Deuses do Estádio 2019: músculos, esporte e mitologia grega

Por Avai Nunes 

A edição de 2019 do calendário mais sulfuroso do mundo esportivo foi divulgada oficialmente. No programa? Jogadores de rúgbi revisitam a mitologia grega. Redescubra-os nas fotos.

O fotógrafo Ludovic Baron assina o calendário dos Deuses do Estádio de 2019 e imortaliza cerca de vinte jogadores de rugby que não escondem muito de seus ativos. De volta às fontes do calendário alcançado pela 18ª vez consecutiva pelo Stade de France, um clube do rugby com sede em Paris. Os atletas se revelam como deuses do Olimpo e continuam a elevar a temperatura.

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Redescubra Clement Daguin em Eros (deus do amor), Djibril Camara em Príapo, Thomas Combezou em Dionísio, Giovan Battista Venditti em Zeus e Atlas, Jean-Pascal Barraque em Morpheus e Hades, Xavier Mignot em Herakles, ou Sofiane Guitoune, Arthur Bonneval ou Kylan Hamdaoui, o novo recruta no Stade de France Paris. Sem mais delongas, aqui estão as fotos nuas dos atletas.

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(via Dieux du Stade)

Fortes, livre e suicidas: Sebastião Salgado fotografa os Suruwaha na Amazônia

Por Leão Serva

Suruwaha - Expedição do fotógrafo brasileiro documenta os índios suruwahas, que vivem sem cacique ou qualquer outra hierarquia em uma pequena comunidade isolada no sul do Amazonas, onde produzem toda sua comida, cultivam o vigor físico e preservam tradições –como a de usar poções venenosas para caçar, pescar e morrer jovem.

Eles são 154 pessoas e sua população segue crescendo (eram cem nos anos 1980). Com a saúde exuberante, produzem todos os alimentos que consomem e têm grande orgulho de suas técnicas de agricultura, particularmente apuradas. Para caçar, usam armas tradicionais, o arco e a zarabatana, com que atiram setas de ponta envenenada. São mestres no uso de poções. Não têm caciques, mas os grandes caçadores, sempre reconhecidos pelo número de antas que mataram, são prestigiados, considerados “madi iri karuji”, ou “pessoas de valor”.

Kwakway leva cesto cheio de massa de mandioca ao igarapé Pretão, ajudado por Baxihywy e Warubi
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“Os suruwahas representam para mim aquilo de mais próximo ao que Pedro Cabral deve ter visto ao chegar ao Brasil” Assim Sebastião Salgado define sua impressão após a expedição fotográfica de 25 dias que realizou à terra indígena.

A comunidade está localizada no sul do estado do Amazonas, entre igarapés da bacia do rio Purus. A área fica a cinco dias de barco da cidade de Lábrea (850 quilômetros a sudoeste de Manaus).

“Eles escolheram viver em estado de quase total isolamento e mantêm suas práticas e a expressão visual de sua tradição cultural muito preservadas. É muito impactante. Vê-los, ao chegar, me causou uma emoção muito grande”, acrescenta o fotógrafo, que ao longo das últimas décadas visitou alguns dos lugares e povos mais isolados da face da Terra.

Após contatos trágicos com outros índios e brancos na segunda metade do século 19, os suruwahas (pronuncia-se “suru-uarrás”) se retiraram para o fundo da floresta e lá ficaram isolados até o início dos anos 1980.Na época, pescadores, caçadores e seringueiros ameaçavam a área onde havia sinais da presença de índios.

Indigenistas do Cimi (Conselho Indigenista Missionário, ligado à Igreja Católica) fizeram contato com os suruwahas e, então, iniciou-se o processo oficial de reconhecimento da terra indígena, que foi homologada pela União em 1991.

Depois de um breve período de convivência com duas instituições religiosas -o Cimi e a evangélica Jocum (Jovens com uma Missão) -, desde o início dos anos 2000 os índios passaram a se beneficiar da chamada política do não contato.

A Coordenadoria de Índios Isolados ou de Recente Contato da Funai (Fundação Nacional do Índio) mantém apenas um posto que fica a mais de sete horas de viagem, por barco, da aldeia. Quando autorizado pela Funai, um visitante precisa, antes de ir até lá, fazer uma quarentena de 12 dias no posto da entidade para comprovar que não possui doença que possa contaminar os índios.

Apesar da distância, esse grupo frequenta o noticiário e é alvo de estudos acadêmicos por uma característica cultural geralmente chocante para um não suruwaha: a ocorrência frequente de suicídios, provocados com o uso do timbó, veneno usado por outros povos apenas para pesca. Essa tem sido a principal causa de mortes entre eles. A fama dessa ocorrência os levou a serem chamados de “os índios do veneno”.

A jovem Hatiri se banha no rio. Foto: Sebastião Salgado
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Antropólogos, indigenistas e missionários se debruçaram sobre o tema sem uma conclusão sobre as causas desse comportamento e sem conseguir eliminar os casos – que, no entanto, têm diminuído.

A maior parte dos suicídios ocorre entre pessoas na faixa de 14 a 28 anos, em pleno vigor físico.

Contribui para isso sua mitologia. Os suruwahas acreditam na existência de três céus ou planos para os quais a pessoa ruma após a morte.

“Desses céus, aquele onde a vida é mais favorável é o que reúne os que morrem fortes e saudáveis, em vez dos dois outros: o que reúne os picados por cobra e aquele para onde vão os que morrem depois de velhos”, conta Salgado.

Os suruwahas são também uma sociedade anárquica. Não têm líderes, não têm chefia. ”Kwakway é o mais respeitado, dono da maior maloca, parte de uma família numerosa. Mas isso não dá a ele um papel de ‘chefe’”, explica.

O igualitarismo radical faz com que não haja entre os índios autoridade com mandato para cercear ou censurar alguém. As decisões de interesse comum são tomadas à noite, depois da comida, em conversas abertas. Atitudes pessoais são responsabilidade dos indivíduos: o grupo pode criticar alguma ação isolando seu autor, deixando de falar com ele. Mas não há punições.

Índios suruwahas participam de pescaria coletiva no igarapé Pretão, durante verão amazônico, quando as águas dos rios baixam. Foto: Sebastião Salgado
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Comunidade atual é resultado da mistura de grupos sobreviventes

A imagem de isolamento que tanto impactou o fotógrafo Sebastião Salgado ao encontrar os suruwahas é consequência da história intensa e trágica que esse grupo viveu a partir da segunda metade do século 19.

Após meio século de epidemias e de um massacre, que quase os exterminou completamente, os suruwahas fugiram para o fundo da floresta, no início do século 20, onde vivem isolados nas terras altas até hoje.

A partir de relatos de memórias que foram passados de geração a geração ao longo dos últimos 150 anos, é possível saber que, por volta de 1880, eles mantiveram intercâmbio de produtos com outros índios ou com brancos, de quem adquiriam utensílios industrializados.

A jovem Juwawi, com pintura de onça no rosto, carrega seu bebê em uma tipoia sobre a cabeça. Foto: Sebastião Salgado
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As ferramentas de metal, como machados e facões, tinham se tornado habituais entre os índios. Esses instrumentos causaram verdadeira revolução em suas técnicas.

A antropóloga Adriana Huber Azevedo, que trabalhou com os suruwahas entre 2006 e 2011, explica que os instrumentos transformaram a agricultura deles, como na abertura de roças, e que os índios passaram a depender dessas ferramentas.

Naquele fim de século 19, o modo de vida era bastante diferente. Divididos em vários grupos de língua semelhante (chamados ”dawas”), os indígenas viviam espalhados em um vasto território, do qual a terra atual é só uma pequena fração.

Eram ao menos 11 grupos originais, que habitavam em torno dos rios Cuniuá, Tapauá e Purus. Cada um era identificado pelo lugar em que morava: jokihidawas (que já viviam onde todos estão hoje), tabosorodawas, adamidawas, nakydanidawas, sarakoadawas, yjanamymadys, korobidawas, masanidawas, ydahidawas, zamadawas e um grupo chamado suruwaha.

Esses antigos suruwahas e os masanidawas se relacionavam com seringueiros.

Na proa da canoa, Bahahai pesca, à frente dos irmãos, Tiau (também com um peixe) e Hugi, da mãe, Xiriaki, e do pai, Ikiji. Foto: Sebastião Salgado
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Segundo contam, esse tempo de contato com outros povos trouxe grandes epidemias de gripe. Os diversos grupos se afastaram das margens dos grandes rios, como o Purus, subindo por seus afluentes para tentar evitar as doenças. “É provável que eles participassem de festas e de encontros com outros povos, quando buscavam obter ferramentas de metal. Mas pegavam gripe e morriam. Podemos relacionar isso ao início do ciclo da borracha, na segunda metade do século 19”, afirma a antropóloga Adriana.

A população de muitos grupos indígenas foi drasticamente reduzida nesse período. Os suruwahas originais desapareceram. As epidemias, porém, não abateram tanto a população dos jokihidawas, que viviam às margens do igarapé Pretão.

Os sobreviventes de outros grupos indígenas buscaram como refúgio aquela região do igarapé Pretão, chamado de Jokihi (o nome jokihidawa quer dizer “povo do Jokihi”) e que integra a bacia do rio Purus.

No auge desse processo de epidemias, ocorreu um grande massacre, por volta de 1920, quando mais um grupo de índios foi dizimado.

Em suas narrativas, os suruwahas atribuem essa violência a um povo que eles chamam de jakimiadi e descrevem como canibais que usavam roupas e atacavam com armas.

“É muito difícil saber quem os massacrou. Mas não eram pessoas de sua etnia, porque tinham nomes estrangeiros”, diz a antropóloga.

Quando isso aconteceu, os suruwahas, destruídos pelas epidemias, somavam poucos indivíduos. Os sobreviventes foram encontrados por remanescentes dos outros grupos, que já viviam juntos como forma de sobreviver à dramática redução populacional. Assim, no começo dos anos 1930, os índios dos vários grupos de língua arawá da região se refugiaram no território dos jokihis, onde estão até hoje.

No kunaha, acampamento de pesca, Bambuhwa segura folha de caranaí e moqueia peixes, ao lado de Xamuwa. Foto: Sebastião Salgado
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Ali, numa área de floresta densa, distante de todos os grandes rios da região, conseguiram viver em isolamento quase completo por cerca de 60 anos, às margens de igarapés como Riozinho e Pretão. Perderam o acesso a instrumentos de metal, mas deixaram de contrair doenças.

Recuperaram a saúde, constituíram um modo de vida ao mesmo tempo tradicional e novo e formaram uma só comunidade a partir da mistura de várias etnias, uma federação dos antigos dawas.

Eles passaram a viver juntos, mas não adotaram um nome comum, cada um se identificava como membro de seu grupo original.

No início dos anos 1980, surgiram novas ameaças de presença de não índios, que poderiam levar doenças à comunidade. Indigenistas do Cimi fizeram então o contato. Quando os primeiros integrantes do conselho chegaram, dois jovens disseram: “Somos suruwahas”, referindo-se ao dawa já dizimado. Embora fosse brincadeira, o nome colou.

Segundo o antropólogo Miguel Aparício Suárez, em sua dissertação de mestrado “Presas do Timbó” (2014), o fato de o nome ser de um grupo inexistente facilitou a sua adoção como denominação comum.

Alguns indivíduos ainda se identificam pelo nome de origem. Mas indigenistas, Funai e outros índios passaram a chamá-los de suruwahas.

A referência precisa a datas é uma característica peculiar dos suruwahas. Nem todos os povos indígenas lidam do mesmo jeito com a história. É graças a essa memória prodigiosa que sua trajetória pôde ser remontada a partir do século 19. “Os ianomâmis não usam os nomes dos mortos, o que torna mais difícil entender o passado e reconstituir a ordem dos fatos”, compara Adriana.

Os índios Uhwi, Niaxixibu, Bibi, Giani e Hymanai, do grupo suruwaha, na beira do igarapé Pretão, que banha sua terra, localizada no sul do Amazonas. Foto: Sebastião Salgado
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No caso dos suruwahas, sua memória é bastante precisa até 1880”, diz ela, que é autora da tese de doutorado “Pessoas Falantes, Espíritos Cantores, Almas-Trovões”, sobre os suruwahas. Daquele momento para trás, as narrativas parecem se misturar com um tempo mítico.

O relacionamento dos suruwahas com a sociedade é marcado por ambiguidade, ao mesmo tempo há atração e repugnância, como fica claro no depoimento de Adriana Huber Azevedo: “Se a palavra tradição é sinônimo de autonomia econômica, eles são muito tradicionais, porque nunca foram monetarizados”.

Até hoje, eles produzem toda a sua alimentação e grande parte dos utensílios que usam. “Não passa pela cabeça dos suruwahas viver como nós, mas querem ter coisas nossas. E o sentido que veem em se relacionar com a nossa sociedade está em que podemos lhes fornecer facas, machados, lanternas, roupas para caçar em meio aos piuns e linha para fazer tangas”, diz a especialista.

Quase todos os membros do grupo já passaram meses em cidades como Lábrea ou Manaus, no estado do Amazonas, para fazer tratamento de saúde, segundo Adriana. “Todos dizem que odeiam cidades e jamais viveriam nelas.”

Eles tomam seu veneno no rio e correm para morrer em casa

Uma das marcas culturais mais impactantes dos índios suruwahas é o suicídio. Pessoas saudáveis e fortes provocam a própria morte ingerindo timbó, o veneno que outros povos só usam para capturar grandes quantidades de peixe. Ocorrem dois a três casos por ano, em média, tanto de homens como de mulheres, a maioria entre jovens de 14 a 28 anos. A prática reduz a taxa de crescimento do grupo a 1,9% ao ano, apesar da alta taxa de natalidade (4% ao ano). O autoenvenenamento é a causa de 60% dos óbitos.

Quando os índios percebem que um indivíduo tomou a poção, tentam fazê-lo vomitar, mas, frequentemente, a salvação já não é possível. O líquido tóxico é ingerido na floresta, longe dos olhos da comunidade. O índio se envenena e espera antes de voltar para casa – correndo, já que tem que morrer na maloca.

“Se a pessoa toma veneno, vai para casa e morre no caminho, ela não vai para a casa dos valentes no outro mundo, o céu que eles querem atingir. Então, tem que ter um cálculo preciso de quando tomar o timbó e quando ir para casa, para não morrer antes nem chegar quando ainda dá para evitar a morte pelo vômito”, comenta Sebastião Salgado.

O menino Huwaxi entre dois fardos de casca de árvore usada para fazer redes, cordas e tipoias nas quais as índias carregam os filhos. Foto: Sebastião Salgado
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Embora frequente, a perda de um membro da comunidade é sofrida, provoca nos outros a sensação de ter falhado no salvamento. Ainda mais quando se trata de pessoa influente, um caçador de sucesso.

“Não aconteceu nenhum caso enquanto eu estava lá. Eu deveria ter ido no ano anterior, mas houve o suicídio de alguém muito querido. Como eles ficam muito chateados nessas situações, não seria boa época para irmos”, conta o fotógrafo.

O suicídio pode ocorrer porque a pessoa está deprimida, por uma morte em família, porque algo deu errado. A pessoa, triste ou envergonhada em consequência de um desentendimento, se mata. “Mas pode acontecer também porque está muito feliz, como se quisesse congelar esse sentimento”, conta Salgado.

O suicídio está imbricado na cultura dos suruwahas desde antes da fase mais recente de contato, nos anos 1980. Os próprios indígenas descrevem o momento em que eles passaram a adotar a prática do autoenvenenamento, segundo a antropóloga Adriana Huber Azevedo.

“Eles contam que a primeira pessoa que tomou o timbó foi um homem chamado Dawari, bisavô de uma mulher da comunidade atual. Isso aconteceu em torno de 1930, quando já estavam todos vivendo na área de isolamento.”

Segundo a estudiosa, a técnica de ingestão do timbó já era conhecida pelos suruwahas desde o século 19, quando eles tinham contato intenso com outro grupo da região, os katukinas. Mas eles só começaram a praticar o ato quando remanescentes dos diferentes grupos (”dawa”) passaram a viver juntos, no século 20.

Com o corpo pintado de urucum, Gianzubuni segura as armas de caça dos suruwaha: na mão e no ombro direitos, uma zarabatana e a aljava com os dardos de ponta envenenados; na mão esquerda, um arco. Foto: Sebastião Salgado
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Antes da fusão, os conflitos eram resolvidos no universo simbólico, pela intervenção de xamãs. Eles atribuíam os problemas de uma pessoa a feitiços feitos por alguém de outro grupo. Uma pessoa que se achava vítima de feitiçaria apelaria a seu pajé para devolver o ataque. Vivendo juntos em uma mesma maloca, esses atritos passaram a ser represados, o xamanismo perdeu a função de mediação, as relações interpessoais se tornaram diretas.

A partir desse momento, acredita a antropóloga, as pessoas passaram a manifestar a reação a conflitos pela ingestão de timbó. Sua interpretação é que o objetivo não é a morte, mas a resolução do conflito: “Cerca de 80% dos casos são resolvidos pela intervenção da comunidade, evitando a morte”, explica.

Os suruwahas são conhecidos pela habilidade de manipular poções. São apelidados “índios do veneno”, o que desperta temor em outros grupos e mesmo entre indigenistas. As principais poções que usam na pesca e na caça são o timbó e o curare.

O timbó é usado por diversas etnias para a pesca na época da seca, quando os rios baixam e ficam empoçados. Os suruwahas o extraem da raiz de uma planta (Lonchocarpus nicou) que produz um líquido leitoso. Jogado na água, ele atordoa os peixes deixando-os paralisados, na superfície. O efeito desaparece em minutos e não afeta o alimento.

O curare, conhecido como “veneno de flecha”, é usado para caça, na ponta de setas grandes, disparadas com arco, ou pequenas, sopradas com zarabatana. É produzido a partir de cipós que precisam ser cozidos. O efeito dessa poção também é paralisante e o animal atingido perde a capacidade de fugir.

Os suruwahas caçam macacos e aves com zarabatana e outros animais, maiores, com arco.

No princípio, Aji Marihi (deus ou herói criador) criou um povo de homens poderosos, chamados saramadys. São os ancestrais dos suruwahas, segundo sua mitologia. Eles aprenderam todas as habilidades necessárias para a vida: caçar, pescar, construir casas, produzir venenos, fazer a roça, plantar. As mulheres aprenderam como fazer a cerâmica, as roupas e tudo. Nessa época, todos os seres vivos eram humanos. Ao longo do tempo, alguns homens foram se transformando em outros bichos ou plantas, e assim se formaram todas as coisas.

Todo mundo tem uma alma, que habita o coração. Dali, ela comanda a memória e as emoções. O homem pode mentir, mas sua alma é sincera. Quando um suruwaha morre, conta a mitologia, a alma abandona seu corpo e vai para o igarapé Pretão, onde eles moram. Ali, no fundo escuro das águas, espera a época das chuvas para seguir viagem rumo aos grandes rios, até um momento em que consegue pular para o céu.

Ao saltar para o céu, cada alma se projeta para um dos três céus em que se divide o mundo segundo a cosmogonia dos suruwahas: as casas do Sol e da Lua, que se localizam em um plano superior; e o arco-íris, em um espaço intermediário entre os dois. Em cada um desses planos os mortos se concentram conforme seu destino específico. Embora não explique os suicídios, é possível relacionar a prática a essa crença.

A jovem Hahani e seu pai, Ania, que segura um arco e flechas. Foto: Sebastião Salgado
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No caminho da cobra, que coincide com o traçado do arco-íris, ficam os mortos por picadas de serpentes. O arco-íris, que outros povos cultuam como linda expressão da natureza, é sinal de má sorte para os suruwahas: quando aparece, alguém vai ser mordido por uma cobra.

No caminho do Sol vão aqueles que morrem na velhice, por acidentes ou doenças, todas as pessoas que não foram picadas por cobra e nem provocaram a própria morte. O destino desses índios que morrem velhos é penoso, as almas vagam sem sossego até achar uma comida celeste que as faça renascer e conquistar a juventude eterna.

Por fim, para o “caminho do timbó”, que corresponde à trajetória da Lua, vão os que se autoenvenenam.

O melhor céu, portanto, é dos que morrem jovens e fortes. Eles vivem a verdadeira existência pregada nos cantos e mitos: um mundo embaixo das águas, onde as almas se tornam peixes (como aqueles que os suruwahas costumam pescar, atordoados pelo timbó). Esse é seu destino final. De certa forma, o lugar que concentra os suicidas é o mais parecido com o paraíso após a morte da cosmogonia cristã.

O mito suruwaha conta que o herói Aji Marihi era ao mesmo tempo homem e onça, tinha poderes de um grande xamã, capaz de transformar todas as coisas. Para criar a humanidade, esfregava entre as mãos as sementes de diversas plantas e as jogava no chão. Todas se transformavam em gente, índios e não índios.

Os primeiros homens a sair das mãos do criador foram os jaras, os civilizados ou não índios, feitos com a semente da sorveira (uma árvore alta, comum na região). Depois, com sementes de breu, foram feitos os samaradys, ancestrais dos suruwahas; e com envira, seus inimigos míticos, os jomas. E assim, um a um, foram sendo criados os povos.

Musy molda na argila um jawari (pote de água). Foto: Sebastião Salgado
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GRUPO GANHOU FAMA AO VIRAR ALVO DE CAMPANHA CONTRA INFANTICÍDIO

Apesar do isolamento, os suruwahas ganharam exposição pública nos últimos anos devido a outro tabu: o infanticídio em grupos indígenas.

Usando principalmente a internet, a entidade evangélica Jocum (Jovens com uma Missão) incluiu o grupo entre os alvos de uma campanha contra morte de recém-nascidos.

Por considerar que a Jocum fazia proselitismo que prejudicava os índios, o Ministério Público Federal exigiu que a Funai descredenciasse a entidade, proibindo que ela trabalhasse com os suruwahas, a partir de 2004.

Com apoio da bancada evangélica, o deputado Henrique Afonso (PT-AC) apresentou, em 2007, um projeto de lei que obriga o poder público (Funai ou Sesai) a intervir em caso de risco, para evitar o infanticídio em famílias indígenas.

Aprovado na Câmara em 2015, o texto está parado na Comissão de Direitos Humanos do Senado, onde enfrenta reação contrária de entidades de direitos humanos e do presidente da comissão, Paulo Paim (RS), do mesmo PT.

“O infanticídio tem adquirido proporções insignificantes entre os suruwaha. Eles têm sido vítimas de uma campanha de criminalização e ‘animalização’”, diz o antropólogo Miguel Aparicio Sua´rez, autor da dissertação de mestrado “Presas do Timbó” (Ufam, 2014).

O índio Kwakway trabalha na construção de sua maloca, que será usada por toda a comunidade; as casas coletivas têm cerca de 20 metros de altura e trazem prestígio ao dono. Foto: Sebastião Salgado
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Malocas de até 20 metros de altura podem abrigar toda a tribo

Os suruwahas vivem em grandes malocas, construídas em forma cônica, com até 20 metros de altura -equivalentes a um prédio de seis ou sete andares. Há cerca de dez malocas espalhadas pela terra indígena, aptas a receber toda a população, se necessário. Mas, em geral, apenas três ou quatro estão ocupadas a cada momento, porque os índios mudam em função de conveniências, como a disponibilidade de água (quando o igarapé junto a uma casa fica mais seco, por exemplo) ou a colheita de roças com mais alimentos.

Em razão de festas, caçadas ou pescarias coletivas, todos podem se juntar em uma mesma casa por um certo período.

Até recentemente, os suruwahas estavam distribuídos em cinco malocas, duas mais próximas entre si e as outras três mais distantes das primeiras. Para chegar a elas, o fotógrafo Sebastião Salgado teve que marchar por cerca de quatro horas. Já no domingo passado (26/8), toda a população estava concentrada em uma só moradia.

Há sempre uma casa em reforma ou em construção na aldeia, para que o grupo possa ficar mais próximo de uma roça recém-aberta.

Construir uma casa é uma decisão individual. No início, o trabalho é coletivo: muitos homens auxiliam na instalação das colunas principais, grandes troncos de madeira.

A cobertura será feita praticamente por uma só pessoa, o “dono” da casa, e esse é um dos elementos que o caracterizam como um homem generoso, provedor, que dá abrigo aos outros. Essa segunda parte leva mais de um ano.

Kwakway trabalha na construção de sua maloca; a obra das casas coletivas pode levar até um ano e costuma ser feita apenas pelo seu dono. Foto: Sebastião Salgado
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A estrutura interna da maloca é composta por troncos longos, grossos e pesados e por outros mais finos, alternados. O dono escolhe as árvores na floresta, que serão cortadas e limpas. Para o transporte da madeira, ele conta com a ajuda de oito a dez índios.

Também é o dono quem determina as dimensões e a posição da construção – é ele quem abre os buracos no chão que receberão os troncos.

O processo de levantamento das colunas é quase uma festa. Vários homens iniciam a tarefa. Depois largam o tronco estrondosamente no chão, retomam o esforço e sobem um pouco mais, até que, para colocá-lo na posição final, usam forquilhas de outras madeiras. Isso é repetido várias vezes.

Por último, eles amarram aros feitos de madeira mais maleável às colunas, com diâmetros que vão ficando menores em direção ao topo, o que dá a forma cônica do edifício.

Os homens convocados ajudam ainda a montar os andaimes internos em que o construtor vai se equilibrar na longa jornada de instalação da cobertura de palha.

Nesse período, o dono da casa vai colher sozinho (ou apenas com um parente próximo) as folhas de uma palmeira baixa chamada caranaí; vai secá-las e desfiar suas fibras com faca, para produzir as peças que serão assentadas sobre a estrutura de madeira do telhado, como se fossem telhas de tecido vegetal. Na hora da chuva, a palha desfiada vai cumprir o papel de vedar a entrada da água.

A maloca dá a seu dono certa proeminência, porque os outros serão sempre recebidos como hóspedes, mesmo que por longos períodos ou toda a vida em comum. Embarcar na construção de uma casa é sinal de coragem já que depois, ele trabalhará muito para alimentar os visitantes.

O construtor então vira um líder, um ”madi iri karuji”, “pessoa inspiradora”. Essa influência não se traduz em um poder executivo, de decidir pelos demais ou mandar nos outros. O que diz respeito ao direito pessoal é decidido pelo indivíduo. “Por isso, às vezes uma pessoa combina uma coisa com outra e depois, quando isso envolve uma terceira, que pensa diferente, tudo é cancelado”, conta Salgado.

Dentro das malocas, as famílias se organizam em núcleos com cerca de quatro metros quadrados cada um, entre as colunas de sustentação e a parede de palha, formando um círculo em torno da praça central, reservada às atividades coletivas.

Os suruwahas preparam na maloca o agassi, o grande cesto feito de cipó e casca de árvore, usado para transportar de 600 a 800 quilos de mandioca ralada até o rio. Foto: Sebastião Salgado
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Festa da mandioca é olimpíada de levantamento de peso

Um dos principais pratos da culinária dos suruwahas é o grolado, espécie de bolinho assado feito de massa de mandioca fermentada, ou puba. Depois da colheita, uma grande quantidade de mandioca brava é reservada para ser deixada a fermentar dentro da água do igarapé mais próximo. É assim o preparo da puba, que tem sabor mais acentuado do que a feita com a mandioca fresca.

Na água, ela será preservada como se estivesse em uma geladeira, para ser usada quando necessário, na falta da raiz fresca ou em viagens, para acampamentos de caça ou pesca. Como uma espécie de subproduto ritual, o preparo da puba resulta em uma verdadeira olimpíada de carregamento de peso, quando os homens levam para o igarapé os grandes cestos (chamados ”agassi”) onde acumulam a mandioca ralada.

O agassi é feito com cipó e casca de uma árvore. Tem cerca de dois metros de altura e 80 centímetros de diâmetro. É forrado com folhas largas, de forma a impedir que seu conteúdo seja levado pela água do rio.

Kwakway se prepara para carregar o cesto de cerca de dois metros de altura, cheio de mandioca ralada a ser fermentada no rio. Foto: Sebastião Salgado
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Depois de ralada, a mandioca brava é espremida, para soltar parte do caldo venenoso, e colocada no cesto. Cheio, o agassi pesa cerca de 400 quilos. Depois de imerso no igarapé, com o acúmulo de água, pode pesar 700 ou 800 quilos.

O rito de levar o cesto para o rio é uma festa. “Eles juntam os homens mais fortes para levantar aquele enorme balaio. É uma prova de força que exige grande sofrimento e contenção. Vão trocando de lugar, quando as forças de uma pessoa se esgotam”, conta Salgado, que fotografou detalhadamente todo o processo.

“Senti que eles fizeram aquele ritual coincidir com a nossa visita, porque começaram a fazer o balaio quando nós chegamos e nos chamaram para ver o ritual”.

Mas também, como é típico da imprevisibilidade da alma suruwaha, após um longo período sendo retratados, os índios mudaram de ideia. “Depois de um bom tempo, disseram que eu precisava ir embora. Eles são muito interessantes, bem peculiares”, diverte-se o fotógrafo.

O esforço para carregar o peso imenso leva todos ao limite de suas forças. Os músculos são amarrados com fibras para não se rasgarem.

Baxihywy ajuda a carregar o agassi, cesto usado para transportar a mandioca ralada até o rio. Foto: Sebastião Salgado
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Os homens trocam de posição, em um rodízio em que um deles, a todo momento, recebe a maior parte do peso em suas costas. “Evidentemente ele se destaca como o mais valente, um guerreiro mais forte.”

A mandioca é levada para o igarapé, que está a cerca de 500 metros, e será consumida aos poucos, ao longo de meses. Ou tudo de uma vez, se houver uma grande festa.

A puba também tem papel importante na caça, o melhor atalho para conquistar prestígio na comunidade.

O grupo faz grandes caçadas coletivas no “inverno” (a época da chuva, que corresponde ao verão do Sudeste), que sempre são organizadas e comandadas por um dos homens de prestígio.

A credencial para organizar uma caçada é ter um estoque de puba armazenado no igarapé, que irá servir de alimento a todos que vão participar do evento.

Os suruwahas dividem os animais em três tipos, em uma classificação que nada tem a ver com a taxonomia proposta pela ciência moderna: ”zamatemyro” são todas as caças que andam no chão, abatidas preferencialmente com flecha; ”igiaty” são animais que vivem nas árvores, como macacos e aves; e ”igiatykyry” são os bichos pequenos, como os ratos e os passarinhos, caçados com zarabatana.

Liderados por Kwakway, os índios mais fortes da aldeia carregam cesto de mandioca ralada, num misto de festa e prova de força. Foto: Sebastião Salgado
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Se o inverno é da caça, o verão é o tempo das grandes pescarias coletivas, quando os suruwahas usam o timbó, forma tradicional de pesca. O convívio com outros povos deu a eles novas técnicas -linha e anzol, zagaia e arpão–, o que permite a pesca em rios maiores.

Os peixes são parte fundamental da dieta suruwaha, e estão tão imbricados na sua cultura que os homens imaginam que, após a morte, viram peixes, “presas do timbó”.

RITUAL DA PUBERDADE É MARCADO POR CABEÇA RASPADA E SURRA DE VARA

Quando ficam menstruadas pela primeira vez, as meninas suruwahas entram em um rito de iniciação, para se tornarem moças.

A garota deve ficar recolhida, sem se banhar, com o rosto coberto e os olhos vendados. Ela fica de cama e só se levanta para fazer suas necessidades, quando é conduzida por outra mulher.

Ao final do ciclo menstrual, vai ser banhada, ganha uma tanga nova e é surrada com vara pela mãe ou pela avó (trata-se de uma surra ritualizada). Seu cabelo é todo raspado.

Depois de se tornar mulher, há uma série de tabus relacionados ao ciclo menstrual que envolvem normas de comportamento (como a que proíbe que homens usem sua rede nesse período) e alimentares (não podem comer certos alimentos, como caça abatida com veneno, o que traria azar ao caçador).

Jovem toca o instrumento huriatini, uma trombeta feita de casca de envira, que serve para dar avisos. Foto: Sebastião Salgado
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Os meninos se tornam homens em torno dos 15 anos. O rito de passagem envolve uma caçada ou pescaria coletiva. Ao voltar para casa, o jovem deverá ajudar a carregar os grandes cestos de alimentos, para mostrar que já é forte, e também o agassi, que é a maior oportunidade de exposição de força individual. À noite, haverá uma grande festa.

Ao amanhecer do dia seguinte, um homem entre seus parentes vai colocar o suspensório no pênis do jovem. Chamado de ”sokoady”, ele fecha o prepúcio sobre a glande e é sustentado por uma espécie de cinto.

O suspensório caracteriza o decoro masculino em diversas culturas indígenas. Para eles, a nudez (ou a “vergonha”) ocorre apenas quando o acessório está aberto. Entre os suruwahas, um homem confecciona o ”sokoady” e outro o coloca no jovem iniciado. Depois que ele é atado, os outros homens surram o jovem.

Quando volta para casa, ele vai armar sua rede bem no meio da maloca, deixando o espaço destinado a seus pais, como se “saísse de casa”.

O índio Miniari, filho de Giani e Buti, deitado em canoa durante pescaria no igarapé Pretão. Foto: Sebastião Salgado
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Os suruwahas se casam preferencialmente com primos cruzados (os meninos se casam com filhas das irmãs do pai; as meninas, com filhos dos irmãos da mãe). Com a redução populacional, essa prática é difícil.

Hoje em dia, os jovens adotam a monogamia, mas a poligamia é admitida, ocorrendo tradicionalmente com homens casando com suas primas cruzadas.

A cerimônia é realizada por ação de um outro homem qualquer da casa coletiva, que leva a rede onde a moça dorme para perto da rede do possível noivo. Todos agem como se fosse uma surpresa. O rapaz, no primeiro momento, nega o desejo, mas depois cede. Pode acontecer de o jovem recusar a noiva.

Após o casamento, há uma espécie de lua de mel. No período de um ano ou um pouco mais, os jovens vivem com comida dada por suas famílias. Só depois, frequentemente quando têm o primeiro filho, eles vão começar a produzir seus próprios alimentos e se tornam realmente independentes.

Uma das duas índias suruwahas operadas de catarata pela ONG Expedicionários da Saúde, Wixikiwa segura macaquinho de estimação ao lado da neta. Foto: Sebastião Salgado
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Cirurgia de catarata devolve o mundo a anciãs

Há cerca de 20 anos, a escuridão da floresta alta se tornou ainda mais escura para Xamã e Wixikiwa: as duas mulheres perderam a visão, com catarata. Seu mundo se fechou.

A vida cotidiana na selva exige o uso intenso dos olhos: nas grandes caminhadas para mudanças de maloca, para abrir novas roças ou para os acampamentos de caça e pesca ou mesmo o cuidado com as cobras em volta de casa. Tudo pede uma vista aguçada.

Seu sofrimento calado é narrado por histórias que os outros contam, como quando Xamã parou numa trilha para um acampamento de pesca, não conhecia o caminho de cor e não via os vultos de outros para seguir.

As duas mulheres suruwahas já estavam desacorçoadas com a longa cegueira quando, em maio deste ano, foram operadas.

Foi como um milagre. A uma antropóloga que trabalha com a comunidade, as índias disseram que “voltaram a viver” e “ganharam vida nova”.

As operações foram realizadas pelo médico Mauro Campos, chefe do departamento de oftalmologia da Escola Paulista de Medicina (da Unifesp), como parte do atendimento dado aos índios durante a passagem da ONG Expedicionários da Saúde (patrocinada por empresas) pela região do médio rio Purus, onde moram os suruwahas e outros grupos. Na aldeia, os cirurgiões da entidade trataram três pessoas com catarata e quatro com hérnia.

Segundo o censo feito durante a viagem, o grupo indígena tem poucos casos de doença. “Eu examinei todos eles e vi poucas pessoas com problemas de saúde. Eles são muito saudáveis e fortes”, diz Campos.

O médico conta que, além das duas mulheres idosas, operou um jovem, de 27 anos, que desenvolveu um tipo menos comum da doença, a catarata traumática, causada por contusões no olho (batidas, perfurações) que não cegam, mas ferem o cristalino e ele fica opaco.

Ao descrever suas impressões sobre os índios, ele repete a sensação de Sebastião Salgado: “Os suruwahas foram uma novidade para nós. Fiquei emocionado, eles não têm celular, não têm roupas, não têm escolas. A presença do Estado se dá apenas pela casinha da Sesai”, diz, referindo-se ao pequeno polo de saúde.

“Os índios com mais contato normalmente mudam algumas coisas, culturalmente, mas eles não. Eles parecem ser muito tradicionais. Me senti realmente cuidando de índios isolados”, diz o professor da Unifesp.

“Ao longo do período em que estivemos lá, pudemos vê-los caçando com zarabatana. É impressionante a habilidade deles. Pegaram um tucano. Acertam as aves voando.” Outra cena ficou em sua memória: “Eles comem de tudo, inclusive urubus”.

O médico conta que chegou a ouvir de trabalhadores da região que os vizinhos temem o contato com os suruwahas porque eles conhecem muitos venenos. Mas Campos diz que não teve problemas em obter ajuda de agentes para tratá-los.

Também marcaram a lembrança do médico a arquitetura das casas, com mais de 20 metros de altura, a abundância de serpentes na aldeia e o fascínio dos índios por fotos. “Eles ficam o tempo todo olhando as fotografias que fazemos, sempre muito impressionados”, conta Campos.

Acidente com cipó na aldeia dos suruwahas machuca olho de fotógrafo

A ponta de um cipó espetou o canto interno do olho de Sebastião Salgado quando ele andava por uma trilha: “Uns poucos milímetros ao lado e eu estaria cego. Só para ir a um hospital levaria de três a quatro dias”.

Na selva, Salgado seguia um índio que abria caminho com facão. “Eu olhava para baixo, para ver onde pisar. Nisso, a ponta de um cipó que ele havia cortado, pontiaguda, entrou por baixo de meu chapéu e espetou o cantinho do olho.” Sangrou um pouco. Seu assistente, Jacques Barthélemy, fez a foto. “Tive muita sorte.”

A expedição aos suruwahas é parte do projeto “Amazônia”, que documenta o habitat e comunidades indígenas da maior floresta do planeta. Conhecido por reportagens de documentação como “Trabalhadores”, ”Êxodos” e “Gênesis”, Salgado prevê lançar livro e exposições sobre “Amazônia” a partir de 2021.

A Folha já publicou seus trabalhos sobre os índios korubos (5.dez.2017) e ashaninkas (20.mai.2018). Radicado na França desde a ditadura, Salgado começou a carreira de fotógrafo nos anos 1970. Trabalhou em agências internacionais, como a Magnum, fundada por Robert Capa e Cartier-Bresson em 1947. Desde os anos 1990, mantém sua própria agência, a Amazonas Images, com sede em Paris.

Edição: Heloísa Helvécia / Textos: Leão Serva / Fotos: Sebastião Salgado / Edição de fotos: Thea Severino / Coordenação de Arte: Thea Severino / Infografia: Marcelo Pliger / Design e desenvolvimento: Thiago Almeida, Pilker, Rubens Alencar e Angelo Dias

Fonte: Folha de São Paulo

As árvores mais raras e antigas do planeta

Por Green Savers

A beleza das mais antigas e raras árvores do Planeta tornou-se a obsessão de Beth Moon, uma fotógrafa de São Francisco que, na última década e meia, viajou por todo o mundo à procura de algumas das mais impressionantes árvores.

As mais interessantes fotografias foram reunidas no livro Ancient Trees: Portaits of Time, avisa o Inhabitat, uma colecção que combina alguma da mais exótica flora do globo com as árvores mais únicas e remotas.

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Entre as viagens de Beth Moon, de acordo com o site, destaque a efectuada até à Inglaterra e que permitiu à fotógrafa norte-americana explorar as árvores centenárias que ficam nos adros das igrejas e as árvores do Corno de África, muitas delas com mais de 500 anos.

(Via Green Savers)

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Momentos marcantes registrados em fotos

Por Incrível Club

O mundo sempre foi e sempre será um lugar estranho, para não dizer louco. E isso não é uma crítica, é apenas um fato. Um pouco de loucura sempre vai bem. E nada melhor do que a fotografia para que a loucura possa ser registrada.

A seguir, 20 fotos incríveis que comprovam que não estamos na época mais louca da história. A loucura sempre existiu e ela que nos torna humanos. Quem sabe daqui uns 80 anos alguém ria ao ver os registros de como era a vida na década de 2010. Por que não?

Alfred Hitchcock bebe chá com o leão no estúdio Metro-Goldwyn-Mayer
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Mulheres pintam as pernas para parecer que estão usando meia calça, em 1942
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A patrulha encontra um fugitivo norte-americano na fronteira com o México
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O piloto George Aird se catapulta após perder o controle do voo
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Hora do lanche durante a gravação de Star Wars
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Um protótipo de TV portátil criado em 1967
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Maccarroni, o concurso de quem come mais macarrão
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Um carro de polícia com um suporte para prevenir acidentes com pedestres, em 1920
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Uma fábrica de cerveja inglesa leva barris carregados de seu produto para as tropas que lutavam na Normandia, em junho de 1944
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Trajes de banho feitos com tecido, em 1920
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Dois oficiais do exército com detectores de som desenhados para registrar de onde vinham os aviões inimigos
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Uma sauna portátil
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Máquina de exercícios para eliminar gordura das pernas, em 1936
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Experimentando capacetes de futebol americano, em 1912
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“Dynasphere”, o veículo elétrico de uma roda que chegava à velocidade de 40 km/h, em 1932
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Em 1924, os parisienses encontraram uma maneira inusitada de manter os pés secos: caminhando sobre cadeiras
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Willard Scott, o primeiro Ronald McDonald
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O HD de 5 MB sendo colocado em um avião, em 1956
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O original homem Michelin
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Quando a Suécia mudou o sentido de circulação dos carros da esquerda para a direita, em 1967
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(Via Incrível Club)

Retratos antigos de um amor alegre

Por Avai Corrêa

Retratos antigos de um amor gay do livro The Invisibles ( Rizzoli ), compilados por Sébastien Lifshitz.

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O roteirista e diretor francês descobriu um álbum de fotos que pertencia à duas mulheres idosas, e não demorou muito para perceber que elas estavam em um relacionamento de longa data.

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Inspirado, Lifshitz lançou The Invisibles Project, entrevistas com mulheres e homens homossexuais nascidos entre as duas Guerras Mundiais.

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(Via Hint Mag)

A fotógrafa que tem fobia de sair de casa e viaja no Google Street View

Por Mário Rui André

A conta de Instagram de Jacqui Kenny é um museu das melhores imagens da ferramenta da Google.

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A agorafobia e ansiedade de que sofre limitam a capacidade de Jacqui Kenny de viajar, pelo que a fotógrafa inglesa encontrou outra forma de ver o mundo: através do Google Street View. As suas viagens virtuais são documentadas numa série fotográfica no Instagram intitulada #AgoraphobicTraveller.

A história de Jacqui Kenny, aqui contada pela revista Artsy, é uma narrativa de esperança que pode inspirar-nos a ultrapassar os nossos mais intrínsecos receios. Agorafobia é o medo de estar em espaços abertos ou no meio de uma multidão – uma condição de ansiedade que limita o movimento de quem a tem em espaços físicos mas não no mundo virtual. Jacqui viu no Google Street View uma solução para explorar o mundo e documentá-lo na forma de que mais gosta – a fotografia.

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“Viajar é muito difícil para mim, o que é realmente infeliz porque sempre sonhei em ir para sítios mesmo incríveis e distantes”, explica à Artsy. “Tenho uma grande paixão por fotografia, sempre tive”, diz ainda, acrescentando que o Google Street View, plataforma online que reúne fotografias de 360º dos cantos mais inesperados do planeta, é o mais próximo de uma fotógrafa de viagens que consegue ser.

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Na sua conta de Instagram (@streetview.portraits), Jacqui usa o alter-ego #AgoraphobicTraveller para publicar as melhores imagens que faz dos passeios pelo Google. São screenshots meticulosamente tirados de zonas onde a forte luz solar e as cores vibrantes criam estéticas muito próprias – nas paisagens minimalistas que partilha raramente se vêem carros, apenas pessoas, casas ou outros elementos que saltaram à vista.

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Jacqui tem preferência por países com temperaturas extremas, geralmente muito quentes“nos quais tendemos a ver bonitas cores nas roupas e na arquitectura, e tudo parece ser um bocadinho mais vibrante”. Já tem mais de 25 mil screenshots feitos, conta, e continua sempre à procura de novos achados fotográficos. Jacqui mantém um olho atento a África, onde muitos países ainda não foram mapeados pela Google.

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À Artsy, Jacqui Kenny confessa que este projecto tem ajudado-a a minimizar a agorafobia, contribuindo também para isso o apoio que recebe de uma comunidade global de quase 20 mil seguidores no Instagram, incluindo pessoas com fobias semelhantes. Jacqui explica que, ainda assim, geralmente evita aviões e destinos fora da sua zona de conforto.

(Via Shifter)

As fotos divertidas de René Maltête

Por Avai Corrêa

Durante as décadas de 1950 e 1960, a fotografia de rua estava começando a tomar uma forma de arte, e o fotógrafo francês René Maltête deu-lhe um impulso com suas cenas cândidas e humorísticas.

Em 1951, Maltête mudou-se para Paris aos 21 anos, e comprou uma câmera Semflex 6×6 3 anos mais tarde na esperança de prosseguir uma carreira de fotografia séria. Sua grande ruptura, no entanto, veio com uma série de fotos que eram ligeiramente menos sérias. Tornou-se conhecido por suas cenas repletas de humor irônico, mostrando como as coisas mais engraçadas que acontecem na vida são muitas vezes apenas uma questão de bom momento.

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(Via deMilked)

As 21 fotos mais impactantes do mundo

Por Gustavo Teixeira

A revista norte-americana TIME compilou a 100 fotos mais importantes da História com a ajuda de editores de fotografia, historiadores e curadores.

O critério para uma foto entrar nesse seletivo ‘hall da fama’ das fotos, era que devia retratar pontos de transformação em nossa experiência humana” segundo a revista. Partindo desse pressuposto, a revista apresentou uma variada coleção de fotos que foram e são importantes para a humanidade. Confira aqui, uma lista com 21 dessas fotos que tem poder imensurável.

1 – O Monge em Chamas, Malcolm Browne, 1963

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O monge mahayana, durante uma manifestação contra a proposta religiosa do governo de Ngo Dinh Diem, ateou fogo em seu próprio corpo em Saigon, no Vietnam do Sul em 11 de junho de 1963. O fotógrafo Malcolm Browne que estava cobrindo a guerra dos EUA contra o Vietnam, fotografou o suicídio e a foto lhe rendeu o Prêmio Pulitzer.

2 – O Terror da Guerra, Nick Ut, 1972

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O fotógrafo Huynh Cong Ut, conhecido como Nick Ut, registrou crianças correndo de um ataque de bomba Napalm em Trang Bang, na Guerra do Vietnam. Na foto, uma das mais conhecidas modernamente, a menina vietnamita Phan Thị Kim Phúc que na época tinha 9 anos aparece correndo desesperadamente e chorando nua. Após essa icônica foto rodar o mundo, Phan Thị Kim Phúc ficou conhecida como “Menina Napalm” e apesar de sofrer queimaduras no corpo, ela sobreviveu.

3 – A Criança Faminta e o Abutre, Kevin Carter, 1993

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Esta foto, tirada pelo fotojornalista sul-africano Kevin Carter recebeu duras críticas. A foto foi tirada no Sudão, e, segundo o fotógrafo, os pais dela tinham ido a um centro de alimentação das Nações Unidas pegar comida para a família e deixaram a criança sozinha. O que poucos sabem é que o fotógrafo estava cercado de soldados sudaneses que o não deixavam interferir em várias situações. Após esperar 20 minutos para fazer o registro, Carter contrariou a ordem e espantou o abutre.

O jornal The New York Times que publicou a foto, recebeu muitas cartas perguntando o que havia acontecido com a menina, e então publicou uma nota explicando o ocorrido. Carter fazia parte de um grupo chamado “Bang Bang Club”, de fotojornalistas dos conflitos armados africanos. Ele ganhou o Prêmio Pulitzer pela foto, mas se matou aos 33 anos.

4 – Almoço no Topo de um Arranha-céu, 1932

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A foto mostrando 11 trabalhadores comendo na estrutura de uma construção de quase 260 metros de altura é realmente um clássico da fotografia. Feita nos últimos meses de construção do Rockefeller Center, hoje Edifício GE, em Nova Iorque, a imagem gerou suspeitas de se tratar de uma montagem desde sua primeira publicação, no jornal New York Herald Tribune.

O crédito desta foto até hoje não é totalmente certo, mas muitos atribuem ao fotógrafo Charles C. Ebbets, ou ao fotógrafo Lewis Hine, que registravam as péssimas condições dos trabalhadores imigrantes na época. Mesmo que a foto não tenha autoria certa, sem dúvida é uma das mais marcantes da História.

5 – O Homem dos Tanques, Jeff Widener, 1989

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Esta foto que rodou o mundo, foi tirada perto da Praça da Paz Celestial, na avenida Chang’an que corta a Cidade Proibida, na capital chinesa de Pequim,  em 1989. O Homem dos Tanques, ou como também é conhecido “O Rebelde desconhecido”, retrata um homem que durante protestos ficou parado na frente de tanques de guerra chineses, e foi tirada pelo fotógrafo Jeff Widener da sacada do Beijing Hotel, que ficava cerca de 800 metros do local onde ocorreu a famosa cena.

Mesmo os tanques tentando desviar do homem, ele continuou na frente do tanque, impedindo que passassem. Existem outras versões desta mesma fotografia de diferentes ângulos, mas a tirada por Jeff Widene é a conhecida no mundo todo.

6 – O Homem que Cai, Richard Drew, 2001

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Essa foto é uma das mais emblemáticas do atentado terrorista às Torres Gêmeas que ocorreu em 11 de setembro de 2001 na cidade de Nova York. Ela foi registrada pelo fotógrafo Richard Drew, escalado para cobrir um desfile naquela manhã, mas foi logo enviado para cobrir o atentado. Richard conseguiu fotografar uma sequência de 12 quadros do homem em queda livre.

A fotografia estampou o The New York Times, mas foi parar também em diversos jornais e revistas dos Estados Unidos e do mundo. O homem que se jogou do altíssimo arranha-céu permanece anônimo até os dias de hoje, pois ninguém confirmou oficialmente sua identidade.

7 – Aylan Kurdi, Nilüfer Demir, 2015

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Essa fotografia tirada pela fotojornalista turca Nilüfer Demir, ficou muito famosa no ano passado em meio à crise migratória na Europa. A fotógrafa se deparou com o menino na praia de Ali Hoca, em Bodrum, na Turquia. O menino, bem como sua família, era de Kobane, uma cidade curda-síria na fronteira da Turquia e estava fugindo dos conflitos entre extremistas muçulmanos e a forças armadas curdas.

Eles tentavam atravessar o Mar Egeu em um bote que carregava 17 pessoas, quando virou na tentativa de fugir para a Grécia. A fotógrafa Nilüfer Demir conta que ficou petrificada ao tirar a foto e quis compartilhar seu sentimento. O mundo inteiro ficou consternado e chocado com essa imagem, que é uma das mais importantes dos últimos tempos.

8 – Nascer da Terra, William Anders, NASA, 1968

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Essa é uma das fotos mais bonitas já tiradas. Ela foi registrada durante a missão Apollo 8 à Lua por Willians Anders em 1968. Willians estava acompanhado dos astronautas Frank Borman e James Lovell que partiram para missão de orbitar a Lua. A bordo do foguete Saturno V, eles deram 10 voltas na Lua, sobrevoaram seu “Lado Oculto” e puderam observar a Terra nascer da perspectiva da Lua.

Essa foto é quase que um presente para nós, tamanha a beleza do nosso Planeta.

9 – A Nuvem de Cogumelo sobre Nagasaki, Tenente Charles Levy, 1945

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Durante a Segunda Guerra Mundial, os Estados Unidos bombardearam as cidades japonesas de Hiroshima e Nagasaki, como uma resposta ao ataque japonês à base norte-americana de Pearl Harbor. A foto que chocou o mundo é da nuvem de cogumelo gerada pela explosão da bomba atômica lançada na cidade de Nagasaki.

A imagem foi feita pelo Tenente Charles Levy que comentou: “Era púrpura, vermelha, branca, todas as cores – algo parecido com o café fervente, parecia vivo” Estima-se que o número de mortos foi de 80.000 pessoas

10 – Dia V-J na Times Square, Alfred Eisenstaedt, 1945

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Essa foto retrata um dos beijos mais famosos do mundo e foi feita pelo fotógrafo Alfred Eisenstaedt em 14 de agosto de 1945, na Times Square em Nova York. As pessoas celebravam a rendição dos japoneses, fato importante que resultaria no fim da Guerra. Na foto, um marinheiro beija uma enfermeira de forma cinematográfica. A foto na época foi usada para acalmar os ânimos dos americanos após o incidente de Pearl Harbor. Apesar da elegância da foto, muitos debatem sobre o consentimento do beijo por parte da mulher.

11 – Escape de Fogo, Stanley Forman, 1975

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No dia 22 de julho de 1975, um prédio em chamas na Marlborough Street, em Boston, rendeu uma das fotos mais marcantes da História. Diana Brant de 19 anos e sua afilhada, Tiare Jones, tentavam fugir do incêndio pela escada de emergência quando o fogo destruiu essa escada fazendo com que as duas caíssem.

O fotógrafo Stanley Forman, que trabalhava no jornal Boston Herald, foi enviado para o local do incidente e registrou essa foto que lhe rendeu o Prêmio Pulitzer de 1976. Diana morreu na queda, sua afilhada, Tiare, caiu em cima do corpo de Diana e sobreviveu. A foto do caso fez com que as autoridades de Boston repensassem as técnicas de salvamento em incêndios bem como as estruturas de emergência.

12 – O Homem na Lua, Neil Armstrong, NASA, 1969

O Homem na Lua, Neil Armstrong, NASA, 1969

O homem conseguiu chegar na Lua em 20 de julho de 1969, e todos conhecem esse homem: Neil Armstrong. Mas ele não foi único: Buzz Aldrin, que tirou uma das fotos mais conhecidas do mundo, também estava lá e foi um dos primeiros homens a pisar na Lua.

13 – Pilares da Criação, NASA, 1995

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Esta é um dos registros mais famosos de fora do Sistema Solar. Esta incrível cena, foi registrada pelo telescópio Hubble, que estava no ônibus espacial Atlantis em uma missão espacial em 1995.

A foto mostra três colunas de gás na Nebulosa de Águia, um aglomerado estrelar localizado na constelação de Serpens Cauda, a cerca de 6.500 anos-luz da Terra.

14 – Guerrilheiro Heroico, Alberto Korda, 1960

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O guerrilheiro argentino Ernesto Guevara, mais conhecido como Che Guevara, sem dúvidas, é um ícone mundial da luta anti-imperialista e da resistência.

A foto intitulada de “Guerrilheiro Heroico” foi tirada por Alberto Korda, em 5 de março de 1960 em Havana, capital de Cuba, durante um memorial das vítimas do atentado terrorista contra o navio francês La Coubre, que desembarcava no porto de Cuba. A fotografia foi publicada somente 7 anos depois de ter sido tirada, e o fotógrafo disse que Che mostrava “imobilidade, raiva e dor”. Na época o guerrilheiro tinha 31 anos. A foto perdura até os dias de hoje como símbolo máximo de rebelião e justiça social.

15 – Mãe Migrante, Dorothea Lange, 1936

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A foto foi tirada na época de Grande Depressão que o mundo passava na década de 1930. Ela recebeu o nome de “Mãe Migrante” pela autora da foto, Dorothea Lange, e causa um grande impacto emocional.

A mulher fotografada era Florence Owens Thompson, que na época tinha 32 anos e 7 filhos. Ela estava em um acampamento destinado a acolher pessoas em pobreza extrema e lutava contra a fome. Essa foto exalta a força das mulheres durante a Grande Depressão.

16 – Domingo Sangrento, H.S. Wong, 1937

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A Guerra Sino-Japonesa, que durou de 1931 a 1945, foi uma das mais sangrentas e horríveis do Planeta. Uma foto mostra bem o horror causado pela guerra. Foi a foto feita em 1937 por H.S. Wong, que registrou os danos de um ataque aéreo japonês em Xangai, o que ficou conhecido como Batalha de Xangai.

Na foto, podemos ver um bebê ferido nas ruínas da Estação Ferroviária do Sul de Xangai. Essa imagem gerou revolta e indignação do ocidente contra os japoneses.

17 – O Garoto Albino, Biafra, Don McCullin, 1969

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Esta foto é uma das mais chocantes sobre fome e a pobreza extrema no mundo. Tirada na República da Biafra, um estado secessionista do sudeste da Nigéria que existiu por cerca de 3 anos. Na imagem, um menino negro albino, extremamente magro devido ao raquitismo choca as pessoas. Segundo o fotógrafo Don McCullin “outras crianças famintas estavam caindo mortas na cena”.

18 – Selfie do Oscar, Bradley Cooper, 2014

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Nem todas as fotos da lista são de imagens chocantes. Uma selfie com Brad Pitt, Julia Roberts, Jennifer Lawrence, Channing Tatum, Kevin Spacey, Angelina Jolie, Lupita Nyong’o foi retweetada 3,38 milhões de vezes, entrando para a lista da TIMES.

19 – O Desastre de Hindenburg, Sam Shere, 1937

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No dia 6 de maio de 1937, o dirigível Hinderburg explodiu na cidade de Lakehurst, próximo a Nova York. O maior zepelim do mundo, que tinha 245 metros de comprimento, 41,5 metros de diâmetro, voava a 135 km/h, explodiu devido a um vazamento de hidrogênio e deixou 35 pessoas mortas. O fotógrafo Sam Shere, registrou o momento exato da explosão, o que tornou a foto uma das mais chocantes do mundo.

20 – Menino Judeu se rende em Varsóvia, 1943

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Essa é uma das fotos mais marcantes do Holocausto sofrido por judeus durante a Segunda Guerra Mundial, com um garoto de 7 anos se rendendo para as tropas nazistas, junto com outros judeus num gueto de Varsóvia, na Polônia.

Os judeus da foto participaram do Levante de Varsóvia, um ato de resistência. A foto de autoria desconhecida foi reproduzida várias vezes em livros, revistas e jornais.

21 – Dalí Atomicus, Philippe Halsman, 1948

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Essa é uma foto impressionante que mostra o extremo domínio da técnica por parte do fotógrafo Philippe Halsman.

Em 1948, não existiam retoques digitais nem mesmo programas de edição de imagem. Inspirado em “Leda Atômica”, uma pintura de Salvador Dalí, quis criar uma foto onde cada elemento estivesse suspenso no espaço sem se tocar. Halsman e Dalí trabalharam durante uma semana no estúdio de Halsman, que ficava em Nova York. Tanto trabalho rendeu uma das fotos mais malucas e impressionantes da História.

No Mês das Mães, Flamboyant promove exposição fotográfica “Quando nasce o amor…” por Veruska Toledo

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Coletânea com 40 imagens inspiradas em newborn pode ser conferida de 1º a 15 de maio

O newborn, modalidade de fotografia que retrata os primeiros dias de vida dos bebês, encanta pela beleza, criatividade e sentimentos positivos que desperta nas pessoas. A tendência foi escolhida pelo Flamboyant Shopping Center para homenagear as diversas fases da maternidade, na exposição fotográfica “Quando nasce o amor…” por Veruska Toledo.

ExposiçãoQuandoNasceAmor.
Entre os dias 1º e 15 de maio, o público poderá conferir na Expansão – Piso 3, mais de  40 imagens, em dimensões variadas, desde 30x40cm a 50x75cm. A proposta é convidar para uma imersão ao universo singular da maternidade, com seus sentimentos traduzidos em fotografias e textos. Na exposição, o público poderá conferir técnicas precisas de newborn, com bebês em poses incríveis, em momentos de sono profundo e revelador. Dentre as várias seleções, promete chamar atenção dos visitantes, a pose do sapinho, que exige do fotógrafo conhecimento da anatomia do recém-nascido para posicioná-lo com segurança.

ExposiçãoQuandoNasceAmor

Fruto de um trabalho de dois meses, a coletânea contempla momentos especiais de 28 famílias em fases como gestação e momentos íntimos dos bebês. “Desejamos despertar emoção através de belíssimas imagens. As frases escolhidas para acompanhar as telas prometem levar os visitantes a um mergulho mágico, sempre permeando o nascimento de seres tão amados”, destaca Veruska.

ExposiçãoQuandoNasceAmor

Apostando em interatividade para celebrar com as mamães, no dia 7 de maio, algumas clientes poderão agendar uma foto profissional e também levar a imagem como lembrança.

Sobre Veruska Toledo

A goiana Veruska Toledo é fotógrafa, especialista em newborn e gestante. Referência nacional, possui selos importantes como os concedidos pela Associação Brasileira de Fotógrafos de Recém Nascidos (ABRN), Best Newborn Photographer (BNP/INP) e National Association of Professional Child Photographers (NAPCP). Além de promover cursos próprios sobre newborn, atua como palestrante e conferencista em eventos da área, sendo também responsável por cliques de toda a família em eventos especiais.

Veruska_Toledo

Serviço:
Exposição fotográfica “Quando nasce o amor…” por Veruska Toledo
Onde: Flamboyant Shopping Center – expansão Piso 3.
Quando: de 1º a 15 de maio.
Entrada franca
Informações: 3546-2016

Olhar fotográfico é pauta de palestra na cidade de Goiânia

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Referência no mercado de fotográfico brasileiro, o curador Diógenes Moura vem à Goiânia ministrar palestra e workshop sobre o olhar fotográfico, entre os dias 15 e 17 de abril.​

diogenes moura

Escritor, jornalista, roteirista, editor e curador de fotografia. No universo da fotografia, seu trabalho já lhe rendeu o prêmio de Melhor Curador de Fotografia do Brasil pelo Sixpix/Fotosite, em 2009. No universo da literatura, recebeu o prêmio APCA – Associação Paulista dos Críticos de Arte de melhor livro de contos/crônicas com Ficção Interrompida – Uma Caixa de Curtas (Ateliê Editorial), além de outras publicações, como o mais recente Fulana Despedaçou o Verso. Diógenes Moura é expoente no mercado da fotografia brasileira e, segundo suas palavras, “só entende fotografia vendo-a como literatura”.

Livro Diógenes Moura

É traçando um panorama entre fotografia e literatura, e discutindo com o público a importância da concepção do olhar fotográfico, que o terceiro convidado do ciclo de palestras e workshops do III Projeto F/5 vem à Goiânia.

Foto- Diógenes Moura

Um dos responsáveis por reconhecer e dar importância à fotografia autoral como obra de arte no Brasil, o curador ministrará a palestra “O olhar não vê. O olhar enxerga”, na Escola de Artes e Arquitetura da PUC Goiás. A palestra será no dia 15 de abril (sexta-feira), às 20h, e possui entrada gratuita com vagas limitadas à capacidade do local.

Foto - Diógenes Moura

“Sabemos verdadeiramente como fotografar? De que forma continuaremos enxergando o outro e o que está diante dos nossos olhos? (O olhar) Não é uma questão de moda, muito menos de modismos.”, declara o artista e curador.

Nos dias 16 e 17 de abril (sábado e domingo), Diógenes aprofundará o tema em um workshop na sede da WA Imagem. A atividade, também gratuita, conta com 20 vagas previamente preenchidas através de inscrição no site da WA Imagem.

A terceira edição do Projeto F/5 ainda receberá, durante os próximos finais de semana do mês de abril, fotógrafos como João Marcos Rosa e Pio Figueiroa. Interessados podem acompanhar mais informações sobre o projeto, agenda de palestras e inscrições para os próximos workshops através do site www.waimagem.com.br.

Sobre o Projeto F/5

Realizado pela WA Imagem com o apoio da Lei Municipal de Incentivo à Cultura de Goiânia, o Projeto F/5 já atingiu em suas edições anteriores cerca de mil pessoas, reafirmando, em sua terceira edição, seu compromisso com o fomento à cultura fotográfica no estado de Goiás. Nesse ano suas atividades acontecerão durante todo o mês de abril, contando semanalmente com palestras e workshops gratuitos que visam aprofundar as discussões sobre fotografia contemporânea e autoral brasileira.

SERVIÇOS:

Palestra com Diógenes Moura
Gratuito
Dia: 15 de abril (sexta-feira)
Horário: 20h
Local: Escola de Artes e Arquitetura da PUC Goiás. Auditório Marisa Roriz – Área III – Setor Universitário.
Vagas: Sujeito à lotação do local

Workshop
Gratuito
Dias: 16 e 17 de abril (sábado e domingo)
Local: WA Imagem – Rua 89-D, 79, Setor Sul
Vagas: Esgotadas

Contatos/ Assessoria de Imprensa

WA Imagem: www.waimagem.com.br / (62) 3281 2575
Wagner Araújo (Idealizador do Projeto): (62) 8111 2727
Dayanne Samayk – (Produção) (62) 3281 2575
Michely Ascari (Assessoria de Imprensa): michely.ascari@gmail.com / (62) 8321 6465