Conheça a história da modelo refugiada que usa hijab na passarela e ama pagar impostos

Por Rafael Carneiro

Halima Aden tem 20 anos e veste sempre um hijab nas passarelas

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Se para ser uma grande modelo é necessário seguir padrões, Halima Aden, de 20 anos, desmistifica tudo isso. A somali, que ficou conhecida por desfilar sempre utilizando um hijab (vestimenta islâmica), cresceu em um campo de refugiados queniano e foi para os Estados Unidos sem dinheiro para se sustentar.

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Em entrevista à revista Money, Halima contou que durante o tempo em que viveu no campo de refugiados, após escapar da Guerra Civil na Somália, ela odiava quando outras mulheres faziam tranças no seu cabelo. O motivo? Doía muito. Foi então que ela aprendeu a fazer tranças sozinha. Futuramente esse aprendizado surtiria efeito.

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Quando Halima e sua família se mudaram para Minnesota, no norte dos Estados Unidos, ela usou as habilidades que adquiriu no campo de refugiados para ganhar dinheiro. Passou a cobrar US$ 10 para trançar o cabelo de crianças e US$ 20 o de adultos. Com o que faturava, pagou viagens escolares, comprou roupas… Essa inquietude da jovem é uma herança cultural. Segundo ela, os somalis começam a trabalhar desde cedo.

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Dois empregos ainda no Ensino Médio

Como muitos jovens americanos, Halima não via a hora de completar 16 anos. Porém, a ansiedade não era pela grande festa de debutante, mas porque ela poderia finalmente trabalhar legalmente no estado de Minnesota. Seus primeiros dois empregos foram no St. Cloud Hospital, onde fazia serviços ambientais e limpeza dos quartos de pacientes. No meio da rotina atribulada, ainda sobrava tempo para atividades extracurriculares.

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“Deixei fazer muitas coisas, de ir a vários lugares porque estava trabalhando muito. Mas eu não me arrependo. Eu não mudaria nada do que eu fiz”, disse.

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Embaixadora Unicef e amantes de impostos

Apesar da pesada carga horária, a jovem modelo nunca embolsou muito do dinheiro que ganhava. Desde jovem, enviava grande parte do salário para sua família na Somália e ajudava a mãe a pagar pela casa onde moravam. Hoje, ela atua como embaixadora da Unicef, fazendo viagens com a organização e dando apoio a crianças pobres ao redor do mundo.

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Com o tempo e a maturidade, Halima passou a lidar com o dinheiro de forma diferente. Ela diz adorar pagar impostos, por exemplo. A somali lembra que recebeu muota ajuda do governo quando chegou aos Estados Unidos, e agora fica feliz em contribuir com impostos para programas sociais que ajudem outras pessoas necessitadas.

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Presente e futuro

Halima Aden cuida com zelo da sua carreira de modelo e está sempre de olho no futuro, investindo bastante e se reciclando sempre. Recentemente, a IMG Models, a principal agência de modelos dos Estados Unidos, entrou em contato com Halima após a apresentação dela no Miss Minnesota USA. Antes de dizer sim, ela sentou com a empresa para avaliar minuciosamente a proposta e para discutir o papel dela como mulher muçulmana no mundo da moda. O objetivo da jovem era se manter fiel às tradições.

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“Você tem que pedir o que você quer. Se eu nunca tivesse falado nada, não sei se minha carreira estaria indo bem como está”, disse a somali, que um dia quer ter e administrar o próprio negócio no ramo da moda.

(via Época Negócios)

Conheça a história de Hatshepsut, uma das únicas mulheres a se tornar Faraó

Por Allan França

Apesar de muita resistência e do fato de a maior parte dos líderes mundiais ser composta por homens, as mulheres têm assumido cada vez mais posições de poder. A forma de encarar a questão se altera de acordo com questões culturais e o governo vigente; mesmo assim, várias marcaram seus nomes na história, como já mostramos aqui no Mega.

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Mulheres assumindo o posto de faraó no antigo Egito não era algo comum, mas dentre as poucas está Hatshepsut, que realizou grandes obras em seu reinado. Houve a tentativa de retirar dela o crédito pelos feitos, mas eles foram tão grandiosos que isso não foi possível.

Caminho até o poder

Filha do faraó Tutmés I e de sua esposa Ahmose, Hatshepsut cresceu junto de sua irmã Nefrubity. Ela idolatrava seu pai, mas dizia que tinha sido fruto de uma união divina, entre sua mãe e o Deus Amun. Essa afirmação fica bem clara com a existência de um relevo em sua grandiosa tumba, onde seu pai a coroa na presença de deuses egípcios.

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Após a morte do faraó, o trono passou naturalmente para Tutmés II, meio-irmão e marido de Hatshepsut. Apesar de estranha, a prática era algo comum no Antigo Egito, dando a ela o título de rainha. Tanto seu pai quanto seu marido realizaram diversas incursões na Núbia, onde conquistaram áreas que foram anexadas ao império.

Não muito tempo após sua posse, Tutmés II morreu, abrindo caminho para Tutmés III, enteado e sobrinho de Hatshepsut. Ele ainda era uma criança e, por isso, não tinha condições de governar o Egito, tarefa que coube à sua tia/mãe, como regente. Por 3 anos esse título se manteve, até que ela mesma determinou que seria o novo faraó.

A Faraó

Ela foi uma das poucas mulheres que ocuparam o posto de faraó durante os três milênios em que isso foi possível. A definição dela como nova faraó implicava em todo um processo de reconhecimento pela população, com a alteração de nomes em lugares estratégicos e construção de estátuas.

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As novas esculturas mantiveram o padrão utilizado até então, mostrando a nova faraó como um homem com barba, a não ser por alguns pequenos traços femininos, como uma cintura mais fina do que o convencional. Além disso, as palavras utilizadas em inscrições deixavam claro que o faraó era uma mulher.

Durante seu reinado, ela iniciou um número de projetos de construção que superou muito seus predecessores, principalmente na Núbia, que havia sido conquistada por seu pai e marido recentemente.

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Também foram iniciadas diversas obras no próprio Egito, sendo a mais relevante o templo em Deir el-Bahari, que era conhecido como djeser-djeseru, ou “o mais sagrado dos locais sagrados”. Quando o local foi descoberto, no século XIX, os arqueólogos encontraram santuários dedicados a Hathor e Anúbis, além de uma esfinge de Hatshepsut, demonstrando seu triunfo sobre os inimigos. Também existia, no centro, um conjunto de relevos mostrando uma expedição ao reino de Punt.

Viagem a Punt

Conhecida também como “Terra dos Deuses”, até hoje não se sabe exatamente onde o local ficava; as principais suspeitas apontam para o nordeste da África. Pelo que foi identificado em registros, a viagem liderada por Hatshepsut foi um sucesso e trouxe diversas maravilhas do local, dentre elas fragrâncias maravilhosas, resina de mirra retirada de árvores jovens, ébano e marfim, com ouro verde de Emu. O fato era algo a se comemorar, pois nenhum faraó conseguiu ser tão bem-sucedido nas relações com a localidade.

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Após a morte de Hatshepsut, Tutmés III assumiu o poder, que inicialmente era seu por direito. Apesar de seu corpo ter passado pelo processo funerário usual e colocado no vale dos reis, sua memória não foi mantida da forma como ela provavelmente esperava.

Os monumentos construídos durante seu reinado foram atacados, suas estátuas, destruídas, e todos os locais que registraram seu nome foram apagados. Egiptólogos acreditam que essa atitude foi uma tentativa do novo faraó de obter algum crédito por todo o sucesso que ela alcançou. Joyce Tyldesley escreveu em um artigo para a BBC que, “ao remover todas as referências óbvias à sua corregente, Tutmés III poderia associar o reinado dela a seu próprio nome. Ele então se tornaria o maior faraó do Egito”.

A múmia de Hatshepsut foi identificada em 2007, cruzando informações com a arcada dentária presente em um vaso canópico identificado. No episódio de sua morte, ela tinha aproximadamente 50 anos, sofria de diabetes e estava com as unhas pintadas de vermelho e preto. Apesar da tentativa de apagá-la da história egípcia, seus feitos foram maiores do que isso; portanto, é considerada uma das líderes mais triunfantes do Antigo Egito.

(via Mega Curioso)

Hermeto Pascoal: “Miles Davis me chamou para lutar boxe e lhe dei um cruzado em pleno rosto”

Por Chema García Martínez

Uma entrevista com Hermeto Pascoal se sabe quando começa, mas não quando acaba. Nem como. Ingovernável, loquaz, o entrevistado envolve o entrevistador em um estado de arrebatamento alucinógeno, ou algo assim, quase sem dar tempo para respirar; no final, o bruxo conduz a conversa ao seu terreno. Paco de Lucía, por exemplo. Bem pensado, por que não? “Paco e eu éramos fãs um do outro”, começa dizendo. “Nós nos conhecemos em um festival no Sul da Espanha. Ele estava ensaiando com seu grupo e eu me sentei para ouvi-lo”. O próximo encontro nos camarins significou o começo de uma velha amizade. “Nunca toquei com ele, por respeito”, diz Hermeto. “Eu lhe disse: “Paco, gosto tanto de você que não quero tocar contigo”. E ele entendeu. Se tocássemos juntos, certamente teria saído algo artificial, sem nenhum sentido”. Para o brasileiro, o violonista era a encarnação do “músico universal”, entenda-se como tal aquele que compõe uma música com denominação de origem e vocação de universalidade. “Quando falo de “música universal”, diz Pascoal, “falo da que é feita a partir do que a pessoa é e ouve. E eu ouço muitas coisas, também música espanhola. Por isso, toco quando me dá na telha e nunca me censuro.

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Se me chamam dos Estados Unidos para tocar em um festival de jazz, pois muito bem, mas conste que o que eu faço é “música universal”: esse é o meu jeito”. Dito isso, ele muda o rumo da conversa: “eu já lhe contei que sou doutor?”; por acaso o mais cosmopolita dos músicos brasileiros em exercício acaba de voltar de uma viagem pelos Estados Unidos com surpresa incluída. “Fui a Boston e me levaram a sei lá qual universidade em que me nomearam doctor honoris causa, então sou doutor: olha a minha importância”.

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A acidentada biografia do doutor Pascoal, vejam vocês, começa com o erro de um funcionário do cartório pouco aplicado ou, quem sabe, duro de ouvido, o que explica o fato de que a criança tenha sido registrada com o nome escolhido por seus progenitores – Hermeto – seguido pelo nome paterno – Pascoal –. Ninguém se lembrou de colocá-lo um sobrenome. “Desde que nasci me olham como se fosse estranho, mas eu não faço nada que qualquer um não faça. Às vezes, a vaidade e o orgulho fazem com que não percebamos o quanto nós seres humanos nos parecemos. Eu acredito na semelhança, mas não somos 100% semelhantes, isso seria espantoso: 10% já é suficiente”. 
hermeto_pascoalA infância de Hermeto Pascoal são lembranças de um coqueiro às margens do lago, o canto dos pássaros e o som de um pífano. “Eu sempre digo que sou 100% intuitivo, porque aprendi experimentando as coisas que me vinham à cabeça enquanto ouvia os pássaros cantando…”. Ele tinha certeza de uma coisa: “nunca tive a menor dúvida de que queria ser músico”.hermeto-pascoal

Hermeto começa a percorrer o Nordeste do país tocando sanfona em casamentos, batismos e comunhões com seu irmão, José Neto. O também sanfonista Sivuca é seu mentor entre as plateias nordestinas, em inusitada confluência de sanfonistas albinos que seria depois referendada com o disco que os dois gravaram de capa indescritível. O ritmo é o forró, a festa… “a palavra forró vem de farra, de festa… não é um ritmo e sim uma maneira de fazer que envolve tudo, porque tudo, incluindo o chorinho, o maracatu e o frevo, é forró”.

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Do Recife ao Rio de Janeiro

Hermeto prova as delícias da boemia carioca em decadência, funda o Quarteto Novo, viaja a Nova York. A especificidade da proposta do músico, tão deslocada no Brasil do final dos anos sessenta como no atual, precisava ser validada fora do país. E, para ele, só existe um destino possível: a Grande Maçã. “Cheguei em Nova York sem falar uma palavra de inglês e sem conhecer ninguém, com exceção de Airto Moreira”.

Hermeto começa indo a um show do percussionista, com o trompetista Miles Davis como artista convidado. Como se costuma dizer, rápido e rasteiro, ou algo assim. “Estava esperando para entrar na casa de show quando atrás de mim surgiu um homem e me dá um toque no ombro, e me diz algo que não entendo… pensei que era um cara me paquerando e me livrei dele como pude. Até que, por fim, pude entrar e vi Airto no palco falando com ele. Então perguntei: “Ei Airto, quem é esse cara?”. Ele me olhou como se eu fosse um extraterrestre: “É o Miles Davis!”.

Duelo de titãs

O encontro nos bastidores, ao final do show, serve para esclarecer qualquer mal-entendido. “Pude ver que era um cara legal que dividia comigo a mesma religião da música”. Miles acabaria convidando o recém-chegado a sua casa. Hermeto, mesmo com receios, aceita. “Miles tinha uma casa “elegantíssima” em um bairro muito chique. Ele tinha 45 anos, eu 34. Tinha saído do vício das drogas e estava limpo”.

Mas nem tudo será tão fácil. Miles começa submetendo seu convidado a algo que se parece muito com um ritual de iniciação. “A primeira coisa que fez foi me perguntar: “você tem ouvido absoluto?” (nota ao final do texto). Aí tocou uma nota e eu lhe disse: “si bemol”. Depois tocou outra, e outra, e me dizia: “agora toca um fá sustenido”, e eu assobiava a nota que ele me pedia, ou cantava: “a nota que você quiser, me diga e eu a canto”.

Hermeto passou no primeiro teste, mas ainda restava a prova definitiva. “Quando ele comprovou que eu não era uma fraude, relaxou e começou a me falar do quanto gostava de boxe, que até tinha um ringue ali, no meio da sua casa. Miles realmente sabia boxear, tinha professores que iam vê-lo uma vez por semana, levava muito a sério. E aí ele me diz: “se você tem coragem, lute comigo”. Eu pensei: “será que nossa amizade já é tanta para lutarmos boxe?”. Mas enfim, aceitei o convite, tirei a roupa, coloquei as luvas, e subi com ele no ringue”.

O combate improvável entre os dois gênios da música iria ocorrer de acordo com as mais estritas regras do acaso. “Não sei se você percebeu, mas meus olhos têm vida própria, o que quer dizer que um aponta para um lado e o outro, para o contrário. Disse a mim mesmo: “vou aproveitar esse dom que a natureza me deu”. Como bom boxeador que era, Miles tinha seu olhar fixo em mim, mas não percebia que, enquanto meu olho direito acompanhava a direção de seu olhar, o outro olhava em direção ao restante de seu corpo, que estava desprotegido. Então lhe dei um cruzado que lhe acertou em pleno rosto; pensei: “toma essa, almofadinha…” ficamos amigos.

Em 3 de junho de 1970, Hermeto Pascoal e Miles Davis foram ao “Estúdio B”, no segundo andar do edifício Columbia, em Manhattan, para gravar 2 composições originais do primeiro: “Igrejinha” (traduzida como “Little Church”), e “Nem Um Talvez” versus “Selim”. O disco com as duas músicas foi lançado em novembro de 1971 com o título um tanto inquietante de “Live-Evil”. Surpreendentemente, ou nem tanto, na edição original do mesmo, a autoria das duas canções é atribuída ao próprio Miles Davis; para Pascoal, um detalhe sem importância. “Sei que Airto falou com ele do assunto, e depois Herbie Hancock e Wayne Shorter, mas eu não o fiz, para que? Miles era uma pessoa elegante, um ricaço, tinha tudo o que queria, então não faria algo assim por dinheiro, muito menos por vaidade, e também não acho que fosse capaz de fazê-lo somente para causar discórdia. Se ele disse que a música era sua, então era sua”.

Preparado para a batalha

Hermeto terminaria voltando ao Brasil, a seu bairro de Bangu, no Rio de Janeiro, os projetos, vários, de se reunir com Miles Davis não deram em nada, “eu não posso nesse momento, agora sou eu que não posso, e aí chegou sua hora e tudo se acabou”. Sua aventura com Aline Morena, a contestada “Yoko dos Pampas”, 43 anos mais jovem, terminou em empate técnico e com a cantora o acompanhando em suas turnês. “E o que tem isso de estranho? Somos amigos e nos entendemos no palco, por mim tudo bem”.

Hermeto, se sabe, cresce no corpo a corpo. Para demonstrá-lo, suas polêmicas, profusamente divulgadas pela imprensa, com o establishment musical – a MPB –, o grupo “dos baianos” (Caetano Veloso & Gilberto Gil) e até mesmo seu próprio público, na homenagem recebida em seu feudo de Bangu, quando completou 75 anos de idade. É que o doutor Pascoal quer ser levado a sério. “Eu sei que existem músicos de minha idade que pensam que estou louco porque toco piano daquela forma e, sim, pode ser que eu faça o que me dá na telha, mas, sempre, minha música é muito trabalhada”. A “lenda negra” de Hermeto Pascoal leva a tais percepções errôneas. Falamos de alguém capaz de enfrentar o desafio de escrever uma música por dia durante um ano ou morrer tentando (“Calendário do Som”, Editora Senac, 2000): “tenho permanentemente 3 ou 4 músicas dando voltas em minha cabeça, e é por isso que escrevo em qualquer coisa ao meu alcance, pode ser uma parede, um guardanapo e um rolo de papel higiênico que, evidentemente, adoro. Tenho certeza que Mozart o teria utilizado se o conhecesse”. É essa necessidade convulsiva, irrefreável, de criar, que leva o alagoano a editar seus discos de 2 em 2, como “Hermeto Pascoal e sua Visão Original do Forró”, gravado em 1998 e editado em 2018 com o consentimento de seu autor e um variado repertório 100% festivo; e “Natureza Universal”, em formato de big band; um disco comedido para os padrões “herméticos”, e uma amostra afinada do Hermeto Pascoal mais jazzístico. Além desses lançamentos está para ser publicado o livro escrito pelo espanhol, morador de Foz do Iguaçu, Adolfo Montejo, primeiro que é dedicado ao artista: “Hermeto. Ars Sonora”. “Adolfo me levou a um museu para mostrar meu trabalho poético, e tinha minha própria sala chamada “Som de Aura”, lembra, não sem orgulho, o interessado. “Foi tanta gente que não dava para andar enquanto as outras salas estavam meio vazias”.

Hermeto Pascoal tem 82 anos e toca o que tiver pela frente, seja líquido, gasoso, objeto inanimado e que se move. Além disso, é algo que pouquíssimos são: um homem feliz. E quer que também seja quem o ouve. “A música é o que é gostoso na vida, não importa se você é pintor ou jogador de futebol: tudo o que é bom, é música”.

Nota – O ouvido absoluto se refere à habilidade de identificar e reproduzir uma nota sem a ajuda de uma nota referencial.

(via El País)

Maria Esther Bueno, a maior tenista brasileira

Por Agência Estado

A ”Bailarina”, como ficou conhecida, por causa de sua elegância no estilo de jogar, foi a número 1 do mundo por quatro temporadas – 1959, 1960, 1964 e 1966.

Ela conquistou 19 títulos de Grand Slam, dos quais sete de simples e 12 em duplas. Só na grama de Wimbledon foram sete troféus: três em simples (1959, 1960 e 1964) e quatro em duplas (1958, 1960, 1963 e 1965). Ela também foi campeã no saibro de Roland Garros, na grama do Aberto da Austrália e no piso duro do US Open. As conquistas em vários tipos de piso mostram a versatilidade e o talento da tenista brasileira. No ano de 1960, fechou o Grand Slam em duplas, ao lado de duas parceiras diferentes.

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Maria Esther Bueno teve seu nome incluído no Hall da Fama do Tênis em 1978, mesmo ano em que uma estátua de cera no famoso museu londrino Madame Tussaud foi feita em sua homenagem. Por vários anos foi convidada especial em torneios do Grand Slam. Ao todo, foram 589 títulos internacionais. Foi eleita a melhor tenista do século 20 da América Latina.

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Primeira conquista em Wimbledon

Em 1959, após sua primeira conquista em Wimbledon, Maria Esther Bueno desembarcou no Aeroporto Internacional do Galeão, no Rio de Janeiro, e seguiu direto de helicóptero, que servia à Presidência da República, até o Palácio das Laranjeiras, onde foi recebida pelo presidente Juscelino Kubitschek. Ela ganhou a medalha do Mérito Desportivo. De lá foi para São Paulo, sua cidade natal, e desfilou pelas ruas lotadas de fãs em carro do Corpo de Bombeiros do Aeroporto de Congonhas até o centro.

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Seu nome está no Livro dos Recordes: a final do US Open de 1964, contra a norte-americana Carole Caldwell Graebner, Maria Esther Bueno venceu em apenas 19 minutos.

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Maria Esther Bueno faz parte de um geração vencedora do esporte brasileiro. Muitos eram os ídolos nacionais na década de 60. Adhemar Ferreira da Silva (bicampeão olímpico no salto triplo), Eder Jofre (bicampeão mundial de boxe), Wlamir Marques (bicampeão mundial de basquete) e Biriba (grande destaque do tênis de mesa).

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Os 10 anos de total sucesso na carreira de Maria Esther Bueno são pouco registrados pela mídia da época. Raros vídeos e fotos ajudam a relembrar a brilhante carreira da tenista brasileira. Como era obrigada a treinar com homens – poucas eram as mulheres que praticavam o tênis na época -, Estherzinha tinha golpes rápidos e fortes. Poucos privilegiados podiam acompanhar sua classe até os últimos dias de sua vida no Clube Harmonia, onde se mantinha em atividade.

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O início da carreira

Paulistana, começou a jogar no Clube Tietê aos 11 anos de idade, em 1950, onde existe uma estátua em sua homenagem. Seu pai queria que ela estudasse balé, mas Maria Esther Bueno chegou a disputar algumas provas de natação nos 50 metros livre com sucesso, mas sua paixão sempre fora o tênis.

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Sua carreira foi interrompida em 1967 por causa de uma lesão no cotovelo direito, entre outras lesões. Em Wimbledon chegou a jogar 120 games no mesmo dia ao disputar partidas de simples, duplas e duplas mistas. Seu profissionalismo em quadra nunca foi recompensado pelos organizadores dos torneios com dinheiro, como é feito hoje em dia. Maria Esther Bueno chegou a ganhar bichos de pelúcia após uma grande vitória. Voltou a jogar, já na chamada Era Aberta do tênis mas sem o mesmo brilhantismo. Chegou a vencer o Aberto de Tóquio, em 1974, e ganhou como premiação US$ 3 mil.

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Maria Esther Bueno morreu inconformada com o fato de o Brasil não conseguir formar uma grande jogadora no circuito mundial. “Não é possível que no Brasil, com tanta gente jogando, não exista, pelo menos, uma boa para aparecer. Outra Maria Esther Bueno? Seria um erro comparar, pois cada um é cada um e eu sempre me esforcei 200%”.

Nos últimos anos, atuou como comentarista do canal SporTV. Com contrato válido, deveria participar da cobertura in loco de Wimbledon, em julho. Uma de suas últimas aparições aconteceu no Rio Open, em fevereiro. Na ocasião, se recuperava de um procedimento cirúrgico em decorrência do câncer. Discreta, pediu ao canal para não aparecer no vídeo, somente com o áudio dos seus comentários.

(via Super Esportes)

Balduíno IV a história do Príncipe Leproso que se tornou rei de Jerusalém

Por Maria Luciana Rincón

Você se lembra do enredo do filme “Cruzada”, de Ridley Scott, que foi lançado em 2005? Um dos personagens do longa é Balduíno IV, Rei de Jerusalém, uma figura que, no decorrer da trama, aparece vestindo roupas que cobrem completamente seu corpo e uma máscara de ferro que oculta seu rosto — desfigurados pela lepra.

Lembra desse filme?
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Pois esse cara existiu na vida real e, ao contrário do que vemos no filme, existem registros que sugerem que Balduíno não escondia a sua condição de ninguém, não. Outra coisa importante a se ter em conta é que ele ocupou uma posição extremamente importante — afinal, ele se tornou Rei de Jerusalém, uma terra que já era disputada por cristãos e muçulmanos — em uma época em que não só a lepra não tinha cura, como os doentes eram superestigmatizados. Portanto, Balduíno deve ter sido alguém com uma personalidade e uma força extraordinárias.

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Proteção real

Balduíno nasceu em Jerusalém em 1161 e era um dos filhos do Rei Amalrico I, da casa Anjou, uma família de nobres de origem francesa que teve grande influência durante a Idade Média e participou ativamente nas Cruzadas e no estabelecimento dos estados cristãos na Terra Santa. Até onde se sabe, Balduíno começou a mostrar os primeiros sinais de ter a doença quando tinha por volta de 9 anos de idade e notou enquanto brincava com os amigos que não percebia o toque nem sentia dor no braço direito — mesmo quando a pele era beliscada.

Coroação de Balduíno IV
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O diagnóstico foi feito em seguida, e Balduíno, na verdade, foi beneficiado por ser filho do Rei. Naquela época, a lepra não tinha cura e, de modo geral, representava uma sentença de morte — lenta e solitária para quem sofria da doença. Se não fosse príncipe (e se Amalrico fosse do mal, como muitos monarcas que existiram na História), Balduíno teria sido condenado a viver em uma colônia para leprosos e moribundos.

Uma das muitas ilustrações que retratam as batalhas pela Terra Santa
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No entanto — e para a surpresa dos muçulmanos que habitavam na região de Jerusalém —, o príncipe não só permaneceu na corte, como cresceu como qualquer jovem. Balduíno foi bem educado e, desde cedo, demonstrou ser muito inteligente e também foi treinado nas artes da guerra. Aliás, mesmo doente de lepra, dizem que ele era um excelente cavaleiro. Então, em 1174, quando Balduíno tinha apenas 13 anos de idade, seu pai, Amalrico, morreu, e ele foi coroado.

História conturbada

O Primeiro Reino de Jerusalém foi estabelecido em 1099, após o fim da Primeira Cruzada, e Balduíno subiu ao trono apenas 75 anos depois de os franceses terem conquistado o controle da Terra Santa. Assim que foi coroado, Balduíno viu seu reino ameaçado por Saladino, um poderoso sultão cuja influência se estendia do Egito à Síria.

Antiga ilustração mostrando Saladino
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No início, como era jovem demais para reinar, o garoto foi auxiliado por Raimundo III, Conde de Trípoli, que atuou como regente até 1176. Entretanto, depois de assumir o seu papel como rei, como sua saúde continuava se deteriorando, Balduíno era obrigado a apontar diferentes regentes periodicamente, e essa situação deu origem a desequilíbrios e brigas pelo poder — que, por sua vez, contribuíram para desestabilizar a posição do rei.

Contudo, ainda que com essas dificuldades todas, enquanto pôde Balduíno manteve sua posição e lutou com todas as forças para evitar que Saladino conquistasse Jerusalém, inclusive indo para as linhas de frente com seu exército. Um de seus feitos mais impressionantes aconteceu no final de 1177, quando o sultão iniciou uma marcha do Egito a Ascalão — um dos condados que faziam parte do Reino de Jerusalém — com o propósito de atacar a localidade.

Balduíno IV retratado liderando suas tropas
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Segundo registros históricos, apesar de Balduíno e seus exércitos ficarem encurralados — e, de acordo com as lendas, ele somente conseguir segurar as rédeas de seu cavalo com uma das mãos —, o Rei liderou seus soldados e, com a ajuda das tropas de Reinaldo de Châtillon (uma figura controversa da época) e dos Cavaleiros Templários, conquistou uma vitória surpreendente sobre Saladino próximo a Montgisard.

Sucessão e morte

A vitória em Montgisard rendeu uma trégua de 2 anos entre Balduíno e Saladino em 1180, mas, assim que o período estabelecido terminou, o sultão voltou ao ataque. Devido a seus problemas de saúde, Balduíno acabou não deixando herdeiros e, com a deterioração de seu estado e a ameaça dos muçulmanos se intensificando, começaram as tensões para definir quem seria seu sucessor.

Cena do filme “Cruzada”, de Ridley Scott
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Então, em junho de 1183, Saladino capturou Aleppo, completando o cerco a Jerusalém. Balduíno ainda chegou a liderar mais uma batalha — carregado em uma maca —, mas, no fim, o Rei reconheceu que já não havia mais sentido em continuar lutando. Assim, em uma tentativa de manter alguém da família no trono, Balduíno abdicou e corou seu sobrinho, Balduíno V, filho de sua irmã Sibila com Guy de Lusignan, em novembro de 1183, nomeando Raimundo de Tripoli e Joscelino III de Edessa como guardiões do menino.

Saladino, no filme “Cruzada”
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Balduíno IV, o Rei Leproso, morreu em 1185, com apenas 24 anos de idade, e Saladino teria guardado luto em respeito ao rapaz. Balduíno V morreu menos de 1 ano depois, e Sibila e Guy assumiram o trono. Mas, após uma série de campanhas malsucedidas contra as tropas de Saladino, a maior parte do Reino de Jerusalém acabou caindo nas mãos do sultão em 1187.

Balduino IV

Apesar dos pesares, em vez de Balduíno IV ser condenado ao ostracismo, ser desprezado por seu povo e se render por causa de sua terrível doença, ele liderou exércitos e venceu batalhas contra inimigos mais numerosos e incrivelmente poderosos, demonstrando uma bravura e uma força de vontade que acabaram por conquistar o respeito de todos. Seu reinado foi breve, mas sua personalidade e bravura garantiram que seu nome ficasse marcado na História.

(via Mega Curioso)

Conheça a história de Rosie, ilustração símbolo do feminismo

Por Galileu

Os criadores do cartaz não pensaram (nem um pouco) em empoderamento quando o criaram

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Hoje conhecida como símbolo feminista, a ilustração de Rosie, a Rebitadora, demorou para fazer sucesso. Ela foi criada durante a Segunda Guerra Mundialpelogoverno dos Estados Unidos, mas só se tornou famosa anos depois, na década de 1970.

O cartaz — que hoje é icônico — foi exibido apenas por algumas semanas durante a guerra, em uma fábrica do meio oeste da Westinghouse Electric and Manufacturing Company, nos Estados Unidos. O cartaz contava com a frase “We Can Do It!”, que em português significa: “Nós podemos fazer isso!”. ”Não foi encomendado pelo governo dos EUA e nem sequer destinava-se a opinião do público em geral. Apenas um número relativamente pequeno de pessoas viu isso na época”, escreveu Flavia Di Consiglio para a BBC.

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O cartaz fazia parte de uma série, que também incluiu imagens como uma em que se lia: “Dúvida sobre o seu trabalho? Pergunte ao seu supervisor”. É bastante claro que essa imagem foi criada para um exercício corporativo e não para ser símbolo do empoderamento feminino.

Mas em meados dos anos 1970, com o fortalecimento do movimento feminista, a ilustração voltou à tona, já que mostra uma mulher forte e independente. ”A imagem é certamente impressionante e se apropria da imagem familiar de Popeye nos momentos em que ele está prestes a partir para resgatar donzelas em perigo com ajuda de sua força sobre-humana”, afirmou Jim Aulich na reportagem.

A Rosie verdadeira

Em 1943 entretanto, uma outra capa com “Rosie, a Rebitadora” foi criada. Nela vemos uma mulher grande sentada em um pilão, comendo um sanduíche de presunto enquanto segura uma máquina. Ao contrário da sua “irmã” famosa, essa personagem está coberta de graxa, por conta de seu trabalho.

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Outras Rosies apareceram, como a “Rosie ao Resgate”, mas a primeira de que se tem notícia é a que surgiu de uma composição de Redd Evans e John Jacob Loeb, que aparece em uma música chamada “Rosie the Riveter“.

Além disso, por mais contraditório que pareça, o uso do cartaz pelo governo norte-americano We Can Do It! estava longe de ter intenções feministas. ”Claro, durante a guerra as mulheres foram encorajadas a se juntar à força de trabalho, mas com o entendimento de que abdicariam de seus postos assim que os soldados retornassem. Era seu dever”, alega Stephanie Buck no Timeline.

(Com informações de Smithsonian.com.)

(Via Galileu)

Keanu Reeves: O ator mais caridoso da história

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Quanto mais você ler sobre Keanu Reeves, mais você vai gostar dele.

Estima-se que Keanu fez cerca de $260,000,000 e contando a partir de seu papel como Neo na trilogia Matrix. Ele doou aproximadamente $35 milhões para a equipe de efeitos especiais e maquiadores, resultando em mais de 1 milhão por membro do elenco.destaque28

“O dinheiro não significa nada para mim. Eu fiz muito dinheiro, mas eu quero curtir a vida e não me estressar construindo minha conta bancária. Nós todos sabemos que uma boa saúde é muito mais importante”.

Ele também tem uma fundação para financiar pesquisas do câncer e hospitais de câncer.

“Eu tenho uma fundação privada em funcionando há cinco ou seis anos, e ajuda hospitais infantis e pesquisas do câncer. Eu não gosto de atribuir o meu nome a ele, eu apenas deixei a fundação fazer o que ela faz”.

Ao longo dos anos, Keanu tem apoiado muitas instituições de caridade e causas. Ele tem apoiado as seguintes instituições de caridade :

Angelwear

City of Hope

CoachArt

Entertainment Industry Foundation

LIFEbeat

Make It Right

PETA

Racing for Kids

SickKids Foundation

Spinal Cord Opportunities for Rehabilitaion Endowment

Stand Up To Cancer

Wildlife WayStation

Em setembro de 1997 Keanu Reeves, que agora tem milhões de dólares, decidiu passar uma manhã em West Hollywood com um sem-teto, conversando, partilhando e tratando como igual.keanu03 keanu02 keanu01

 

“O dinheiro é a última coisa que eu penso. Eu poderia viver com o que eu já fiz pelos próximos séculos”. Keanu Reeves, 2003.

Há um tempo circulou pela web uma imagem dele num metrô, junto com um texto, relembrem:Esse-cara-lendo-jornal-tranquilamente-num-metro-se-chama-Keanu-Reeves

 

Esse cara lendo jornal tranquilamente num metrô se chama Keanu Reeves.Ele nasceu em uma família problemática. O pai foi preso quando ele tinha em torno de 12 anos por tráfico de drogas e sua mãe era stripper. Sua família libanesa se mudou para o Canadá e ele teve vários padrastos. Ele viu sua namorada morrer. Eles iam se casar, mas ela morreu num acidente de carro que foi televisionado para todo o país. Sua então namorada já estava um pouco depressiva porque ela havia perdido o bebê que o casal iria ter. Desde então, ele evita relacionamentos sérios e nunca casou ou teve filhos.

Ele também é o único dos grandes astros de Hollywood que não tem uma mansão no local. Perguntado sobre o porquê, ele respondeu:
- Moro num flat, tenho tudo que quero a hora que quero. Porque trocaria isso tudo por uma casa vazia?

Keanu Reeves teve um de seus melhores amigos mortos por overdose, River Phoenix (ator de Conta Comigo). Ele era irmão do também ator Joaquin Phoenix. Na mesma época, o pai de Keanu foi preso de novo por porte de drogas e condenado a 10 anos de prisão.

Keanu Reeves viu sua irmã mais nova ter leucemia, que a quase levou a morte. Ela se curou, e ele doou 70% do que ele ganhou em Matrix para hospitais que cuidavam da mesma doença que sua irmã tinha.

Keanu Reeves morou alguns meses na rua junto com os sem teto, para se colocar no lugar dos mesmos, puramente por vontade própria.

Quem já viu na rua o “sad Keanu” sabe que ele é mais ou menos assim.
Não anda com seguranças, come lanche da rua, usa roupas normais, etc.

No próprio aniversário dele, Keanu só foi numa lojinha comprar um bolo pequeno e ficou comendo sozinho. Se algum fã o reconhecia, ele dava um pedaço.

Quando perguntaram a ele sobre a alcunha de “sad Keanu” ele disse:
-Vocês precisam ser felizes para viver. Eu não.

Keanu Reeves merece nosso respeito. 

Por Vicente Carvalho

 

Mikhail Baryshnikov: em busca da liberdade para dançar

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Ator, coreógrafo mas, sobretudo, um gigante do ballet. É isso mesmo que Mika (o seu petit nom) é: um gigante. Se o leitor visse Mikhail Baryshnikov a dançar, a primeira coisa que saltaria à vista é a energia, a vibração, a excitação que debitava nos movimentos. A segunda nota é a rebeldia e a ousadia da sua dança. Estas emoções que Mika nos transmite são confirmadas nas entrevistas do bailarino quando confessa que nunca duvidou dos seus impulsos e, claro, pela coragem que revelou ao desertar da URSS, em 1974, em busca de uma melhor oportunidade para se expressar criativa e livremente.01_Mikhail_Baryshnikov_at_YoungArts_2010__de_Knight_Foundation_01

Nasceu em Riga, na agora independente Letónia, que era na altura parte da União Soviética. Baryshnikov começou os seus estudos de ballet em 1960 e, sete anos mais tarde, integrou o Ballet Kirov, estreando-se no Teatro Mariinsky com o papel do camponês de Giselle, em 1967. O talento de Baryshnikov, em particular a força da sua presença e a sua pureza técnica, foi reconhecido por vários coreógrafos soviéticos (Oleg Vinogradov, Konstantin Sergeyev, Igor Tchernichov e Leonid Jakobson) e o crítico britânico Clive Barnes caracterizava-o como “o mais perfeito bailarino que alguma vez vi”.02_Baryshnikov_revista_pajaro_de_fuego_n_18_agosto_1979_02

Naquela altura viviam-se os gélidos tempos da Guerra Fria. A indústria da propaganda de cada uma das duas grandes potências exaltava as respectivas maravilhas, enquanto estas se debatiam na cena internacional. Como não podia deixar de ser, a cultura era uma das bandeiras da estratégia de guerra. Mikhail era o bastião do ballet soviético, amado e adorado pela sua pátria. Infelizmente, os sentimentos não eram mútuos e, farto da atmosfera sufocante do comunismo soviético, deixou-se seduzir pelas maravilhas, promessas e liberdades do “american way of life”.

Criatividade e liberdade são dois valores que andam, geralmente, de braços dados. Num certo sentido, a criatividade é um ato radical de liberdade. O medo, a subjugação ao domínio de outros (ou do todo, do colectivo, como dita o comunismo) restringe de uma forma violenta as barreiras à mente criativa, à demonstração do eu artístico que há nos indivíduos. A ousadia da criatividade é isso mesmo: transcender os valores e comportamentos do grupo. Não quer dizer que a criação não tenha como objeto esses valores mas tem um plus: a visão do “eu artístico”. E isso é transcender o coletivo e individualizar.

Assim, em 1974, após uma performance do Ballet Bolshoi em Toronto, o bailarino desertou, numa espécie de peregrinação, da União Soviética em busca de liberdade pessoal e criativa, de uma oportunidade melhor para se expressar criativamente, confiante de que a sua técnica transcendia barreiras culturais. Tinha razão.

Alguns anos mais tarde, Mikhail explicou-se à New Statesman: “sou um individualista e, lá, isso é um crime”. Nos EUA, entrou para o American Ballet Theatre (ABT) onde apareceu em variadas produções. O público compareceu em massa para ver “a sua técnica clássica impecável, aparentemente sem esforço e as manobras no ar extraordinárias que executava com tanto entusiasmo e precisão”, escreveu Laura Shapiro, na Newsweek. Três anos mais tarde, Mika foi nomeado para um Óscar pela sua performance em “The Turning Point” (1977), um filme em que contracena com Anne Bancroft e Shirley MacLaine. Mais prémios viriam: em 1979 e 1980 – já Mikhail tinha deixado o ABT e estava, desde 1978, no New York City Ballet – dois Emmy’s por performances na televisão. Sempre em busca de novos desafios à sua expressividade, aparece, em 1985, ao lado de Gregory Hines em “White Nights” e, em 1989, na produção da “Metamorfose” kafkiana.

Em 1990, Mika cria o projeto avant-garde White Oak, com Mark Morris, abraçando assim a dança contemporânea. “É menos educada, mais democrática, mais transparente e, na minha perspetiva, mais próxima do coração das pessoas”, confessou à New Statesman. Em 2003 e 2004, fez uma aparição memorável na série “Sexo e a Cidade,” onde vestiu a pele de um artista russo amante de Sarah Jessica Parker. Apesar de um problema no joelho, Mika continuou a dançar nos seus 50 e 60 anos mas, recentemente, guardou os seus sapatos de bailarino e voltou aos palcos em “Paris” (é mesmo o nome da peça), em 2011 e 2012, peça baseada numa história do escritor russo Ivan Bunin.

Por Graça C. Moniz04_Baryshnikov_and_Minnelli_1981_TV_Scout_Previews_04 05_Mikhail_Baryshnikov_at_YoungArts_2010__de_Knight_Foundation_05

Johnny Depp

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Embebedava-se, fuma demais e até já foi ao Calçada da Fama só para fazer xixi em cima da estrela com o seu nome. Agora só bebe cerveja sem álcool

Por vezes, já noite dentro, em filmagem nos locais mais diversos do mundo, depois de pousar a guitarra ou fechar um dos quatro ou cinco livros que lê em simultâneo ou de desligar o televisor após ter assistido a “algum lixo televisivo”, Johnny Depp começa a interrogar-se. Adora o que faz mais… não haverá mais nada em que prefira meter-se? Não seria bom ir para um sítio qualquer pensar e escrever – ou apenas “vomitar” ideias?johnny_depp_tonto_train

No escritório em Los Angeles, acabadinho de chegar da festa do 14.º aniversário da filha na noite anterior, Depp põe-se a pensar. “Já estou com 50 anos em cima destes ossos”, diz, dando uma longa passa num dos seus gordos cigarros castanhos, habilmente enrolados por ele próprio. “Não posso dizer que queira fazer isto mais 10 anos.”
A ideia de se reformar passa-lhe pela cabeça todos os dias. “Queria aproveitar mais a vida. Sem ter de estar sempre a fugir pela cozinha dos restaurantes ou pelas caves dos hotéis. Não quero viver como fugitivo.” Por outro lado, o envelhecimento abre a porta a novos papéis – veja-se o caso do falecido companheiro de copos Marlon Brando. “No fundo, não sei se sou capaz de abrandar”, diz. E apaga o cigarro num cinzeiro colocado sobre a mesa, com uma roleta de cassino embutida.

Johnny Depp é um tipo com quem é bom estar. Os seus heróis (Brando, Keith Richards ou Bob Dylan) tendem a tornar-se seus amigos. “O Johnny é tão interessante como o Dylan ou o Brando… ou eu próprio”, diz Richards, que passou horas a dar entrevistas a Depp para o documentário que o ator está a fazer sobre o guitarrista dos Rolling Stones.

Depp veste-se como vagabundo. Hoje usa um chapéu gasto com uma pena, um velho casaco castanho e uma camisa azul. As calças de ganga são largas, com pingos de tinta e vários rasgões com fita-cola. Tem barbicha e tatuagens no corpo. “Já estou a ficar sem espaço para mais”, diz. Usa óculos. Desde nascença que é “cego que nem uma toupeira do olho esquerdo”. O problema é impossível de tratar. “Vejo tudo desfocado.” O olho direito é míope (e também já não vê muito bem ao perto). Sempre que está a atuar (a não ser que tenha a sorte de a personagem usar óculos), só consegue ver o que estiver a centímetros da cara.

A explicação para a fita-cola nos jeans é simples: “Estava para ir a uma festa na escola do meu filho e quando vesti as calças percebi que os rasgões eram tão grandes que se via o meu rabo. E eu não uso roupa interior.”

1990: Em ‘Eduardo Mãos de Tesoura’Imagem-MILTMP19354281-(1)

Como? Johnny Depp não usa roupa interior? “Essa tende a ser a minha abordagem”, diz, corando um pouco. “Fui logo à procura de fita-cola para tapar os buracos. Eu sei, é patético. Ainda por cima, continuo a usá-las.”

No escritório da sua produtora, Depp vai bebendo uma cerveja sem álcool. Há um ano que não toca em bebidas alcoólicas, mas recusa usar a expressão “deixar de beber”. Nunca se considerou um alcoólico. “É uma espécie de remédio, automedicação, para acalmar o circo à minha volta. As festas e coisas do gênero sempre foram experiências desagradáveis para mim. Precisava de beber quando estava nesse tipo de situações.”

Também deixou de fumar, mas voltou ao vício recentemente embora fume menos do que antes. Durante as três horas e meia que estivemos com ele, fumou seis cigarros. E tem o hábito de cortar as imagens chocantes dos maços de tabaco.

A maior alteração recente na sua vida é uma questão delicada: o divórcio de Vanessa Paradis, sua companheira durante 14 anos e mãe dos seus dois filhos. “As relações são muito difíceis. Isso não põe termo ao fato de continuarmos a gostar de uma pessoa e de ela ser a mãe dos nossos filhos. Portanto, mais vale tentarmos dar o melhor face à situação.”

2003: Em ‘Piratas dos Caríbes’Imagem-MILTMP19354280-(1)

Os tablóides deram relevo ao fato de Depp ter andado na companhia do amigo Marilyn Manson no rescaldo da separação. “O Johnny e eu nunca fomos amigos de copos”, diz Manson. “Apesar de ter sido ele a meter-me no absinto… Hei-de culpá-lo sempre por isso… Estávamos ambos com problemas e passar tempo com ele deixava-me mais feliz. E parecia que eu também o deixava mais feliz.” O cantor diz que ninguém ficou mais perturbado do que a sua namorada. “Ela dizia coisas do tipo: ‘Pois, andas a passar tempo com o Johnny Depp e ele está solteiro.’” Isso era a pior coisa que alguma rapariga podia ouvir.”

Depp, que namora agora com a atriz de 27 anos Amber Heard [até Janeiro namorada da modelo francesa Marie de Villepin], também tem passado tempo com um amigo que só há pouco tempo conheceu pessoalmente: Damien Echols, que esteve preso 18 anos acusado de assassínio e foi ilibado por provas entretanto obtidas. Há anos que Depp financia a defesa do seu caso. Os dois já fizeram juntos seis tatuagens idênticas.

2005: Em ‘Charlie e a Fábrica de Chocolate’Imagem-MILTMP19354279-(1)

Na sua versão mais jovem, Depp ficou conhecido pelos acessos de deboche, destruindo quartos de hotel após cada separação (Kate Moss, Winona Ryder), mas ele insiste que, desta vez, não foi o caso. Depp tinha 15 anos quando os pais se divorciaram e não suportou isso muito bem.

A sede da sua produtora, a Infinitum Nihil, é moderna, com uma enorme cozinha à entrada. A sala de reuniões está cheia com cartazes de O Mascarilha, o seu novo filme [estreia em Portugal a 8 de Agosto] e obras pintadas pelo próprio Depp, incluindo retratos de Bob Dylan e Marlon Brando.

Estamos virados para uma porta dupla no seu gabinete que dá para uma espécie de museu da sua carreira: há uma máquina de flippers de Os Piratas das Caraíbas e uma réplica em tamanho real do esqueleto do Homem-Elefante. Entre estas duas peças está um manequim sem cabeça envergando o traje original, de couro negro e metal, que usou em 1990 em Eduardo, Mãos de Tesoura. Este foi o filme que estabeleceu o padrão da sua carreira daí em diante. “Ao cobrir-me de maquiagem, dos pés à cabeça, torna-se mais fácil olhar para as outras pessoas”, diz o ator, que há anos que não vê qualquer dos seus filmes.

Nas veias ainda lhe corre sangue dos índios americanos. Quando o realizador Gore Verbinski revelou aos executivos o interesse de Depp no seu projeto (O Mascarilha), eles ficaram delirantes. “Toda a gente pensou: ‘Johnny Depp no papel do Mascarilha? Fantástico! Faça-se o filme.’ Depois, as suas expressões azedaram quando lhes disse que ele queria ser o índio: ‘O quê? Ele quer interpretar o Tonto?!’”

O ator até usa um antigo símbolo da tribo comanche no colar de corda ao pescoço. No ano passado, foi adotado como filho da ativista comanche LaDonna Harris num ritual. Deram-lhe o nome de Shape Shifter [Aquele que Muda de Forma]. “Pareceu-me muito adequado”, comenta Harris.

Desde os 20 anos que Depp mantém um diário. É a forma como resolve os puzzles da vida; as suas tentativas com a psicoterapia nunca correram bem. “Nos diários, tento ser o mais honesto possível. Mas há uma parte de ti que, estranhamente, nem a ti próprio confessas, porque, no fundo, sabes que alguém vai ler a merda dos diários quando estiveres feito em cinzas”, afirma.

2010: Em ‘Alice no País das Maravilhas’Imagem-MILTMP19350225-(1)

Cresceu numa família de classe remediada que tinha o estranho hábito de mudar de casa quase todos os meses – primeiro no estado do Kentucky, depois na Florida. O sentimento de viver como um fugitivo vem daí. O pai era engenheiro civil e a mãe empregada de mesa. “Contavam sempre os tostões no fim do mês. Por alturas do Natal, já tínhamos falido três ou quatro vezes”, conta. “Ela cresceu numa barraca nos montes Apalaches e diz que fez o melhor que sabia para nos educar. Aos meus filhos, digo-lhes que os amo 75 vezes por dia.”

Mudar de casa ainda o afeta. “Quando chega a altura de fazer as malas, mesmo que seja para ir de férias, fico num frangalho. Há malas que nunca cheguei a desfazer. Tenho malas e malas algures, em arrecadações alugadas. Sei que ainda tenho, num sítio qualquer, uma mala que trouxe do Eduardo, Mãos de Tesoura e nunca abri a do Quem não Chora não… Ama. Estas pequenas cápsulas do tempo estão para ali, num sítio qualquer, só porque não fui capaz de lidar com elas.”

Com a namorada, a atriz Amber Heard, de 27 anos, e os filhosJohnny Depp Sighting In Tokyo

Diz também que não acredita em Deus. “Acho que estamos cá e que é basicamente só isso. Depois é só pó e larvas.” Durante uns tempos, pensou que seria fixe se o seu corpo fosse atirado para um precipício quando chegasse o fim. “Sempre entretinha as pessoas. Ou podiam guardar a pele onde tenho tatuagens. Recortá-las, arranjar molduras com formol, onde fossem preservadas, e mantê-las assim esticadas – isto não parece nada macabro, pois não? Não.”

Marilyn Manson conta a história de uma noite de bebedeira, em Hollywood, em que os dois foram vagueando até à estrela de Depp, no Passeio da Fama – mesmo entre Wesley Snipes e Sonny e Cher. “Queríamos mijar em cima da estrela dele”, diz Manson. “Pensámos nisso mas não posso confirmar ou negar que o tenhamos feito.”

E depois há aquela voz que Depp houve na cabeça a toda a hora: “F***-se, F***-se. Não precisas desta merda. F***-se.” Ri-se à gargalhada a contar isto, como se Brando estivesse a gritar-lhe aos ouvidos. “O Marlon chegou a um ponto da vida em que simplesmente disse: ‘Não quero saber disto’”, afirma Depp, sorrindo, como se fosse um fugitivo que consegue, finalmente, ver ao longe o fim da estrada. “E isto deve ser como atingir uma espécie de nirvana. Só pode ser. É a liberdade.”

Por Brian Hiatt/Exclusivo ‘Rolling Stone’

Fecal Matter: o embrião do Nirvana

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Tudo começou com o nascimento do primogênito do casal Don e Wendy Cobain, Kurt Donald Cobain, no dia 20 de fevereiro de 1967 no Grays Harbor Community Hospital localizado em Aberdeen.

A ligação de Kurt com a arte parecia predestinada! O pequeno menino que ria de tudo aos cinco anos costumava fazer desenhos perfeitos de seus personagens preferidos como o Pato Donald e o Pateta. A música também era uma constante em sua família. Seu tio Chuck tocava num grupo chamado “Beachcombers”, sua tia Mari costumava tocar em clubes da região e eles sempre faziam jam sessions em casa com direito a gravações caseiras de Kurt cantarolando “Hey Jude” dos Beatles aos dois anos.

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Kurt teve uma infância relativamente feliz até completar nove anos, época em que seus pais se separaram e sua hiperatividade aumentou, além das surras que ele levava de seu pai. A arte que antes expressava a felicidade infantil de Kurt, virou a válvula de escape para os ressentimentos dele.

Essa fase traumática destruiu tudo aquilo que Kurt confiava e ele passou a migrar para casa de parentes e amigos sem permanecer sequer por um ano em cada residência, tendo sempre uma razão problemática para a mudança e tornando-se cada vez mais solitário.

Foi em 1981 que ele ganhou sua primeira guitarra elétrica Lindell, presente de sua tia Mari que o incentivou a praticar e a compor. Nessa mesma época ele conheceu Warren Mason, amigo de seu tio Chuck que o ensinava a tocar os clássicos do rock como “Stairway to Heaven” do Led Zeppelin.

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Isso tudo possibilitou uma certa maturidade musical que levou Kurt a gravar sua primeira demo com um gravador de 4 canais em Seattle na casa de sua tia Mari em 1982. A demo levou o nome de “Organized Confusion” e dela nos restou uma versão de 1988 da música Spank Thru, faixa que constava nessa demo:

O embrião do Nirvana surgiu em 1983 quando Kurt conheceu Krist Novoselic — um croata “gigante” que havia se mudado há pouco tempo com sua família para Aberdeen. Os dois tinham pontos em comum que os diferenciavam dos outros adolescentes da cidade: eram extremamente fissurados por música, tinham poucos amigos e eram fãs devotos (Kurt mais ainda) de uma pequena banda da cidade, os Melvins. Novoselic também admirava a flexibilidade e a habilidade que Kurt tinha quando o assunto era arte.

Kurt ficou tão obcecado pela ideia de montar uma banda que em 1985, enquanto Novoselic se formava no colegial, ele abandonou os estudos para gravar mais demos em Seattle, na mesma casa da mesma tia Mari. Foi em dezembro desse ano que ele montou sua primeira banda de verdade, a Fecal Matter, com Dale Crover no baixo (nessa época ele era baterista dos Melvins) e Greg Hokason na bateria. A demo levou o nome de Illiteracy Will Prevail e Greg não participou da gravação, deixando sua função para Dale após Kurt convencê-lo de viajar até Seattle com ele. A capa ficou por conta do Kurt e as cópias em forma de fita K7 também.

Capa da demo feita por Kurt Cobainfecal_matter1

“Mari ficou perturbada com a letra de ‘Suicide Samurai’, mas colocou-a na conta de um comportamento adolescente típico. Os rapazes gravaram também ‘Bambi Slaughter’, a história de como um menino fez negócio com os anéis de casamento de seus pais, ‘Buffy’s Pregnant’, sendo Buffy a personagem de um programa de televisão Family Affair, ‘Downer’, ‘Laminated Effect’, ‘Spank Thru’ e ‘Sound of Dentage’.” (CROSS, p. 92)

O material da Fecal Matter não despertou interesse em ninguém, exceto para Novoselic. Com o fim da banda, ele e Kurt passaram a fazer cada vez mais jams na casa que ele dividia com outro rapaz ainda em Aberdeen e em 1986 os dois decidiram montar outra banda, com o Kurt na guitarra e vocal, Krist no baixo e Aaron Burckhard na bateria.

A banda realizou o primeiro show durante uma festa em março de 1987 e não tinha um nome específico: Skid Row, Bliss, Pen Cap Chew e Ted Ed Fred foram alguns nomes utilizados durante os primeiros shows. O baterista Aaron abandonou a banda bem nesse começo, sendo substituído por Dale Crover que já tinha tocado com Kurt durante o Fecal Matter e gravado a bateria da primeira e última demo da banda.

Finalmente, com Kurt Cobain na guitarra e vocal, Krist Novoselic no baixo e Dale Crover temporariamente na bateria, a banda conseguiu sua primeira gravação profissional em 23 de janeiro de 1988 com a produção de Jack Endino, o mesmo produtor das bandas Mudhoney e Soundgarden. O cara ficou tão impressionado com a Dale Demo do trio que resolveu fazer algumas cópias para os seus amigos. Um desses amigos era o Jonathan Poneman da Sub Pop Records! Nem preciso dizer que foi ele que lançou o primeiro disco da banda, Bleach, em 1989, né?

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Até gravar o primeiro álbum, a banda trocou de baterista mais três vezes. Dale Crover teve que se dedicar somente aos Melvins por causa de uma mudança da banda para São Francisco, deixando em seu lugar Dave Foster que ficou por pouco tempo na banda. Com a sua saída, Aaron Burckhard tentou voltar, mas foi preso. A solução foi chamar Chad Channing que ficou na banda até maio de 1990. Sua saída teve como motivo principal uma insatisfação recíproca: de um lado Krist e Kurt não gostavam da maneira como ele tocava, e ele por sua vez se sentia excluído das composições.

Kurt, Chad e Kristnirvana1988

Obs.: foi em setembro de 1990, após ter sido apresentado por Buzz Osborne (líder dos Melvins,) que Dave Grohl assumiu a bateria do Nirvana.

O nome Nirvana apareceu oficialmente no dia 19 de março de 1988 num pôster do show realizado no Community World Theater, em Tacoma:

“Ele [Cobain] mais tarde explicou que queria um nome suave em vez de um ‘nome malvado, rude, punk’ — embora ‘malvado’, ‘rude’ e ‘punk’ fossem termos adequados para descrever o som da banda.” (GAAR, p.16)

Foto tirada por Tracy Marander, namorada de Kurt em 1988kurt-cobain-tracy-marander--large-msg-116075261372Kurt Cobain of Nirvana