Grupo Ateliê do Gesto apresenta o espetáculo “Natureza Morta”

Por Ana Paula Mota 

Dança contemporânea se une à arte visual no espetáculo “Natureza Morta” que será apresentado pelo Grupo Ateliê do Gesto em Goiânia, Campo Grande, Belo Horizonte, além de Piracanjuba e Cidade de Goiás. Os movimentos dos bailarinos Daniel Calvet e João Paulo Gross se encontram com a obra do desenhista, escultor e pintor mineiro Farnese de Andrade neste espetáculo que versa sobre o movimento barroco. Em Goiânia ele será apresentado nos dias 15 e 16 de março às 20 horas no Teatro Goiânia Ouro. Haverá áudio descrição dessas apresentações na capital goiana. Nos dias 29 e 30 de março o espetáculo chega ao Cine Teatro São Joaquim, na Cidade de Goiás. A entrada para o espetáculo, em todas as cidades, é franca, mas pede-se a doação de livros literários, usados ou não. Os livros arrecadados serão doados para uma biblioteca pública. O projeto tem apoio da Lei Goyazes e patrocínio total da Enel.

Foto Carol Arcanjo 1

O espetáculo 

O espetáculo proporciona ao público uma experiência intimista e um exercício poético ao trazer o barroco, um movimento artístico que expõe os conflitos humanos que se equilibram entre a emoção e a razão, o prazer e a dor, a vida e a morte. Ainda que pertença ao século XVII, o movimento, para o diretor João Paulo Gross, pode surgir e ressurgir em outras épocas e lugares. “Como vivemos hoje? Não somos todos uma multidão de solitários? Uma grande aldeia global, numa rede interligada, porém marcada pelo individualismo e a solidão? Mais do que apresentar resposta, Natureza Morta chama o espectador para refletir e questionar junto”, adianta o diretor e bailarino.

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Para provocar esses sentimentos, os bailarinos trazem para o palco a arte de Farnese de Andrade, artista de destaque na história das artes brasileiras. O trabalho é, também, um resgate, pois apesar de toda a força de sua obra e de ser um artista concorrido e premiado até os anos 1970, é pouco lembrado ou conhecido pelo grande público nas últimas décadas. O espetáculo, Gross adianta, dialoga não só o com o trabalho do artista, mas também sua densa trajetória de vida. “Apesar de autobiográfica, sua obra parece reproduzir a biografia da humanidade. É como se ele dissesse e fizesse o que nós, no corre-corre do mundo atual, deixamos às escondidas, guardado no fundo de uma caixa deteriorada pelo tempo. Farense expõe para o mundo de forma singular um inútil relato”, detalha Gross.

O espetáculo nasceu há dez anos no Rio de Janeiro quando João Paulo Gross atuava por lá. A obra passou por palcos como Sesc Copacabana, foi ganhador da Mostra Novíssimas Pesquisas Cênicas (projeto organizado pela diretora e atriz Ana Kfouri), participou da Bienal Sesc de Dança/Edição 2009 e contou com a dramaturgia de Verônica Prates. Já radicado em Goiás, Gross incorpora o ao repertório do goiano Ateliê do Gesto em 2017. “O Ateliê é um espaço onde investimos e pesquisamos o movimento em diálogo com outras áreas artísticas”, justifica Gross sobre o espetáculo que dialoga com as artes plásticas a partir da vida e obra de Farnese de Andrade.

Oficinas 

O projeto também contempla uma vivência que vai aproximar profissionais e estudantes da dança com o dia a dia do grupo de pesquisa Ateliê do Gesto. As 15 pessoas selecionadas poderão conviver por três dias com os bailarinos João Paulo Gross e Daniel e ver de perto o processo de trabalho do grupo. Os selecionados, que devem ser profissionais ou estudantes de dança e teatro, vão participar dos aquecimentos, assistir aos ensaios e assistir ao espetáculo no Teatro Goiânia. Os dois primeiros dias terão carga horária de três horas e o terceiro dia terá carga horária de quatro horas. Os interessados devem enviar nome completo, breve currículo e motivo de interesse na oficina para o e-mail ateliedogesto@gmail.com e colocar no assunto do e-mail: Oficina de Dança – Natureza Morta – Circulação. As inscrições podem ser feitas até 7 de março.

Circulação 

As apresentações começam em Goiás e em seguida seguem para Belo Horizonte e Campo Grande. A escolha das cincos cidades, diz Gross, não foi em vão. “Todas elas têm a força da cultura popular e artistas-artesãos esquecidos pelo tempo, que assim, dialogam com a identidade produtiva e artística de Farnese de Andrade em comunhão com o movimento barroco no Brasil”, conta. Ainda que o movimento barroco tenha se concentrado em Minas Gerais e Bahia, marcou profundamente o Brasil. “Até hoje vemos influência de suas características em muitos artistas. Isso nos faz perceber e acreditar que o Brasil como um todo respirou o movimento barroco e até hoje encontramos artesãos que no seu árduo ofício carregam em sua essência as questões barrocas na sua arte”, diz o bailarino.

Sobre o Grupo 

O Ateliê do Gesto nasceu da busca por novas percepções e diálogos com outras linguagens artísticas no corpo em movimento. Através de identificações estéticas e o desejo de trabalharem num projeto autoral, João Paulo Gross e Daniel Calvet (artistas com carreiras consolidadas e passagens por importantes cias de dança no Brasil), se juntaram para pesquisar o corpo, tendo como ponto de partida o movimento e sua construção dramatúrgica na cena. Desse encontro nasceu “O Crivo”, espetáculo inspirado na obra de Guimarães Rosa, ganhador do Prêmio Funarte de Dança Klauss Vianna 2015, do Fundo de Arte e Cultura do Estado de Goiás 2015 circulando pelas cinco regiões do Brasil por diversas cidades e por diversos festivais internacionais. Em 2018 o grupo integrou o Palco Giratório, projeto de circulação das artes cênicas a nível nacional, produzido pelo SESC – Departamento Nacional.

Neste ano o grupo circula com seus espetáculos de repertório “O Crivo”, “Natureza Morta”, e prepara para uma temporada de estreia da sua mais recente criação, o espetáculo “Dança Boba” dirigido por Daniel Calvet, em Goiânia no segundo semestre. Além dessas atividades o grupo embarca para uma circulação internacional no Equador e no Peru difundindo a dança contemporânea que produzem no estado de Goiás.

Serviço:

Ateliê do Gesto circula “Natureza Morta” e oferece oficinas – GRATUITO

Goiânia

Local: Teatro Goiânia Ouro, Rua 3, Centro

Data: 15 e 16 de março

Horário: 20 horas

Entrada franca ou doação de um livro literário, usado ou não.

Retirada de ingressos na bilheteria do teatro, 2h antes do espetáculo. Ingressos limitados à lotação da casa. 

Cidade de Goiás

Local: Cine Teatro São Joaquim

Data: 29 e 30 de março

Horário: 20 horas

Entrada franca ou doação de um livro literário, usado ou não.

Retirada de ingressos na bilheteria do teatro, 2h antes do espetáculo. Ingressos limitados à lotação da casa. 

OFICINAS

11 e 13 de março, Casa Corpo – Setor Universitário, 19h – 22h

15 de março, Teatro Goiânia Ouro, 17 às 21h

Inscrições até 7 de março: enviar nome completo, breve currículo e motivo de interesse na oficina para o e-mail ateliedogesto@gmail.com e colocar no assunto do e-mail: Oficina de Dança – Natureza Morta – Circulação.

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