Espetáculo O Crivo faz últimas apresentações da temporada

Por Luisa Guimarães 

Após percorrer dez cidades brasileiras e oito da República Tcheca, o projeto finaliza a circulação em Itumbiara

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Dança contemporânea e literatura dialogam no espetáculo O Crivo, que finaliza sua circulação nacional nos próximos dias 04 e 05 de setembro na cidade de Itumbiara. O Auditório Onofre Ferreira dos Anjos, no IFG de Itumbiara, recebe as últimas apresentações. O projeto deu início à circulação no mês de março e percorreu nove cidades brasileiras, como Campo Grande, Porto Alegre, Goiânia e Salvador, além de oito cidades da República Tcheca, incluindo Praga para o Festival TANEC Praha 2017.

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Todas as atividades são gratuitas, mas os realizadores apostam em uma campanha nessa circulação: a doação de um livro (usado ou não) na hora do espetáculo. As doações serão destinadas à Biblioteca Pública Municipal de Itumbiara.

Caminho para o sertão

Três contos da obra de Guimarães Rosa inspiraram João Paulo Gross, que assina a direção e a coreografia de O Crivo: “A Terceira Margem do Rio”, “O Espelho” e “Nada e a Nossa Condição”. “A concepção do projeto se deu no momento que eu li o ‘Primeiras Estórias’. Eu fiquei muito mexido e me apaixonei pela escrita, pelo ritmo e por todo o sertão que o autor descreve na obra”, conta o coreógrafo. Gross explica, no entanto, que o sertão é outro. Não está em Minas, na Bahia ou em Goiás – o sertão é aqui. É o próprio ser, o sozinho que todos temos, o mundo de cada um.

Os contos foram utilizados como imagens para provocar a construção poética da coreografia. Para isso, Gross selecionou uma “imagem poética” em cada conto que, na concepção dele, o representava. Em “A Terceira Margem do Rio”, a imagem escolhida foi o próprio rio; em o “Nada e a Nossa Condição”, o “e” foi o escolhido pelo coreógrafo – o elemento de ligação entre o “nada” e “a nossa condição” que, no fim das contas, são a mesma coisa; o próprio objeto é a imagem escolhida em “O Espelho”.

A ligação entre os contos se dá através das ideias por trás dessas imagens. O rio enquanto metáfora para a vida – aquele que nasce, corre e termina desaguando no oceano – dialoga com a ideia do espelho – como eu me vejo e como eu me reconheço pelo olhar do outro. A ligação entre o “nada” e a “nossa condição” remete à famosa frase: “do pó viemos e ao pó voltaremos”.

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O duo

Dois homens criam relações que só se revelam à medida em que atravessam suas estórias, o mundo de cada um. Atravessam juntos o ser-tão, travando diálogos e contatos para mergulhar na busca do que muda e o que permanece em cada um. O Crivo é dramaturgia de mistérios, convivências e comoções, interpretado pelo próprio coreógrafo e diretor ao lado de Daniel Calvet.

Dois bailarinos, dois mundos, duas vidas que se organizam e que se conversam. O Crivo instaura um caminho inusitado entre esses dois, partindo das questões levantadas por Guimarães Rosa em sua obra: colocar-se em trânsito, atravessar; viver no limiar entre movimento e repouso, nascimento e morte.

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Os artistas

João Paulo Gross é coreógrafo, bailarino, professor de movimento e Membro do Conselho Internacional de Dança – CID. Buscando novas percepções e diálogos com outros artistas, estabelece parcerias que pesquisam a dança em diálogo com outras linguagens artísticas na cena contemporânea. No período em que trabalhou na Quasar Cia de Dança/GO, conheceu o artista Daniel Calvet. Através de identificações estéticas e o desejo de trabalharem num projeto autoral, se uniram para pesquisar a cena contemporânea. Assim, tencionando questões relativas à dança e ao teatro, tendo como ponto de partida o movimento do corpo e sua construção dramatúrgica na cena.

O Crivo

O espetáculo de dança O Crivo estreou em 2015 em Goiânia e passou por festivais como o Dança em Trânsito (RJ), Goiânia em Cena e MID – Movimento Internacional de Dança (DF) no mesmo ano e em 2016. “O Crivo dialoga bem com o público, não é um espetáculo de difícil acesso. A gente teve uma resposta muita positiva, tanto em Goiânia, quanto em outros lugares”, revela o diretor sobre a recepçãonessas primeiras apresentações. “A gente está muito feliz de fazer essa circulação nacional. Vai ser uma grande oportunidade de mostrar nosso trabalho pelo Brasil”.

“O Crivo” foi contemplado pelo Fundo de Arte e Cultura do Estado de Goiás e pelo prêmio Funarte de Dança Klauss Vianna 2015.

Teaser do espetáculo:  

SERVIÇO

O CRIVO em Itumbiara – últimas apresentações
Datas: 04 e 05 de setembro
Horário:  20h
Local: Auditório Onofre Ferreira dos Anjos – IFG Câmpus Itumbiara
Endereço: Avenida Furnas, nº 55, Village Imperial
Entrada franca

Acompanhe O Crivo
www.joaopaulogross.com/ocrivo
Facebook: /ocrivocirculacao
Instagram: @ocrivocirculacao

 

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