.

‘AURORA’, DE MURNAU, FOI O PRIMEIRO FILME A LEVAR O OSCAR DE MELHOR FOTOGRAFIA, EM 1927
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É possível observar a evolução entre a fotografia em preto e branco de “…E o Vento Levou” (1939), de Victor Fleming, passando pelas luzes neon de “Contatos Imediatos do Terceiro Grau” (1977), de Steven Spielberg, até chegar à “trilogia” premiada do diretor de fotografia mexicano Emmanuel Lubezki: “Gravidade” (2013), dirigido por Alfonso Cuarón, “Birdman ou (A Inesperada Virtude da Ignorância)” (2014), com direção de Alejandro G. Iñárritu e “O Regresso” (2015) , também de Iñárritu. Lubezki levou o Oscar de Melhor fotografia em 2014, 2015 e 2016.

O filme vencedor em 2016, “O Regresso”, foi o primeiro a usar a câmera 65mm com sensor digital ALEXA 65, o que lhe dá uma estética que lembra a da película, e Lubezki filmou principalmente utilizando luz natural, segundo o site “No Film School”.

Indicados ao Oscar de melhor fotografia em 2017

Na premiação deste ano, marcada para o dia 26 de fevereiro, os cinco indicados na categoria são:

  • James Laxton, diretor de fotografia de “Moonlight: Sob a Luz do Luar” (2016), do diretor Barry Jenkins
  • Bradford Young, diretor de fotografia de “A Chegada” (2016), de Denis Villeneuve
  • Linus Sandgren, pela fotografia de “La La Land: Cantando Estações” (2016), dirigido por Damien Chazelle,
  • Greig Fraser, que dirigiu a fotografia do filme “Lion: Uma Jornada Para Casa” (2016), com direção de Garth Davis
  • Rodrigo Prieto, pela fotografia de “Silêncio” (2016) , um filme de Martin Scorcese

(Via Nexo)

Assista Pearl, o 1º filme para RV indicado ao Oscar

Por Dori Prata  

Você já deve estar sabendo que ontem foi divulgada a lista com os filmes indicados ao Oscar desse ano e no meio de tantas produções, existe uma que passou despercebida por muitos, mas que merece a atenção pelo menos dos apaixonados por tecnologia.

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Desenvolvido pelo Google Spotlight Stories e pela a Evil Eye Pictures, Peal é a emocionante história de um pai solteiro que cria sua filha num carro e durante pouco mais de cinco minutos acompanharemos o crescimento da menina enquanto uma belíssima trilha sonora ajuda a aumentar a carga dramática.

O detalhe é que o curta de animação foi criado pensando na realidade virtual, colocando o espectador no assento do passageiro do veículo e nos permitindo olhar para onde quisermos. Desta forma os criadores do filme tentam aumentar a imersão do e se você não for muito durão, existe uma boa chance de ter que enxugar os olhos enquanto assiste Pearl.

Dirigido por Patrick Osborne, que levou um Oscar no ano passado por O Banquete e depois trabalhou no Operação Big Hero, talvez o mais importante não seja sabermos se essa animação levará ou não o prêmio no dia 26 de fevereiro, mas sim a maneira como sua indicação poderá chamar a atenção para uma tecnologia que ainda está longe de se tornar popular.

Para assistir Pearl, você pode simplesmente apertar o play no vídeo abaixo e depois usar o mouse para mover a câmera para onde quiser, mas o ideal evidentemente seria utilizar um Google Cardboard ou ainda aproveitá-lo com um HTC Vive, para que assim a experiência seja a melhor possível e muito mais tocante.

Caso tenha gostado da música No Wrong Way Home, que foi interpretada por Kelley Stoltz e Nicki Bluhm, saiba que ela pode ser obtida gratuitamente através do Google Play.

(Via Meio Bit)

O melhor filme de 2016 foi…

Por Leonardo Amaral

Calma! Não é o que ganhou Oscar. Nem o que ganhou mais prêmios europeus. Também não foi o de maior bilheteria. Nem o que teve maior retorno de investimento sobre seu orçamento.

Sempre antes de definir o melhor filme de qualquer coisa é fundamental definir uma coisa: NO QUE?

Pra quem acha mais importante uma credencial de renome para chancelar a escolha, a pergunta já está ainda mais específica: SEGUNDO CRITÉRIOS SUBJETIVOS DE QUEM (esses costumam ser os grandes prêmios, que tem um juri bem grande de pessoas da indústria e entendidas de cinema para votarem).

Nesse post o foco é em uma métrica nova: a avaliação combinada das 4 maiores plataformas sociais internacionais de review de filmes: Rotten Tomatoes (tanto a sessão de críticos especializados quando de público), IMDb, Letterboxd e Metacritic.

Seria o equivalente a uma mistura global de voto popular com juri especializado. Creio ser uma métrica bastante interessante e democrática.

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(a nota do Metacritic, não está aí, mas só aumentaria a média, já que está em 99/100)

Quem faz isso é o Cinesift (que já apareceu aqui aqui).

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O vencedor é um curioso lançamento de pouca repercussão: Moonlight (que por aqui recebeu o nome de Moonlight: Sob a Luz do Luar e estreia em fevereiro).

O filme é dirigido por Barry Jenkings e apresenta a história e desenvolvimento de Chiron, jovem negro da periferia de Miami que luta contra o caminho no crime que lhe é imposto pelo contexto.

Não vejo a hora do filme estrear por aqui.

(Via Update Or Die)

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9 filmes de 2016 que você talvez não tenha visto (mas deveria)

Por Virgílio Souza

Relembre o que aconteceu de melhor no cinema no ano: as estreias mais aguardadas, as melhores surpresas e os filmes imperdíveis que passaram voando pelas salas brasileiras (ou que sequer chegaram a estrear)

Em 2016, o B9 cobriu quase quarenta estreias com críticas individuais. Filmes como “Creed: Nascido Para Lutar”“Spotlight” e “A Grande Aposta” se destacaram entre aqueles que saíram cercados de expectativa da sequência de premiações do início do ano. Ainda na primeira metade da temporada, “Zootopia” e “Capitão América: Guerra Civil” se provaram blockbusters acima da média, sendo acompanhados na categoria por “Star Trek: Sem Fronteiras”, lançado alguns meses depois.

Já no segundo semestre, “Dois Caras Legais”“Águas Rasas e “Kubo e as Cordas Mágicas” confirmaram a força das produções de médio porte, cada vez mais esquecidas pela indústria, e “Aquarius” se revelou a mais nova obra-prima do cinema nacional. Finalmente, “Sully” se juntou ao seleto grupo nas últimas semanas, apoiado sobretudo na força de seu diretor e de seu protagonista. 

Abaixo, listamos outros destaques que chegaram ao país nos últimos doze meses e indicamos os caminhos para encontrá-los, quando disponíveis. Alguns foram estreias no calendário nacional, outros nunca estiveram disponíveis na tela grande pelos lados de cá.

“Carol” 

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Em uma das várias cenas memoráveis de “Carol”, a personagem do título (Cate Blanchett) observa a jovem Therese (Rooney Mara) e a convida para ir até sua casa no domingo seguinte. “Flung out of space” é como ela define a garota, tão distante que parece mesmo ter sido arremessada pelo espaço, vinda de outra dimensão em que as pessoas flutuam e seus pés nunca tocam o chão.

O filme de Todd Haynes, assim como o romance entre as personagens, se constrói com base nesses detalhes perdidos no ar que o cinema frequentemente ignora: um instante de silêncio gera dúvidas ou confirma certezas, uma troca de olhares ou um toque de mãos revela desejos e mágoas encobertas. Aqui, a beleza e a dor de se apaixonar são mesmo de outro mundo.

Lançado no Brasil no início de janeiro, apenas um dia antes de receber seis indicações ao Oscar, o filme está disponível no NET NOW e lançado em DVD pela Universal.

“Destino Especial” (“Midnight Special”) 

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A decisão de não lançar nos cinemas o quarto capítulo da já festejada trajetória de Jeff Nichols como diretor (depois de “Separados pelo Sangue”“O Abrigo” e “Mud”) talvez tenha sido o maior equívoco das distribuidoras brasileiras em tempos recentes. A narrativa por vezes exagera na sugestão, nesse esquema de oferecer mais perguntas do que respostas, perdendo algumas oportunidades para fincar suas raízes no sci-fi de maneira mais definitiva, mas o controle do cineasta sobre o material permanece inabalável.

A relação entre pais e filhos surge  novamente como nervo central da história. Desta vez, porém, o senso de proteção paterno  existe justamente diante do desconhecido, o que abre espaço para que o filme aproveite sua principal qualidade: transmitir sensações muito intensas em esquemas simples, com um esforço que parece mínimo.

Disponível exclusivamente em digital para compra e aluguel (NOWiTunes, entre outros).

“Jovens, Loucos e Mais Rebeldes”

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Tratado como “continuação espiritual” para “Dazed and Confused” (ou “Jovens, Loucos e Rebeldes”, um dos melhores filmes dos anos 90 em qualquer gênero), o novo projeto de Richard Linklater é fascinante em muitos níveis diferentes. Na superfície, trata-se de um retorno no tempo motivado pelos elementos mais básicos: a trilha sonora e o visual dos personagens já seriam suficientes para sustentar suas duas horas de duração, ainda que as referências em questão sejam bastante específicas (o beisebol, essa masculinidade texana, a universidade).

Não se trata de nostalgia pela nostalgia. Aqui, o olhar para o passado é quase realista, como se tudo o que ocorreu em trinta anos desde então de fato ainda não tivesse ocorrido. Linklater segue genial nessa tarefa de nos transportar para tempos e espaços particulares, capturando momentos especiais em um processo que parece apenas rotineiro. Nas entrelinhas, em cada diálogo despropositado, existe um excelente filme sobre lidar com a diferença e, mais importante, sobre reconhecer a necessidade de ir além das aparências. Em sua simplicidade, o último plano carrega uma força rara, como se o curto ciclo pelo qual os personagens passam fosse apenas um prelúdio, uma abertura para outra etapa, maior e mais significativa.

Disponível no iTunes e no serviço on demand da Telecine.

“Indignação” 

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Em 2016, dois longas tentaram adaptar textos de Philip Roth. “Pastoral Americana”, primeiro trabalho de Ewan McGregor na direção, foi mal recebido no Festival de Cannes e (ainda?) não ganhou data de lançamento brasileira. Já “Indignação”, que também marca a estreia de James Schamus (roteirista de vários filmes de Ang Lee) na função, passou por Sundance e Berlim com sucesso moderado antes de desembarcar no Brasil em novembro de maneira mais discreta do que deveria.

Além do mérito em realizar a difícil transposição romance-cinema, conseguindo ser fiel ao original sem perder de vista sua autenticidade e o que é próprio do cinema, a obra soma os esforços de gente bastante competente em todas as frentes. Logan Lerman e Sarah Gadon lideram o elenco, que ainda conta com Tracy Letts no papel de um reitor implacável. A fotografia é de responsabilidade de Christopher Blauvelt, também de “Certas Mulheres” (outro grande filme), o que afirma esse como o ano mais notável de sua carreira. Por último, mas não menos importante, a trilha sonora de Jay Wadley se estabelece como uma das mais sensíveis dos últimos tempos, encontrando força mesmo em suas batidas mais convencionais.

Ainda não há previsão de lançamento do filme em streaming ou home video no país.

“A Luz Entre Oceanos” 

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A mão de Derek Cianfrance na direção é um fator determinante para os sucessos e fracassos de “Blue Valentine” e “O Lugar Onde Tudo Termina”, seus dois longas anteriores. No primeiro, o cerco se fecha sobre o casal principal, construindo um drama que se propõe ao mesmo tempo intenso e intimista. No seguinte, a insistência em fazer a trama atravessar gerações compromete o todo — os momentos mais fortes do filme se concentram no primeiro segmento, enquanto o terço final sofre porque esse elo entre pais e filhos parece forçado.

Em “A Luz Entre Oceanos”, a abordagem é mais contida e a narrativa, mais convencional, mas o diretor não se desvia de suas pretensões estéticas. A câmera tenta extrair o máximo de cada plano, buscando o contraste nas paisagens ensolaradas e a dor nos rostos de Michael Fassbender e Alicia Vikander, e o resultado é um drama controlado, mas repleto de instantes genuínos.

“A Luz Entre Oceanos” estreou no Brasil no início de novembro e ainda não chegou a outras plataformas.

“Certo Agora, Errado Antes”

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Após circular festivais Brasil afora, o melhor longa de Hong Sang-soo nos últimos anos chegou ao circuito em maio. Aqui, o diretor segue trabalhando temas marcantes de seus projetos mais recentes, mas decide explorar novas possibilidades em termos de estrutura. Sua narrativa é simples, mas imprevisível, porque trabalha diferentes perspectivas sobre o mesmo conjunto de eventos, com foco no encontro entre um cineasta e uma aprendiz de pintora na cidade sul-coreana de Suwon.

Dividido em dois capítulos (em inglês, “Right Then, Wrong Now” e “Right Now, Wrong Then”), o filme não coloca esses olhares em choque direto, mas repete cenas alterando apenas o ponto de vista de modo a produzir sentidos diferentes a cada nova encenação. Trata-se, ainda, de um belo elogio ao gesto: o contato físico entre os personagens é raro, mas fundamental nos momentos mais cruciais da trama.

O longa está disponível on demand no Telecine, com o título de “Lugar Certo, História Errada”.

“O Que Está Por Vir”

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“Meus filmes são todos transposições [da minha vida] inspiradas pelas pessoas que eu conheço”, disse Mia Hansen-Løve em entrevista. Em uma curta, mas significativa trajetória, a diretora voltou seu olhar para  a relação entre um pai e uma filha (“Tudo Está Perdoado”), o suicídio (“O Pai dos Meus Filhos”), o desenrolar de um romance na juventude (“Adeus, Primeiro Amor”) e o amadurecimento de um jovem rapaz (“Eden”). Há elementos autobiográficos em todos eles, com acenos claros a figuras como um produtor e amigo, o irmão e, agora, a mãe, que ganha corpo e brilho em Isabelle Huppert.

O que mais impressiona nessa coletânea de histórias familiares é a serenidade com que mesmo os acontecimentos mais trágicos são encarados pelas lentes. Chegando aos 35 anos, a diretora observa a meia idade colocando sua protagonista no centro de uma crise sem precedentes, que a desloca em todos os âmbitos da vida – todos vistos de perto, pacientemente, em busca de compreensão.

Distribuído pela Zeta Filmes, o longa estreou na última quinta-feira, 22, e segue em cartaz em nove cidades brasileiras (veja quais).

“Popstar: Never Stop Never Stopping” 

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No ano em que a continuação de “Zoolander” fracassou ao unir sua sátira do universo das celebridades às centenas de aparições de rostos famosos, “Popstar” surgiu como uma clara manifestação do talento de Andy Samberg.

Líder da ótima “Brooklyn Nine-Nine”, agora em sua quarta temporada, o ator e roteirista retomou a parceria com Akiva Schaffer e Jorma Taccone, antigos companheiros de “The Lonely Island” e “Saturday Night Live”, para realizar a melhor comédia do ano. O talento do grupo para esquetes musicais se mantém firme, e certas surpresas (algumas delas extremamente apelativas, mas em perfeita sintonia com o humor pretendido) tornam mais viva a trama de ascensão e queda de um músico egocêntrico.

O filme não foi distribuído oficialmente no país, mas a trilha sonora original está disponível no Spotify. Vale a conferida.

“A Incrível Aventura de Rick Baker” (“Hunt for the Wilderpeople”) 

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Dois anos atrás, “O Que Fazemos Nas Sombras” estabeleceu o neozelandês Taika Waititi como um nome promissor. Hoje, confirmado para comandar “Thor: Ragnarok”, o diretor se encaminha para seguir uma trajetória recente que não é incomum, saltando do universo do cinema independente para um blockbuster de estúdio.

No meio do caminho, porém, ele encontrou espaço na agenda para entregar essa aventura que remete tanto ao charme de nomes como Wes Anderson quanto à esperteza de “Flight of the Conchords”, projeto de comédia a que esteve vinculado por anos. O veterano Sam Neill e a revelação Julian Dennison são as principais peças de uma fórmula que se assume como tal, apostando na mesma condução leve e nas referências pop que consagraram produções semelhantes no passado. É Waititi o responsável por conferir inventividade à narrativa, e sua atenção para as relações humanas cumpre o papel com enorme qualidade.

O filme segue indisponível oficialmente no Brasil. 

(Via B9)

Rapaz deixa celular ser roubado de propósito para espionar a vida do ladrão

Por Nilton Kleina

Quem já teve um celular roubado provavelmente já parou para pensar em algum momento: afinal, o que o cidadão que tomou o aparelho está fazendo? Que utilidade deu para o dispositivo? Será que ele realmente ficou com o produto ou já repassou? Algumas dessas perguntas intrigavam o estudante holandês de Cinema Anthony van der Meer, que resolveu produzir provas reais para tirar suas dúvidas.

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Depois de ter o seu smartphone roubado, van der Meer resolveu deixar um segundo aparelho ser furtado de propósito – com uma pegadinha. Em seu HTC One M7, ele instalou um software chamado Cerberus, que permite o controle remoto completo do dispositivo, incluindo leitura de mensagens de texto e acompanhamento das atividades da câmera e do microfone.

Depois de vários dias tentando ser roubado de propósito, ele conseguiu o feito em uma viagem de trem. O resultado é o minidocumentário “Find My Phone”, com 21 minutos e uma história com final surpreendente. Confira abaixo (com legendas em inglês).

Mais complexo do que parecia

No fim das contas, o ladrão não resetou o aparelho: ele simplesmente continuou utilizando o smartphone do mesmo jeito que encontrou. Dias depois do incidente, um novo chip SIM foi inserido, por alguém com uma conta em árabe. Seguindo o cidadão pela movimentação do GPS, o aparelho foi parar em uma cidade francesa, mais precisamente em um abrigo de ajuda humanitária, e depois novamente em Amsterdã.

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As conversas quase sempre giravam em torno de dinheiro e, no fim das contas, o aspirante a cineasta começou a pensar que o ladrão era uma pessoa pobre, triste e que vivia em dificuldades — a ponto de o jovem sentir certa pena e até colocar créditos ele mesmo para que o sujeito não parasse de usar o aparelho. Seria um terrorista, um sem-teto ou algo parecido?

Quem foi roubado foi ele, mas foi o ladrão quem teve a privacidade invadida

No fim do documentário, van der Meer resolve ir até o último local apontado pelo GPS para ver o ladrão pessoalmemte. O resultado é bem diferente do que ele imaginava: a pessoa é saudável, com um ar agressivo e possivelmente envolvida com drogas. Para não ser reconhecido ou algo do tipo, ele foi embora antes de iniciar qualquer contato, exceto tirar uma foto.

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Entre as lições que o jovem quis deixar com a obra, é possível notar a ironia da situação: quem foi roubado foi ele, mas foi o ladrão quem teve a privacidade invadida. Só que, ao mesmo tempo, mesmo acompanhando o sujeito direto por vários dias, van der Meer notou que o resultado final foi que ele não fazia ideia de quem aquela pessoa de fato era. Há quem duvide da situação e acuse o rapaz de ter encenado tudo, mas a ideia não deixa de ser interessante e um ótimo ponto de reflexão.

Este curto filme foi feito com 2 bicicletas estáticas e 1800 fotos de longa exposição

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Por Mário Rui André.

Un Petit Tour Dans Paris é um pequeno filme de 1 minuto e meio, realizado pelo francês Maxime Baudin“Numa Paris esplêndida e romântica, enquanto todos iam muito rápido, um jovem anda de bicicleta. Mas um simples passeio vai ganhar toda uma nova dimensão”, lê-se na sinopse.unpetittourdansparis

O trabalho de Maxime conquistou a atenção do site PetaPixel, que, curioso, dirigiu-lhe algumas questões. As gravações duraram 2 dias em Paris; foram produzidas 1800 fotos RAW com uma Canon 7D para criar os frames em stop motion.

Cada exposição foi um 2,5 segundos de longa exposição, uma vez que Baudin queria mostrar o mundo à volta dos seus actores o mais desfocado possível com movimento e actividade. “Usei a longa exposição para desmaterializar as pessoas em torno das personagens”, disse o realizador francês. “Deste modo, existem dois períodos na mesma imagem.”

De acordo com o PetaPixel, Baudin teve a ideia para o filme depois de ver uma bicicleta de exercício inutilizada no seu apartamento. Depois de fazer algumas fotos de teste, percebeu que o resultado era mesmo o que queria. Fez o storyboard, detalhando exactamente o número de frames para cada sessão e que acção ou expressão acontecia naquele preciso instante.

Os atores, Rebecca Tetens e Tifenn Veysseyre, tinham de fazer movimentos detalhados e, em seguida, ficar perfeitamente imóvel durante todas as exposições. Baudin usou giz branco para marcar no chão, com uma linha, as posições das bicicletas e das expressões dos actores em cada sessão fotográfica.

O resultado é absolutamente incrível.

James Bond jamais seria contratado hoje pelo serviço secreto britânico

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Características do personagem não correspondem às exigidas pelo MI6, para onde o espião 007 trabalha na ficção

As referências que encontramos em personagens do cinema podem não ser as melhores para quem deseja construir sua carreira. James Bond, por exemplo, não é modelo para um profissional que seria contratado pelo MI6, serviço secreto britânico. O motivo? Ele não dispõe de inteligência emocional.spectre-teaser-trailer-feature-bigger

Um dos traços marcantes de Bond é sua capacidade de trabalhar sozinho. O serviço de inteligência em empresas como o MI6, no entanto, requer profissionais que se adequam a equipes. E vale lembrar: eles não são espiões nem remotamente parecidos com o personagem.

Dois agentes do MI6, “Kamal” e “Kirsty” — nomes fictícios —, contaram aoThe Telegraph como é fazer parte do serviço secreto do país. Eles revelaram as características necessárias para atuar na área. Além de um indivíduo sociável, é preciso ser bom de lábia, já que uma tarefa fundamental é convencer pessoas do mundo inteiro a trabalhar para eles.007-700x357

“Nosso trabalho é encontrar pessoas com acesso a informações secretas e valiosas para o governo britânico. Minha tarefa é construir uma relação com esses indivíduos e obter as informações a que eles têm acesso, de forma segura”, disse Kamal.spectre_y2MHyOQ

Para não dizer que tudo é mera ficção, inventada lá atrás pelo escritor Ian Fleming, há pelo menos uma semelhança entre Bond e os agentes de carne e osso. Ou melhor, entre os atores que interpretam o 007 e eles. Todos atuam como se fossem personagens. “É uma das melhores partes do trabalho. É um teatro”, afirma Kamal.

12 filmes com cenas reais de sexo (que não são pornôs)

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Por Otavio Cohen.

A Wikipédia lista 113 produções mainstream de diversos países que contém pelo menos uma cena de sexo não-simulado. Nem todas os filmes são eróticos e nem todas as cenas de sexo são, de fato, sexy. Confira alguns exemplos:

Love (Gaspar Noé, 2015)
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O casamento de Murphy e Omi não é lá essas coisas. Interessante mesmo era a relação entre Murphy e uma antiga namorada, Electra. O filme conta, em flashbacks, toda a relação entre os dois, desde o momento em que se conheceram até o tumultuado fim da relação. Mas as cenas estão todas fora de ordem. Love chocou plateias por mostrar o nu masculino com naturalidade (fora de um contexto homoerótico) e ser lançado em 3D. Proibido para quem fica constrangido com facilidade.

Calígula (Tinto Brass, Giancarlo Lui, Bob Guccione, 1979)slide_452922_6067154_compressed
Conheça o imperador romano Calígula. Diz a história que o cara era bem excêntrico: casou-se com a irmã e nomeou um cavalo senador. O roteiro final tinha ainda mais bizarrices. Mas Bob Guccione queria ir além: contratou moças que tinham posado para a revista Penthouse (que ele mesmo fundou) para cenas de sexo e carregou a mão nos takes. O resultado é uma história interessante com closes e mais closes de sexo não-simulado entre uma cena e outra.

Nove canções (Michael Winterbottom, 2004)slide_452922_6067156_compressed
Ao longo de um ano, a relação entre o britânico Matt e a intercambista americana Lisa passa por altos e baixos, em meio a diversos shows de rock. A relação íntima é mostrada com bastante honestidade – e o orgasmo real mostrado na tela pode incomodar os mais tímidos.

The brown bunny (Vincent Gallo, 2003)
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A grande controvérsia desse filme está depois do meio do filme (spoilers!), quando uma das frequentes brigas entre o casal protagonista termina com a moça (Daisy, interpretada pela atriz indicada ao Oscar Chloë Savigny) fazendo sexo oral no rapaz (Vincent Gallo, que, além de atuar, também escreveu, produziu e dirigiu o filme). Quem não viu o filme não mede palavras para atacar a estratégia narcisista de Gallo em aparecer transando em cena. Mas Chloë Savigny já defendeu o colega, dizendo que o filme “deveria passar em museus”, de tão artístico.

Shortbus (John Cameron Mitchell, 2006)
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Sofia é terapeuta sexual, mas é incapaz de chegar ao orgasmo com seu marido. James, seu paciente, também não vai muito bem no quesito vida sexual. A partir da relação entre os dois protagonistas, diversos outros personagens são introduzidos na cena, tendo como pano de fundo uma espécie de clube sexual chamado Shortbus. O filme fez sucesso graças às cenas de sexo com contexto e à diversidade de personagens e orientações sexuais.

Um estranho no lago (Alain Guiraudie, 2013)slide_452922_6067162_compressed
Num lago frequentado por muitos naturistas gays, a relação entre três homens (sendo um deles um assassino) mistura drama, suspense e romance. As cenas de sexo ficam por conta dos diversos frequentadores do tal lago, que também é um lugar de pegação livre. As cenas explícitas foram estreladas por dublês de corpo.

Romance (Catherine Breillat, 1999)slide_452922_6067164_compressed
Um dos poucos filmes do tipo dirigidos por mulheres, Romance narra as aventuras sexuais de Marie, que deixa o marido de lado para explorar sua própria sexualidade ao lado de Paolo. Mas o cara, que é vivido pelo ator pornô Rocco Siffredi, é só o primeiro de uma série de amantes que Marie usa para compreender melhor seus próprios desejos.

Hotel Desire (Sergej Moya, 2011)slide_452922_6067166_compressed
Sexo também é arte. E uma boa evidência disso é este filme. Em 38 minutos, ele mostra o encontro íntimo entre uma mãe solteira que trabalha em um hotel e um hóspede cego. O sexo real entre os atores é bastante intenso, mas não lembra em nada os filmes pornográficos comuns.

Intimidade (Patrice Chéreau, 2001)slide_452922_6067168_compressed
Um casal que não se conhece se encontra uma vez por semana para encontros sexuais sem compromisso. Mas aí ele começa a ficar interessado demais na identidade da moça, e acabou-se o que era doce. O filme não chama tanta atenção pela cena de sexo não-simulado: a trama de suspense é envolvente e vai bem além do quase romance perigoso entre os protagonistas.

Anticristo (Lars von Trier, 2009)slide_452922_6067170_compressed
Anticristo é o anti-pornô: impossível não se retorcer com as poucas (porém muito intensas) cenas de sexo explícito. Na primeira delas (que acontece logo no início), um casal transa apaixonadamente enquanto seu filho, sem supervisão, cai de uma janela e morre. E o clima só piora. Von Trier, que dirigiu Ninfomaníaca anos depois, consolidou de vez sua fama de diretor controverso com esse lançamento, e ganhou vários inimigos entre os grandes críticos de cinema do mundo.

Lucia e o sexo (Julio Medem, 2001)slide_452922_6067172_compressed
Um dos melhores filmes desta lista, Lucia e o sexo é a história linear do casal formado por Lucía, uma garçonete, e Lorenzo, um escritor. Há inúmeras cenas sensuais (como o título entrega), mas o sexo pra valer acontece dentro de um filme pornô gravado por um dos personagens. Também tem espaço pra sexo explícito na “vida real” dos personagens.

Império dos sentidos (Nagisa Oshima, 1976)slide_452922_6067174_compressed
Uma ex-prostituta se torna alvo favorito de seu chefe. A relação, que começa abusiva da parte dele, torna-se obsessiva da parte dela. O ápice do filme acontece numa cena de sexo explícito que logo deixa de ser erótica. Sem dar muitos spoilers, podemos dizer que um dos personagens corta o mal pela raiz.

 

Sexo sempre serviu de inspiração para a arte. Foi assim com a pintura, com a arquitetura, com a música, com a escultura. Não houve motivos para que o tema não inspirasse também a sétima arte.

Ok, a gente sabe que provavelmente existem mais vídeos pornôs do que filmes “de verdade” no mundo. Mas o sexo também aparece nu e cru em filmes mainstream – esses que passam no cinema, com história, com personagens profundos, etc.

Não estamos falando aqui daquelas cenas de sexo meio escuras, obviamente simuladas, em que o máximo que aparece é um peito desnudo (geralmente feminino). Há milhares de grandes cenas do cinema com essas características. Estamos falando de sexo real, que os atores (ou dublês, em alguns casos) realmente transam diante das câmeras.

Algumas produções são bem difíceis de encontrar, mesmo por meios ilícitos. Mas, quem se interessar, não terá muitos problemas para encontrar os exemplos que separamos aqui. Spoiler: a linha entre a arte e a pornografia pode ser bem tênue.