Como atingir a concentração máxima num mundo cheio de distrações

Por Marco Cotas

Descubra o conceito de concentração máxima, apresentado no livro Deep Work, do professor norte-americano Cal Newport.

“Uma das capacidades mais importantes do ser humano está a tornar-se cada vez mais rara. Quem souber dominá-la conseguirá alcançar resultados extraordinários.” – Cal Newport

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Venho falar-vos sobre o conceito de concentração máxima, apresentado no livro Deep Work, do professor norte-americano Cal Newport. A ideia não é resumir o livro, mas, sim, dar a conhecer algumas das ideias nele apresentadas e que tanto podem ajudar quem estiver disposto a ouvi-las.

MAS, ANTES DE MAIS… O QUE É ISTO DA CONCENTRAÇÃO MÁXIMA?

A concentração máxima acontece quando te encontras num estado de foco tão elevado em que, naquele momento, apenas existem tu e o teu projeConcentracao-Maxima-Annie-Spratt_02to. Na prática, isto significa que as ideias e os pensamentos vão atingir um nível mais profundo e que vais usar 100% das tuas capacidades cognitivas para o trabalho em questão; no entanto, apesar de o conceito parecer simples, é necessária prática e uma grande força de vontade – estado alcançável por poucos.

Pensa comigo… Quando foi a última vez que te envolveste num projeto durante horas sem responder a um e-mail, abrir o Facebook ou ir “apenas um pouco” à internet? A verdade é que para a grande maioria é difícil recordar tais tempos, se é que alguma vez existiram.

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Todas estas distrações parecem inofensivas, mas sempre que as utilizas estás a desviar o foco do que realmente importa e quando voltares ao trabalho vais estar num nível de concentração inferior aquele que estavas anteriormente.

O PODER DA CONCENTRAÇÃO NA ECONOMIA ATUAL

Produzir conteúdo num estado de concentração máxima é cada vez mais valioso, porque tem vindo a tornar-se cada vez mais raro. Com a rapidez com que os conteúdos hoje em dia são criados, apenas os que realmente são bons vão durar mais do que alguns meses, dias ou horas. E, por esse motivo, é cada vez mais importante pensares em produzir em termos de qualidade em vez de quantidade – pensa no teu último tweet e quanto tempo terá demorado para a mensagem ser esquecida.

Atualmente, é espectável que respondas rapidamente aos e-mails, que trabalhes em constante interação e que tenhas uma vida social ativa. Exemplos disto são empresas gigantes como o New York Times, que pede aos seus redatores para terem uma presença no Twitter, ou o Facebook, que criou espaços abertos de trabalho que promovem o contato humano. Não querendo questionar estas políticas, merecem pelo menos uma reflexão sobre os efeitos produtivos que delas resultam, uma vez que dificultam ainda mais a existência momentos longos de trabalho num estado de concentração máxima.

3 ESTRATÉGIAS PRÁTICAS PARA AUMENTARES A TUA CONCENTRAÇÃO MÁXIMA

Planeia os teus períodos de distração: isto significa que, em vez de permitires a distração entrar na tua vida a qualquer momento, vais ter um período próprio de pausas para isso mesmo. O conceito é simples, não deixes a tua mente e as tuas ações irem “para onde o vento sopra no momento”.

Cria um ritual de concentração máxima: todos somos diferentes – cada um de nós tem os seus próprios ritmos e, portanto, momentos específicos do dia em que é mais produtivo. Torna-se mais fácil entrar no estado de concentração máxima tendo uma rotina criada, que deverá ser livre de distrações e proporcional ambientes em que consigas atingir níveis elevados de concentração. E lembra-te que o mais importante quando queres criar uma nova rotina é a consistência.

Aprende a desligar-te: para poderes, todos os dias, entrar num estado de concentração máxima tens de estar na tua melhor forma e, como tal, dormir bem. Assim, ao final de um dia de trabalho desliga-te dos problemas, do que te perturba e relaxa. Aprende a viver sem pensar no trabalho a partir de certas horas, e o resultado vai ser uma mente mais clara e focada no dia seguinte. Se ajudar, escreve mesmo o que tens para fazer no dia seguinte e grita “ACABOU O DIA!!!”, para que o teu cérebro perceba que a partir desse momento já não são bem-vindos pensamentos relacionados com o trabalho.

CONSIDERAÇÕES FINAIS

Nem todos temos a possibilidade de trabalhar num mundo sem distrações, mas a realidade é que o valor de conseguir trabalhar num estado de foco pleno é, cada vez mais, uma raridade no mundo atual e a tendência só tende a crescer. Por isso, quando aplicados, estas ideias de que te falei podem tornar uma mais valia e ajudar-te a sobressaíres e na sua área. Numa economia de conhecimento como aquela em que vivemos hoje, todas as ferramentas para potencializar a nossa produção são bem-vindas.

Se quiseres saber mais ao pormenor o que é concentração máxima, recomendo a leitura do livro que deu origem a este artigo: Deep Work, de Cal Newport.

(via Shifter)

“Não expressar emoções é o pior que podemos fazer a nós próprios”

Por Sofia Taveira

Quantas vezes já disse ou ouviu: era tão bom que existisse um botão on/off para as emoções? Na incapacidade de superarmos a nossa humanidade, existem outras atitudes que podem ser tomadas.

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Para construir relações felizes e saudáveis, é necessário acima de tudo permitir-se sentir, mas de uma forma mais consciente, e é aí que está o desafio, a dificuldade e o tal mecanismo que muitos procuram, acima de tudo porque os sentimentos não são algo palpável, sente-se mas não se vê.

A chave está mesmo em perceber a forma como nos sentimos e o porquê, e assim compreender as nossas ações, pensamentos e emoções.

Vamos lá analisar melhor isto.

1. Prestar atenção à reação física

Conhecer as nossas respostas físicas a uma determinada situação espoletada por uma emoção torna mais fácil controlar e prever essas mesmas reações, tornando-as menos relevantes ao longo do tempo. Fechar os olhos, respirar fundo e controlar a respiração, acalma o corpo e a mente, o que leva a que se sinta mais relaxado/a.

2. Substituir pensamentos negativos

Todos somos os criadores das nossas emoções, sendo estas resultado das nossas perceções através dos sentidos e dos nossos pensamentos. Tendo isto em conta, também percebemos que quem controla a nossa mente somos nós. Assim sendo, podemos transformar projeções negativas, substituindo-as por algo mais concreto e realista. Correlacionar o pensamento com a emoção que advém do mesmo permite-nos traçar um padrão e identificar comportamentos que são muitas vezes inconscientes.

3. Suprimir sentimentos

Não expressar emoções é o pior que podemos fazer a nós próprios, pois não estamos a ser honestos connosco. Mas muitas vezes é difícil encontrar as palavras certas no momento e até mesmo a coragem para o fazer. Se sentir que ainda não é capaz, então aquilo que sugiro sempre é escrever uma carta, onde nada fique por dizer ou por sentir, seja positivo ou negativo. Depois de a escrever releia, perceba o que sente. Tudo fica mais real. Depois então decida se a envia ou não.

4. A companhia contagia

De facto se estivermos perto de alguém que esteja a chorar, por empatia mesmo que inconscientemente, a tendência será sentir-se triste. Por outro lado, se estiver com alguém que se está a rir às gargalhadas, o mais certo é dar por si a sorrir sem sequer ter percebido. Assim, percebemos que os sentimentos são muitas vezes reações ao que se passa à nossa volta, por isso quanto maior consciência tivermos do nosso Eu, melhor poderemos observar o meio ambiente e ter um maior insight, percebendo que cada um tem o seu modelo do mundo, ou seja, o que o outro sente muito provavelmente pode não ser o mesmo que nós sentimos.

Concluindo, não existem sentimentos certos ou errados, a nossa perceção sobre os acontecimentos e as emoções adjacentes, não nos isolarmos da vida e expressarmos os sentimentos de forma mais consciente, é que nos torna mais capazes de lidar com as mesmas.

(via MAGG)

O surpreendente lado ruim de ser bonito

Por David Robson

É praticamente impossível para a maioria de nós imaginar que ser bonito demais pode ser algo negativo, a ponto de prejudicar vários aspectos da vida de alguém.

Mas para uma dupla de psicólogas da Universidade da Carolina do Norte em Charlotte, nos Estados Unidos, que analisaram centenas de estudos sobre o assunto realizados nas últimas décadas, a beleza traz suas maldições.

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Diante das evidências coletadas, Lisa Slattery Walker e Tonya Frevert perceberam que, de maneira superficial, a beleza é algo que carrega uma espécie de aura. “Quando vemos alguém com um atributo positivo, nosso subconsciente, por associação, acredita que aquela pessoa também tem outras qualidades”, explica Walker. “Isso é uma característica que identificamos nas primeiras interações de um bebê com o mundo”.

Para a Psicologia, essa associação intuitiva explicaria o fenômeno coletivo da premissa de que “tudo o que é bonito é bom”. Walker e Frevert descobriram uma grande quantidade de estudos que mostraram que alunos mais bonitos em escolas e universidades tendem a ser julgados por professores como os mais competentes e inteligentes – e isso se reflete em suas notas.

Além disso, a influência dessa premissa tende a aumentar com o passar dos anos. “Ocorre um efeito cumulativo: ao ser bem tratado, você se torna mais autoconfiante e tem pensamentos mais positivos e mais oportunidades para demonstrar sua competência”, afirma Frevert.

No ambiente de trabalho, seu rosto pode realmente selar o seu destino. Considerando-se todas as variáveis, foi descoberto que as pessoas mais atraentes tendem a ganhar melhor e a subir mais rápido na carreira do que aqueles considerados fisicamente pouco interessantes.

Um estudo feito com alunos de um curso de MBA dos Estados Unidos mostrou que a diferença entre os salários dos mais bonitos e dos menos atraentes do grupo variava de 10% a 15% – o que significa um acúmulo (ou perda) de até US$ 230 mil ao longo da vida laboral. “As vantagens de uma pessoa bonita começam na escola e a acompanham durante toda a carreira”, conclui Walker.

Ser bonito pode ajudar na carreira, mas mulheres tendem a ser vistas como menos competentes
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Até nos tribunais, a beleza parece exercer seu fascínio. Réus mais bonitos têm mais chances de obter penas mais leves ou até serem absolvidos.

Da mesma forma, se aquele indivíduo que entrou com o processo for mais atraente, é para ele que a balança da Justiça tende a pender, fazendo com que ganhe seu caso e consiga indenizações maiores. “É um efeito penetrante”, define Walker.

Prejudicial à saúde

Apesar de a beleza ser algo favorável na maioria das circunstâncias, há situações em que ela ainda atrapalha. Enquanto homens bonitos podem ser considerados bons líderes, certos preconceitos de gênero costumam atrapalhar as mulheres atraentes, diminuindo suas chances de serem contratadas para cargos mais elevados, que requerem autoridade.

E, como é de se esperar, os bonitões também são vítimas de inveja. Um estudo revelou que se você é entrevistado para um emprego por alguém do mesmo sexo, corre mais risco de não ser considerado para a vaga se o recrutador achar que você é mais bonito do que ele.

Mais preocupante ainda é o fato de a beleza poder prejudicar a saúde: as doenças são encaradas com menos seriedade quando afetam os bonitões. Ao tratarem de pacientes com dores, por exemplo, os médicos tendem a descuidar das pessoas mais bonitas.

A “bolha” criada em volta da beleza também pode criar um certo isolamento. Uma pesquisa americana mostrou que as pessoas tendem a se afastar quando cruzam com uma mulher bonita na rua – talvez em um gesto de respeito, mas tornando a interação mais distante.

“O fato de uma pessoa ser atraente pode transmitir uma noção de que ela tem mais poder sobre o espaço à sua volta, mas isso pode fazer com que os outros sintam que não podem se aproximar dela”, afirma Frevert.

Um exemplo interessante disso foi a recente informação, divulgada pelo site de encontros britânico OKCupid, de que pessoas que aparecem lindas em seus perfis conseguem menos pretendentes do que aquelas cujas fotos apresentam algumas imperfeições, e, portanto, são menos intimidadoras.

Pesquisas mostram que beleza pode intimidar e provocar inveja e isolamento
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Atalho ‘pouco confiável’

Por isso, como você pode imaginar, ser bonito ajuda, mas não é um passaporte carimbado para a felicidade.

Frevert e Walker, no entanto, enfatizam que as influências da beleza são superficiais e não estão arraigadas em nossa biologia, como alguns cientistas já sugeriram.

“Temos um conjunto completo de padrões culturais sobre a beleza que nos permite dizer se alguém é ou não atraente – e através dos mesmos padrões, começamos a associá-la com competência”, diz Walker.

De certo modo, trata-se de um atalho cognitivo para uma rápida avaliação.

“Assim como muitos dos outros atalhos que usamos, esse também não é muito confiável”, rebate Frevert.

E é relativamente fácil diminuir o impacto da beleza – por exemplo, se um departamento de recursos humanos recolher mais detalhes sobre a experiência do candidato antes de fazer uma entrevista, sem se deixar influenciar tanto por sua aparência.

Infelizmente, Frevert ressalta que concentrar-se demais na aparência também pode ser prejudicial se isso criar estresse e ansiedade – mesmo entre aqueles que já são abençoados com esse atributo. “Se você ficar obcecado com a beleza, isso pode alterar suas experiências e relações”, afirma ela.

(via BBC)

Por que não conseguimos nos lembrar de nossos primeiros anos de vida?

Por BBC

Faça um esforço e pense: qual é a primeira lembrança que você tem? E quantos anos tinha nesta época?

É bem provável que as recordações sejam de quando você tinha 3 ou 4 anos de idade no máximo. Por que não costumamos nos lembrar do que aconteceu no início de nossas vidas?

_95356811_gettyimages-144313396 O fenômeno tem um nome: amnésia infantil. “Nenhum de nós se lembra de algo anterior aos 2 ou 3 anos de idade. A maioria não se recorda de nada que ocorreu antes dos 4 ou 5″, diz Catherine Loveday, da Universidade de Westminster, no Reino Unido.

“A idade da primeira lembrança varia, mas, normalmente, pessoas se lembram de coisas como cair de bicicleta… momentos que foram importantes.”

A idade média de nossas primeiras recordações é 3 anos e 4 meses, mas, como Loveday destaca, há quem possa se lembrar de eventos anteriores. Afinal, uma criança de 2 anos de idade pode reconhecer pessoas e lugares – e isso requer memória.

Mas, neste caso, estamos falando da memória episódica, relacionada a acontecimentos autobiográficos – momentos, locais, emoções e outros dados de contexto – que podem ser evocados explicitamente.

Curva de esquecimento

Para explorar como nos recordamos, pode ser uma boa ideia começar pela forma como esquecemos. No final do século 19, o alemão Herman Ebbinghaus, pioneiro no estudo da memória, inventou um experimentos para testá-la.

Primeiro, aprendeu centenas de listas de palavras sem sentido. Depois, mediu quanto tempo levava para voltar a aprender as listas após períodos de tempo que iam de 20 minutos a um mês.

Todos nós temos momentos inesquecíveis guardados na memória

_95356567_gettyimages-545126744 Assim, ele chegou à conclusão de que nos esquecemos de forma totalmente previsível. A “curva do esquecimento” – batizada por ele – é exponencial: nos esquecemos mais intensamente de início e, depois, o processo se atenua.

Se, por exemplo, você estudou alemão no colégio e depois parou, notou que o número de palavras de que se recorda caiu rapidamente no primeiro ano, mas que, depois, o ritmo desse esquecimento foi caindo.

Outra coisa que Ebbinghaus descobriu foi que essa curva muda com a idade e que as crianças se esquecem mais rapidamente.

“O cérebro está se desenvolvendo rápido. O cérebro de um bebê de um ano tem mais conexões que em qualquer outro momento de sua vida”, explica Loveday.

“Uma das atividades necessárias para o funcionamento cerebral é a ‘poda’, ou seja, desfazer-se de algumas destas conexões, como se estivéssemos cortando uma árvore para que ela cresça mais saudável.”

Nesse processo, explica a especialista, possivelmente perdemos memórias. “Além disso, há cientistas que têm estudado a importância da linguagem, as palavras que nos ajudam a estabelecer memórias”, acrescenta.

“Eles dizem que não nos lembramos de coisas que envolvam um conceito específico até entendê-lo. Ou seja, uma memória que envolva uma bicicleta pode se fixar quando somos bem novos. Mas crianças não incorporam conceitos como desagrado ou insatisfação antes dos 5 anos, então, não nos lembramos de algo ligado a esses conceitos que tenha ocorrido antes dessa idade.”

Nossa memória se apaga em um ritmo previsível

_95356563_gettyimages-482074694 A ideia é que não codificamos uma memória antes de ter um conceito linguístico para cada dado específico.

Além disso, hoje sabemos que a região do cérebro conhecida como hipocampo é chave para codificar e armazenar a memória episódica, e o hipocampo não amadurece até uma fase posterior da infância.

Tudo isso afeta a capacidade do cérebro de reter essas primeiras recordações.

E quem se lembra?

Mas como explicar as memórias anteriores a essa idade?

“Minha memória mais antiga é de mim acordando no berço. Posso ver as cortinas amarelas e ouvir alguém no quarto ao lado fazendo barulho com água. A casa em que estou é uma da qual nos mudamos quando tinha dois anos, então, devo ter essa idade”, contou Vickey Swindales, em um projeto realizado pela BBC há alguns anos, com 6,5 mil pessoas.

Em “A Experiência da Memória”, os participantes responderam a um questionário do psicólogo Martin Conway, da City University of London, no Reino Unido, em que era pedido que descrevessem sua primeira lembrança e respondessem a outras perguntas, como a idade em que o fato ocorreu.

“Em minha primeira memória, estou dentro do que imagino ser um carrinho de bebê, com uma capota puxada. Tenho quase certeza que o céu estava azul, ainda que não conhecesse essa palavra… era muito pequena”, recordou-se a escritora A.S. Byatt.

Cerca de 40% dos participantes relataram lembranças de acontecimentos ocorridos quando tinham 24 meses, e 861 pessoas mencionaram memórias adquiridas antes de completarem 1 ano de vida. “Ficamos chocados”, diz Conway.

É possível nos lembrarmos de algo que ocorreu em nosso primeiro ano de vida? _95356156_gettyimages-109736135

O psicólogo diz que há até mesmo quem diga se lembrar de seu nascimento. Mas ele esclarece que isso não é possível.

“Uma pessoa pode se lembrar de fragmentos da infância porque sua mãe disse algo como: ‘Não se lembra que eu te levava para passear em um carrinho grande e verde?’. E a pessoa ‘lembra’ disso”, diz Conway.

“Mas o que ocorre é que a pessoa cria uma imagem mental do carrinho, e, aos poucos, isso se transforma em algo que você experimenta como uma memória, baseado no que a mãe disse e algum outro fragmento de memória.”

São as chamadas “memórias fictícias”. No entanto, Conway esclarece que “não podemos ter certeza de que essas memórias sejam falsas: não podemos descartar casos excepcionais. Mas, no geral, a probabilidade é muito alta de que não sejam verdadeiras”.

Não só quando somos pequenos

‘A memória é o que nos conecta aos outros’, explica a especialista

_95356158_gettyimages-563940683 Isso não quer dizer que as pessoas que dizem se lembrar de fatos do início de suas vidas estejam mentindo: alguns elementos de nossa memória são verdadeiros, mas é muito possível que tenhamos acrescentado informações ao longo de nossas vidas.

E isso segue ocorrendo depois: muitos de nós nos recordamos claramente de experiências com pessoas que não podiam estar presentes em determinados momentos. Ou temos certeza de que algo ocorreu para depois nos darmos conta do contrário. “Isso acontece com todo mundo”, diz Loveday.

“Todos fazemos isso, porque estamos construindo memórias com o que está à mão, e, às vezes, esses pedaços se desorganizam. Você se lembra de umas férias em família, e sua memória genérica inclui todos os seus irmãos. É assim que, quando se lembra de um momento específico, coloca todos na mesma cena, ainda que um deles não estivesse ali.”

Então, não podemos confiar em nossa memória? “Em termos gerais, podemos, como em aspectos ligados a onde vivemos e o que aconteceu. Mas, quando nos lembramos de momentos muito específicos, é inevitável que haja detalhes que não sejam 100% precisos”, afirma a especialista.

“Mas isso não importa: a memória não é importante porque é precisa. A memória é o que nos faz ser quem somos e nos conecta aos outros, assim, em certo sentido, as recordações que temos são as que precisamos para existir.”

(via BBC)

7 mecanismos cerebrais que criam memórias falsas em sua vida

Por MegaCurioso

O cérebro humano é uma máquina complexa e encantadora, e todos nós sabemos disso. Quando o que está em questão é o nosso órgão pensante, um dos assuntos que mais chamam a nossa atenção é a memória. É comum pensarmos nela como uma espécie de arquivo repleto de todos os momentos que já vivemos, e a coisa até pode ser colocada dessa maneira, sim, o que não significa dizer que memória é apenas isso.

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Ao contrário do que já chegamos a pensar diversas vezes, nossa memória não é uma espécie de filme que guardamos e, de vez em quando, assistimos novamente – pelo contrário: ela é uma série constantemente editada que pode estar enganando você. A seguir, confira sete formas encontradas pelo seu cérebro para que você tenha memórias falsas:

1 – Vieses de memória

Os inúmeros fatores que podem fazer com que uma pessoa se lembre ou se esqueça de determinados eventos são geralmente chamados de vieses de memória. Alguns vieses podem colaborar para que suas lembranças sejam fiéis ou não – confira os mais comuns a seguir:

Humor: Nosso cérebro adora memórias divertidas, e se algum acontecimento é engraçado, o mais provável é que você se lembre bem dele – acredita-se que isso aconteça pelo fato de que o humor é uma resposta emocional e, como tal, é mais facilmente recordado.

Nivelamento: É comum que os detalhes de algumas memórias sejam esquecidos. Às vezes, quando isso acontece, nossos cérebros trabalham de forma a enfatizar os detalhes dos quais nos lembramos, o que faz com que esses detalhes sejam a parte mais significativa de uma memória específica, ainda que originalmente não tenha acontecido assim.

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Positividade: Ainda não se sabe ao certo por que acontece, mas a verdade é que pessoas mais velhas tendem a ter mais memórias positivas do que negativas.

Efeito espacial: Algumas pessoas conseguem se lembrar melhor de alguns eventos quando estão expostas a períodos de tempo específicos, sabia?

Colisão remanescente: É o viés que faz com que algumas pessoas se lembrem mais dos eventos na adolescência ou na juventude do que daqueles de outros períodos.

2 – A memória-relâmpago

Acontece quando conseguimos nos lembrar do lugar onde estávamos ao ouvir determinados acontecimentos. Se você se lembra, por exemplo, do que estava fazendo e de onde estava quando soube dos ataques terroristas de 11 de setembro, essa sua memória já se encaixa aqui.

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Isso se dá porque, quando um evento é trágico e nos afeta, ainda que apenas emocionalmente, nosso cérebro cria memórias de forma diferente. Basicamente, é como se, no lugar de um filme, ele fizesse uma foto. Com o passar do tempo, como acontece com as outras memórias que cultivamos, essas lembranças vão se deteriorando, mas é possível que nos lembremos delas de forma vívida devido à ligação emocional.

3 – Memórias implantadas

Parece bizarro demais imaginarmos que seja possível IMPLANTAR uma memória na cabeça de alguém, mas não só isso acontece como é mais comum do que você imagina.

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A psicóloga Dr. Elizabeth Loftus já realizou inúmeros experimentos de memórias implantadas ao longo de sua carreira – só para você ter ideia, um estudo realizado com voluntários e psicólogos revelou que os profissionais conseguiram implantar uma memória falsa na mente dos participantes – alguns deles realmente acreditaram que, quando crianças, se perderam dentro de um shopping.

Em alguns casos, pacientes que se submetem a terapias psicológicas podem acreditar nos efeitos de alguma experiência traumática pela qual nem mesmo chegaram a passar.

4 – Sugestionabilidade

A sugestionabilidade é bastante parecida com a implantação de memórias, mas acontece de maneira diferente. Aqui as lembranças do que nunca aconteceu geralmente surgem em decorrência de um processo mais ativo, como quando alguém começa a fazer perguntas capciosas.

How Stuff Works contou as conclusões de um estudo realizado para comprovar o poder da sugestionabilidade. Em 2010, um grupo de indivíduos deveria contar suas lembranças relacionadas a quatro imagens específicas – detalhe: uma das imagens não tinha relação com qualquer possível evento real.

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Ao final do teste, os voluntários deveriam dizer do que lembravam com relação aos tais eventos. O resultado? As pessoas demoraram menos para lembrar os acontecimentos verdadeiros, mas, depois de um tempo, estavam certas de que se recordavam do falso evento também. O estudo sugeriu, ainda, que as pessoas tendem a criar memórias falsas com mais frequência quando o assunto é política – cof, cof.

5 – Exposição repetida

Mais um item que tem forte relação com o anterior – e com o anterior ao anterior também! Aqui a questão tem a ver com a sugestionabilidade novamente, de modo que, quando estamos expostos a algum tipo de informação em repetição, tendemos a criar falsas lembranças.

A noção de “exposição repetida” tem muito a ver com a máxima de que “uma mentira repetida mil vezes torna-se verdade”. Se alguém começa a fazer perguntas para você, é bem capaz que você “se lembre” de uma história que nem mesmo aconteceu.

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Um estudo realizado pela Kent State University expôs os voluntários a um vídeo de um assalto. Depois, eles responderam a algumas perguntas manipuladas, com sugestões equivocadas sobre o tema. Algumas dessas perguntas eram frequentemente repetidas.

Na sequência, os voluntários tiveram que dizer como tinham acesso a determinadas informações sobre o roubo. A maioria dos participantes afirmou que teve acesso a essas informações por meio do vídeo, mesmo quando não era isso que acontecia.

6 – Dèjà Vu

A sensação de dèjá vu é estranha e complexa: de repente, a pessoa sente como se estivesse vivendo uma experiência pela segunda vez, mesmo quando é óbvio que isso não é possível – como quando a pessoa visita uma cidade pela primeira vez e tem a sensação de que já esteve em um mesmo ponto turístico anteriormente.

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Esse fenômeno é produzido por nossa mente, que adora se lembrar de objetos, mas não das configurações ou da localização deles. Quer um exemplo da diferença entre memória e dèjà vu? Você percebe que seu amigo está usando uma jaqueta azul parecida com uma jaqueta do seu irmão, certo? O fato de que a roupa do seu amigo fez você pensar na roupa do seu irmão tem a ver com memória.

Agora, se você precisar descrever a ordem de organização dos remédios na prateleira de uma determinada farmácia, a tarefa vai ficar mais difícil. No entanto, se depois de pensar nas prateleiras você precisa ir até uma farmácia e acaba prestando atenção na disposição de remédios, é bem possível que você tenha essa sensação de familiaridade, de dèjà vu, de que já vivenciou aquilo antes.

7 – Filtros

Imagine que duas pessoas presenciam o mesmo acidente de trânsito, provocado por dois carros. Nos relatos à polícia, é bem possível que ambas as testemunhas prestem depoimentos diferentes, sabia? Enquanto uma das pessoas pode afirmar com certeza que o carro vermelho capotou cinco vezes depois de bater contra o carro azul, a outra testemunha pode enfocar no fato de que o motorista do carro vermelho estava usando o celular segundos antes do acidente.

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Essas diferenças de testemunhos acontecem porque cada uma dessas pessoas tem uma carga de experiências emocionais distintas. De repente, a testemunha que falou do celular pode ter vivido uma experiência negativa por causa desse tipo de imprudência; já a outra testemunha, como não vê problemas na mistura entre direção e WhatsApp (pois é, tem gente que não se tocou do óbvio ainda), ficou focada no choque entre os veículos e no acidente em si.

O fato é que cada indivíduo tem suas próprias narrativas pessoais que, por sua vez, se formam a partir de suas experiências, suas crenças e seus valores – a soma desses fatores acaba moldando a maneira como formamos nossas memórias.

Esse tipo de filtragem acaba às vezes sendo responsável por inconsistências em depoimentos de testemunhas sobre crimes e acidentes e, claro, por fazer com que as pessoas tenham noções equivocadas a respeito do que se lembram. De qualquer forma, é curioso reparar como nossas experiências pessoais interferem na construção das memórias que temos.

(via Mega Curioso)

Uma nova classe de pessoas deve surgir até 2050: a dos inúteis

Por Época Negócios

Com o avanço da inteligência artificial, Yuval Noah Harari, autor de ‘Sapiens’, prevê que muitos profissionais não apenas ficarão desempregados, como também não serão mais empregáveis

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Com o avanço da inteligência artificial, os humanos serão substituídos na maioria dos trabalhos que hoje existem. Novas profissões irão surgir, mas nem todos conseguirão se reinventar e se qualificar para essas funções. O que acontecerá com esses profissionais? Como eles serão ocupados? Yuval Noah Harari, professor da Universidade Hebraica de Jerusalém e autor do livro Sapiens – Uma Breve História da Humanidade, pensa ter a resposta.

Em artigo publicado no The Guardian, intitulado O Significado da Vida em um Mundo sem Trabalho, o escritor comenta sobre uma nova classe de pessoas que deve surgir até 2050: a dos inúteis. “São pessoas que não serão apenas desempregadas, mas que não serão empregáveis”, diz o historiador.

De acordo com Harari, esse grupo poderá acabar sendo alimentado por um sistema de renda básica universal. A grande questão então será como manter esses indivíduos satisfeitos e ocupados. “As pessoas devem se envolver em atividades com algum propósito. Caso contrário, irão enlouquecer. Afinal, o que a classe inútil irá fazer o dia todo?”.

Uma das possíveis soluções, apontadas pelo professor, são os games de realidade virtual em 3D. “Na verdade, essa é uma solução muito antiga. Por centenas de anos, bilhões de humanos encontraram significados em jogos de realidade virtual. No passado, chamávamos esses jogos de ‘religiões’”, afirma Harari. “Se você reza todo dia, ganha pontos. Se você se esquece de rezar, perde pontos. Se no fim da vida você ganhou pontos o suficiente, depois que morrer irá ao próximo nível do jogo (também conhecido como céu)”.

Mas a ideia de encontrar significado na vida com essa realidade alternativa não é exclusividade da religião, como explica o professor. “O consumismo também é um jogo de realidade virtual. Você ganha pontos por adquirir novos carros, comprar produtos de marcas caras e tirar férias fora do país. E, se você tem mais pontos que todos os outros, diz a si mesmo que ganhou o jogo”.

Para o escritor, um exemplo de como funcionará o mundo pós-trabalho pode ser observado na sociedade israelense. Alguns judeus ultraortodoxos não trabalham e passam a vida inteira estudando escrituras sagradas e realizando rituais religiosos. Esses homens e suas famílias são mantidos pelo trabalho de suas esposas e subsídios governamentais. “Apesar desses homens serem pobres e nunca trabalharem, pesquisa após pesquisa eles relatam níveis de satisfação mais altos que qualquer outro setor da sociedade israelense”, afirma Harari.

Segundo o professor, o significado da vida sempre foi uma história ficcional criada por humanos, e o fim do trabalho não irá necessariamente significar o fim do propósito. Ao longo da história, muitos grupos encontraram sentido na vida mesmo sem trabalhar. O que não será diferente no mundo pós-trabalho, seja graças à realidade virtual gerada em computadores ou por religiões e ideologias.

“Você realmente quer viver em um mundo no qual bilhões de pessoas estão imersas em fantasias, perseguindo metas de faz de conta e obedecendo a leis imaginárias? Goste disso ou não, esse já é o mundo em que vivemos há centenas de anos”.

(via Época Negócios)

Ler poesia é mais útil para o cérebro que livros de autoajuda, dizem cientistas

Por Marcelo Vinicius

Você já podia imaginar, mas agora está evidenciado cientificamente: ler poesia pode ser mais eficaz em tratamentos psicológicos do que livros de autoajuda. E mais: textos de escritores clássicos como Shakespeare, Fernando Pessoa, William Wordsworth e T.S. Eliot, mesmo quando de difícil compreensão, estimulam a atividade cerebral de modo muito mais profundo e duradouro do que textos mais simples e coloquiais.

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Um texto já publicado pela agência EFE, mas que poderia ser revisto, afinal estamos comentando sobre a velha história da análise crítica sobre Literatura tida como de qualidade e a Literatura tida como de entretenimento, e mais, auto-ajuda: a leitura de obras clássicas estimula a atividade cerebral e ainda pode ajudar pessoas com problemas emocionais, diz estudo.

Ler autores clássicos, como Shakespeare, Fernando Pessoa, William Wordsworth e T.S. Eliot, estimula a mente e a poesia pode ser mais eficaz em tratamentos do que os livros de autoajuda, segundo um estudo da Universidade de Liverpool.

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Especialistas em ciência, psicologia e literatura inglesa da universidade monitoraram a atividade cerebral de 30 voluntários que leram primeiro trechos de textos clássicos e depois essas mesmas passagens traduzidas para a “linguagem coloquial”.

Os resultados da pesquisa, antecipados pelo jornal britânico “Daily Telegraph”, mostram que a atividade do cérebro “dispara” quando o leitor encontra palavras incomuns ou frases com uma estrutura semântica complexa, mas não reage quando esse mesmo conteúdo se expressa com fórmulas de uso cotidiano.

Esses estímulos se mantêm durante um tempo, potencializando a atenção do indivíduo, segundo o estudo, que utilizou textos de autores ingleses como Henry Vaughan, John Donne, Elizabeth Barrett Browning e Philip Larkin.

Os especialistas descobriram que a poesia “é mais útil que os livros de autoajuda”, já que afeta o lado direito do cérebro, onde são armazenadas as lembranças autobiográficas, e ajuda a refletir sobre eles e entendê-los desde outra perspectiva.

“A poesia não é só uma questão de estilo. A descrição profunda de experiências acrescenta elementos emocionais e biográficos ao conhecimento cognitivo que já possuímos de nossas lembranças”, explica o professor David, encarregado de apresentar o estudo.

Após o descobrimento, os especialistas buscam agora compreender como afetaram a atividade cerebral as contínuas revisões de alguns clássicos da literatura para adaptá-los à linguagem atual, caso das obras de Charles Dickens.

(via Obvious)

Procrastinação: o hábito diário de adiar a própria vida

Por André Cabette Fábio

Adiar cotidianamente responsabilidades pode fazer com que você chegue 20 minutos mais tarde no trabalho todo dia ou atrasar por anos a entrega de uma dissertação

“Eu atraso todos os dias no trabalho. Faço pequenas coisas aleatórias que demoram de 5 a 10 minutos. Na internet. No banheiro. Na cozinha. Deus sabe o que acontece, mas todo dia eu chego no trabalho 9h20. E isso ocorre há anos”

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Esse post anônimo do fórum de discussões Reddit resume um problema enfrentado por muita gente na batalha diária entre trabalho e atividades paralelas, como discussões no Facebook, jogos on-line, um pulo naquele encontro de amigos e devoradores de tempo em geral: a procrastinação.

A palavra quer dizer adiamento, delonga. Para quem sofre com o problema cotidianamente, em geral consiste em trocar a execução de uma tarefa importante, mas pouco prazerosa, por pequenas distrações.

O hábito de perder o horário para o trabalho, apesar de ter consciência sobre o sofrimento que essa atitude pode gerar, mostra como pode ser difícil deixar de procrastinar.

A prática pode servir para adiar atividades mais prosaicas, como arrumar o quarto ou responder a um e-mail. Mas também outras mais relevantes, como terminar um relacionamento, escrever a dissertação de mestrado ou dar os passos para mudar de carreira.

Além do estresse cotidiano de chegar atrasado, a procrastinação pode tornar irrealizáveis atividades complexas que exigem constância e persistência, como aprender a tocar um instrumento, ou finalizar um livro.

Os resultados são: frustração, baixa autoestima e uma gaveta abarrotada de projetos não realizados.

De onde vem a procrastinação?

De acordo com o professor Hélio Deliberador, do departamento de psicologia social da PUC (Pontifícia Universidade Católica) de São Paulo, a procrastinação vem da dificuldade de elencar e agir de forma prática de acordo com prioridades. Essa dificuldade é agravada pela oferta de distrações do mundo digital.

“Esse adiamento constante é um mal de nosso tempo, onde as pessoas têm várias maneiras de se perder. Elas deixam de fazer um planejamento adequado de suas vidas e se perdem em atividades secundárias”

Hélio Deliberador
Professor do departamento de psicologia social da Pontifícia Universidade Católica

Medo de falhar

Procrastinadores perfeccionistas

Uma causa de fundo constantemente associada à procrastinação é o medo de falhar. Segundo a psicóloga Sally-Anne McCormack, esse é o motivo pelo qual perfeccionistas são com frequência procrastinadores.

“Perfeccionistas são grandes procrastinadores porque querem que tudo seja perfeito. Vão evitar realizar uma tarefa para a qual tiveram duas semanas até a noite anterior ao fim do prazo, para poderem dizer: ‘claro que eu não consegui um resultado 100%. Eu não tive tempo o suficiente para fazê-lo’”

Sally-Anne McCormack
Psicóloga

Procrastinador indeciso

Outro perfil comum de procrastinador é o procrastinador indeciso: aquele que adia, de propósito, a tomada de uma decisão. De acordo com Joseph D. Ferrari, psicólogo da universidade de DePaul, em Chicago, e autor de livros sobre a procrastinação, a indecisão é outra forma de justificar um fracasso.

“Claro que compilar fontes de informação é útil e produtivo, mas algumas pessoas parecem ser incapazes de tomar decisões – esses são os procrastinadores mais sérios. Eles deixam que outros decidam por eles, para que não haja culpa a ser atribuída a eles”

Joseph Ferrari
Professor de psicologia adaptativa da DePaul University, em Chicago e autor de livros sobre a procrastinação

Culpa e estresse

Pequenos prazeres, como assistir a uma série na Netflix ou conversar com amigos no Facebook, evitam momentaneamente o estresse. Mas de forma parcial.

Em geral, o procrastinador sabe que está apenas desviando do trabalho da faculdade, da noite de estudos ou do processo de se arrumar para o trabalho e se sente culpado por isso.

Mesmo na hora em que são vividos, esses prazeres são maculados pelo remorso.

Para quem se atrasa constantemente com a procrastinação, o sentimento é de que o tempo não basta. De que a vida é uma correria constante.

No longo prazo, o sofrimento é maior, seja por entender que o tempo foi desperdiçado em uma tarefa improdutiva e pouco prazerosa, seja pelo estresse de não entregar o trabalho exigido.

“Muitos não veem a procrastinação como um problema sério, mas como uma tendência comum a ser preguiçoso ou ocioso. Mas é muito, muito mais. Para os procrastinadores crônicos, não é uma questão de administração de tempo – é um estilo desajustado de vida”

Joseph Ferrari
Professor de psicologia adaptativa da DePaul University, em Chicago e autor de livros sobre a procrastinação

Como lidar com a procrastinação

Para mudar seus hábitos, o procrastinador precisa treinar a própria mente a encarar as coisas de uma outra forma, um processo que pode demorar meses.

“Você literalmente tem que treinar a sua mente a lidar com as coisas de uma forma diferente do seu padrão – então você tem que estar preparado para realizar esse investimento”

Guy Wich
Psicólogo e autor de ‘Primeiros-socorros emocionais’

Buscar um psicólogo ou um psiquiatra são recomendáveis para os casos de procrastinadores crônicos, afirma Deliberador, da PUC. Segundo Sally Anne McCormack, quem deseja parar de procrastinar deve:

Para deixar de adiar

EVITAR DISTRAÇÕES
Uma boa forma de evitar procrastinação é evitar distrações. Se for estudar, limpe sua mesa e se comprometa a não fazer paradas para um lanche, por exemplo. Se for difícil criar um ambiente para a concentração em casa, vá para outro local, como uma biblioteca pública, por exemplo

DIVIDIR SEUS PROBLEMAS
Um dos motivos pelos quais procrastinadores adiam vem do fato de imporem a si mesmos desafios grandes demais para abordar. Uma boa forma de lidar com esses desafios é dividi-los em pequenas etapas. Escrever uma dissertação é uma tarefa menos assustadora quando pensamos em um número de páginas por dia

ADOTAR PRAZOS
Trabalhos escolares ou a declaração do Imposto de Renda têm prazos bem definidos, mas muitas outras tarefas pequenas, não. Se você tem um e-mail que precisa responder, ou precisa arrumar o seu quarto, defina um prazo final e se atenha a ele

(via Nexo)

Pessoas que falam palavrão são mais felizes, íntegras e têm QI mais alto, sugerem estudos

Por Paulo Nobuo

Você pode até julgar e olhar feio para pessoas que falam palavrões constantemente, mas saiba que elas podem ser mais íntegras, inteligentes e felizes do que você. E quem diz isso, acredite, é a ciência.

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Pessoas que falam palavrão são mais inteligentes

Um estudo realizado em 2015 descobriu que indivíduos que têm o hábito de falar palavrão apresentam um Q.I. maior. Conseguir distribuir xingamentos pelo maior número de vezes em um intervalo de um minuto estava ligado a uma pontuação mais elevada em um teste de Quociente de Inteligência.

Isso porque, de acordo com a pesquisa, um vasto vocabulário de palavrões seria sinal de força retórica, ou seja, boa capacidade de argumentação e formulação de ideias. O mesmo levantamento mostrou que quem é bagunceiro e dorme tarde também tinha melhores avaliações nos testes.

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Quem fala palavrão é mais honesto e íntegro

De acordo com uma pesquisa feita com 276 participantes, pessoas que falam palavrão são mais honestas e íntegras do que aquelas que não costumam usar palavras chulas no cotidiano.

O levantamento observou que as pessoas tendem a falar palavrões mais como uma forma de se expressar do que uma maneira de prejudicar o próximo e que a honestidade foi associada a níveis mais altos de xingamentos nos experimentos realizados com os voluntários.

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Pessoas que xingam são mais felizes

Por fim, é possível dizer com base em um outro trabalho científico, que falar palavrão faz com que uma pessoa seja mais feliz no geral. Isso porque o hábito tem efeito direto no alívio de dores, favorece a expressão de sentimentos, promove conexões sociais e melhora da saúde física e mental.

Segundo o estudo, xingar melhora a circulação sanguínea, eleva a liberação de endorfinas e promove sensação de calma, controle e bem-estar.

(via Vix)

Receber uma mensagem de “obrigado” faz muito bem, diz estudo

Por Galileu

Pesquisadores afirmam que as pessoas enviam poucas notas de gratidão por medo de serem analisadas ou parecerem falsas

Uma nova pesquisa mostrou que receber notas, e-mails e cartas de agradecimento é capaz de te deixar mais entusiasmado. O estudo, liderado por dois psicólogos, ainda sugere que as pessoas subestimam o efeito de enviar mensagens dizendo “obrigado”, pois desconhecem o quão bem isso pode fazer.

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“Elas acham que não vai ser um grande negócio”, disse Amit Kumar, professor da Universidade do Texas, nos Estados Unidos. O relatório também aponta que as pessoas acabam acreditando que um agradecimento pode parecer falso e desonesto, além de considerar que o receptor poderá ficar desconfortável.

Outro fator levado em consideração é a letra e forma de escrever: muitas pessoas acham que ao elaborar uma carta falando “obrigado” sua escrita será examinada. Kumar e Nicholas Epley, da Universidade de Chicago, nos EUA, descobriram que quem recebe as mensagens não se importa como as cartas são feitas, mas sim com seu conteúdo.

Publicado na revista Psychological Science, o estudo busca preencher um buraco de pesquisas no campo da gratidão. Para a análise, 100 participantes foram orientados a escrever uma breve mensagem de gratidão para alguém que tivesse os afetado de alguma forma. Os pesquisadores os encorajaram a mencionar que um estudo havia estimulado a escrita das notas.

Kumar observou que a maioria do grupo levou menos de cinco minutos para escrever. Ainda assim, o psicólogo constatou que muitos ficaram preocupados com o fato de os destinatários se sentirem desconfortáveis ao receber os textos com elogios e agradecimentos.

Quem recebeu as mensagens teve que responder um questionário para dizer como se sentiram. Muitos afirmaram que estavam “maravilhados”, além de marcarem 4 na classificação de felicidade que ia de 1 a 5. Em média, as pessoas que fizeram as notas estimaram que a nota recebida seria 3.

Para Kumar, as pessoas tendem a subestimar o efeito positivo que elas podem ter sobre os outros com um pequeno investimento de seu tempo que é de escrever “obrigado”.

(via Galileu)